UOL Esporte Olimpíadas de Inverno
 
09/02/2010 - 14h00

Etíope volta aos Jogos de Inverno e treina até no asfalto para inspirar seu país

Do UOL Esporte
Em São Paulo

Gana, Brasil e até a Etiópia. A lista de países de clima tropical, que dificilmente veem o branco da neve, aumenta a cada edição dos Jogos de Inverno e não é diferente para a edição que tem início nesta sexta-feira, em Vancouver. O etíope Robel Teklemariam é mais um exemplo de atleta que desafia os prognósticos e causa curiosidade, participando dos Jogos pela segunda vez.

  • REUTERS/Irada Humbatova

    Robel Teklemariam improvisa e treina no asfalto da Etiópia, onde voltou a morar há quatro anos

Robel foi o primeiro representante da Etiópia nos Jogos de Inverno, com a classificação para 2006 e o 84º lugar no cross country. Agora, ele volta para os Jogos em 2010 e mais uma vez vira centro das atenções com seu estilo despojado, com roupas coloridas e dreadlocks, e também por treinar até no asfalto.

O etíope não aproveita só os meses de inverno, mas também treina forte no verão. Para isso, utiliza duas pranchas com rodinhas e pratica em cima do asfalto, ao lado de quem prefere uma corrida a pé, que é a especialidade do esporte no país.

  • REUTERS/Irada Humbatova

    O esquiador do cross country fundou a federação de esqui do seu país e é o único integrante dela

Apesar de não pensar em medalhas, Robel tem um objetivo mais nobre, que é o de abrir os olhos de seus compatriotas para as modalidades de inverno. Ele inclusive é o presidente da federação de esqui de seu país.

“Se eu estiver mais perto do medalhista de ouro do que nos últimos Jogos, já ficarei feliz”, diz ele. “Mas, meu objetivo real é fazer com que a Etiópia se envolva mais com o esqui. Não quero ser o primeiro e último.”

Para isso, ele tem um site em que tenta procurar talentos dentro e fora de seu país. Atletas que moram fora da Etiópia e queiram representar o país são bem-vindos. É o caso dele próprio, que aos nove anos foi para os Estados Unidos, sem falar uma palavra de inglês. Sua mãe trabalhava para as Nações Unidas e teve de se mudar para o país.

“Foi um choque cultural. Mas o esqui foi uma grande parte da minha vida e da cultura na escola. Não havia opção, estávamos na neve”, disse o compatriota de lendários corredores, como os fundistas Haile Gebrselassie e Kenenisa Bekele.

Depois de ouvir uma piada de um colega sobre as chances de a Etiópia disputar uma edição dos Jogos de Inverno, ele levou a sério a ideia e contatou o Comitê Olímpico da Etiópia. Ao saber que não havia um órgão para o esqui, ele criou um. Hoje aos 35 anos, ele voltou a morar no país em 2006, onde passou a improvisar os treinos também.

*Com agências internacionais

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