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27/05/2006 - 07h57

Primeiro negro após 50, Dida reclama reconhecimento a Barbosa

Daniel Tozzi e João Henrique Medice
Enviados especiais do UOL
Em Weggis (Suíça)
Weggis assistiu neste sábado à quebra de dois tabus. E ambos por obra do goleiro Dida, primeiro goleiro negro a ser titular da seleção em mais de 50 anos.

Avesso às entrevistas, Dida cedeu e concedeu uma coletiva. Nela, mostrou consciência e certo engajamento ao comentar o que significa o fato dele ser o titular da seleção brasileira no Mundial de 2006.

ELOGIOS A MARCOS


Neste sábado, Dida mostrou ser um autêntico defensor de seus pares. Além de pedir reconhecimento a Barbosa, o titular do Brasil em 2006 também lamentou a sucessão de lesões sofridas por Marcos, do Palmeiras, de quem foi reserva na conquista do pentacampeonato.

"Infelizmente as lesões contribuíram para que ele não esteja conosco. Mas é um cara fanstático, e para mim foi o melhor da Copa passada", comentou Dida.

Marcos ficou fora da lista final por causa de uma lesão sofrida num jogo do Palmeiras em fevereiro. O goleiro ainda não voltou a atuar. Para a vaga dele, Parreira chamou Rogério Ceni, do São Paulo. Júlio César, da Internazionale, foi o outro goleiro chamado.

"Estou muito feliz com esse momento", comentou Dida, para em seguida reclamar reconhecimento para Barbosa, o último negro a defender o Brasil numa Copa.

"É a queda de um tabu de mais de 50 anos", completou o jogador do Milan, que neste sábado recebeu, em Weggis, o prêmio de segundo melhor goleiro do mundo em 2005 - o tcheco Petr Cech foi o primeiro.

Um dos principais goleiros da sua geração, Barbosa defendeu o gol do Brasil naquela que é considerada por muitos como a principal derrota da história da seleção.

"Pena que só lembramos dele naquele momento", reclamou Dida, que pediu divulgação maior da carreira de Barbosa. "Não vejo ninguém falar disso. Seria importante para a memória dele e de todos os brasileiros", protestou.

Ídolo do "Expresso da Vitória" do Vasco, Barbosa foi responsabilizado pelo derrota para o Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950, realizada no país. Nunca mais outro negro defendeu o gol do Brasil como titular num Mundial.

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