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05/05/2006 - 09h05

Copa é passarela para visuais extravagantes e moda alternativa

Ana Luisa Bartholomeu
Em São Paulo
Jogadores se destacam em uma Copa do Mundo pelo seu ritmo de jogo, domínio de bola, dribles incríveis, garra, belos gols e também por visuais exóticos. Sim, este último quesito também pode dar status de "superstar" àqueles que não são necessariamente tão bons com a bola no pé ou, no caso das grandes estrelas, podem potencializar ainda mais seu brilho.

FIGURAÇAS HISTÓRICAS DAS COPAS


Valderrama e sua cabeleira
O look roqueiro de Alexi Lalas
O exótico nigeriano Taribo West

VEJA FOTOS DAS FIGURAÇAS

Como nas últimas duas edições, a Copa vem ai com 32 seleções e um batalhão de atletas em busca do título supremo do futebol. Mas sobra tempo para uns charminhos secundários. Levando a sério o dito que diz que a aparência é cartão de visitas, muitos jogadores investem no visual para atrair os olhares do mundo em seus minutos preciosos de fama global.

E, invariavelmente, conseguem. Na história das Copas, muitos jogadores viraram símbolos quando o assunto é cabelo.

Os principais exemplos são o colombiano Valderrama e sua eterna juba loura consagrada nas Copas de 1990 e 1994, seu compatriota René Higuita, goleiro tresloucado e de pixaim avantajado, o norte-americano Alexi Lalas, misto de zagueiro e rockstar ruivo, Abel Xavier, o "Leão da Montanha" de Portugal, com um visual oxigenado contrastante com sua cor negra e os tradicionais cabeludos argentinos, como Caniggia, Batistuta, Sorin e cia.

A lista de "figuraças" históricas das Copas segue com o nigeriano Taribo West, que já usou cabelo raspado com apenas dois "birotinhos" na cabeça e também já fez um estilo "moicano", que se não bastasse por si só, ainda era verde.

Na seleção brasileira, o "black power" de Jairzinho na Copa de 1974, o bigodão de Rivelino, os mullets de Ricardo Rocha em 1990, o porco-espinho da fase jovem de Dunga e a careca brilhante de Roberto Carlos são apenas algumas das muitas referências de estilo encontradas.

VISUAIS DO MUNDIAL 2006


Cissé, um dos mais ousados
Ljuboja, moicano da vez ou gambá?
Coloccini: escola cabeluda argentina

VEJA FOTOS DAS FIGURAÇAS

Na ala mais excêntrica, o último exemplar foi o penteado à lá "Cascão" (personagem da Turma da Mônica) de Ronaldo "Fenômeno", com apenas uma mecha de cabelo na parte da frente da cabeça. Um visual bolado especialmente para a final da Copa de 2002. Feio? Quem se importa. O que vale é virar moda.

Para esse ano, a seleção não traz nada de muito inovador - pelo menos por enquanto. Mas segundo o cabeleireiro do Studio W, Wanderley Nunes, que cuida das madeixas de boa parte das celebridades que estampam as revistas de fofoca e comportamento do país, a seleção brasileira estaria em maus bocados se a disputa considerasse o visual dos jogadores.

"Se me chamassem para dar uma consultoria, deixaria todos os jogadores da seleção mais bonitos", diz o cabeleireiro, vendendo seu peixe.

Segundo Wanderley, a onda "cabelo raspadinho" agrada pela praticidade. "Quando a pessoa tem cabelo crespo, deixar bem curto é uma ótima opção - ainda mais para esportistas. É uma saída inteligente", explica. Mas na questão estilo, deixa a desejar. "Fica faltando um tempero, né?".

Tempero que Wanderley só encontrou no visual rastafári de Roque Júnior. "Ele é o mais estiloso da seleção brasileira e também da Copa", elogia.

PITACOS DO CABELEIREIRO WANDERLEY NUNES NA SELEÇÃO
Dida:
Maravilhoso. O charme fica para o desenho do lado esquerdo da cabeça. É muito original
Cicinho:
Faria algo mais moderno, que combinasse mais com o estilo dele. Um desfiado todo para frente, arrepiadinho, ficaria bacana
Roque Júnior:
É o visual com mais personalidade na seleção. Mas eu queimaria um pouco as pontas, deixando ele com um ar queimado de praia
Kaká:
Adoro o corte dele, mas faria algo especial para a Copa, só para chamar ainda mais a atenção. Poderia ser um curto bagunçado
Ronaldinho:
Particularmente, não gosto desse visual. Fica meio lambido. Faria um visual mais "rasta" nele, estilo Roque Júnior
Robinho:
É preciso cuidado com seu visual pois ele é muito menino e pode aparentar ser mais jovem ainda do que parece
Adriano:
Rasparia tudo com a navalha, tiraria esse início de bigode e conservaria um cavanhaque curto
Ronaldo:
Também rasparia a careca com navalha. Ele iria brilhar ainda mais em campo
O cabeleireiro Betto Brunelli, com seus 23 anos de profissão, concorda com o colega Wanderley. "O Roque inovou, diferente dos companheiros de equipe", diz, dando, de zero a dez, nota sete para o elenco nacional.

Utilizando como referência o álbum de figurinhas da Copa, os cabeleireiros checaram o visual dos jogadores das 32 seleções que participarão do Mundial. Wanderley elegeu Itália, Ucrânia e Togo como as mais "fashion".

"Os italianos estão com belos cortes, algo bem clássico. A Ucrânia está bem moderna, com o uso de franjas, lembrando o estilo dos Beatles. E a seleção de Togo, na minha opinião, está muito estilosa. Ao mesmo tempo em que brincam com os penteados, mostram que têm personalidade para usá-los", diz o especialista.

Por sua vez, Brunelli elogiou os visuais da Inglaterra e de Trinidad e Tobago. "Os ingleses abusaram do cabelo bagunçado e desfiado, o que particularmente gosto muito. Já Trinidad e Tobago usa as características étnicas a seu favor, com penteados afro de dar inveja", disse.

Brunelli classificou o visual argentino como "lambidos demais", enquanto Wanderley elogiou o clássico cabelo comprido e os rabos-de-cavalo que há tempos marcam o estilo dos "hermanos".

"Os fios longos dão personalidade aos jogadores argentinos, além da confirmação de que se trata de uma seleção guerreira. Dão um ar de movimento, parece que os jogadores correm mais", teoriza.

Em relação ao Japão e à Coréia do Sul, Wanderley lamentou. "Classifico como os piores visuais da Copa. Não souberam valorizar o cabelo bom que têm", referindo-se aos fios lisos, escuros e fáceis de manusear dos orientais.

Agora é esperar para ver o que vem por aí a partir de 9 de junho. Só não se deve esperar muita coisa dos iranianos, pois a federação de futebol local restringiu o visual dos jogadores de futebol do país, coibindo a adoção de visual "incomum", como fazer permanentes, usar rabos-de-cavalo ou colares, anéis ou brincos, usar roupas apertadas, deixar crescer barbas "estranhas" ou copiar estilos "estrangeiros".

Mas se a intenção é mudar o visual, certamente as partidas da Copa serão uma ótima fonte de inspiração e igualmente referência de uma época. No pior dos casos, pelo menos uma fonte rica de deboche para o futuro.


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