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160 km, presídio e só 15 concluintes: a ultramaratona mais dura do mundo

Reprodução/Netflix
Largada é dada quando o criador da corrida acende um cigarro Imagem: Reprodução/Netflix

Do UOL, em São Paulo

15/04/2017 04h00

Inusitada, bizarra, sádica. A mais difícil do mundo. Não faltam definições para a Barkley Marathon, conhecida como a ultramaratona mais dura do planeta. E todas elas tentam trazudir a longa lista de excentricidades da corrida que acontece anualmente no Frozen Head State Park, no Tennessee (EUA).

A prova tem aproximadamente 160 km. A distância não é precisa por um simples motivo: a corrida é dividida em 5 voltas dentro de uma floresta e dois terços dessa volta são em mata fechada. Ou seja, cada participante percorre uma distância diferente do outro. Não há pontos de apoio com água e equipe médica ou postos de controle.

O que comprova que o corredor percorreu a volta corretamente são os livros espalhados estrategicamente pelo percurso. Cada corredor precisa encontrar os livros e destacar a página correspondente a seu número de peito. Ao retornar para o ponto de largada/chegada, ele precisa mostrar todas as páginas para validar mais uma volta.

A Barkley Marathon começou em 1986. Ela surgiu com base na fuga de James Earl Ray, o assassino de Martin Luther King, que fugiu da penintenciária Brushy Mountain State e se perdeu no parque montanhoso. Em mais de 50 horas, ele percorreu só 10 km, aproximadamente, antes de ser capturado. Gary Cantrell, morador local, pensou: eu teria ido bem mais longe. E criou a prova, cujo percurso passa pelo presídio.

Em 31 edições, só 15 pessoas conseguiram completar as cinco voltas dentro do tempo limite de 60 horas (são 12 horas por volta). Neste ano, John Kelly entrou para essa lista. Jared Campbell é o único tricampeão: ficou em segundo em 2012 e venceu em 2014 e 2016.

O mistério é outro ingrediente importante da Barkley Marathon. A prova não tem site oficial. Quem quer figurar entre os 40 inscritos, precisa dar um jeito de encontrar Gary Cantrell, o diretor da corrida. Se tudo der certo, basta pagar US$ 1,60, levar uma placa de carro de sua cidade natal e um presente para Gary, que a cada ano escolhe o mimo. Uma camiseta branca, um par de meias e uma camisa xadreza foram alguns deles.

O horário de largada também é surpresa: pode acontecer entre 23h de sexta-feira e 11h de sábado. Quando Gary toca uma buzina em forma de concha significa que falta uma hora para o início da corrida. A largada, por sua vez, é dada quando ele acende um cigarro no tradicional portão amarelo que marca o início e o fim das cinco voltas.

O percurso também é surpresa. Na noite de sexta-feira, o organizador dá um mapa para os competidores. A cada ano o caminho costuma mudar, já que ele tenta aumentar a dificuldade. "Quase não há espaço para erros nessa prova. Um erro pequeno pode ser contornado, mas um deslize maior e você já era", disse Gary à Runners World.

O interesse pela ultramaratona tem crescido nos últimos anos. Matérias sobre a aventura e até um documentário que está no Netflix (The Barkley Marathons, de 2014) a deixaram ainda mais famosa. E todo ano dezenas de malucos tentam vencer essa corrida.

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