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Bala na Cesta

Eliminado pela 3ª vez seguida na fase inicial da Copa América, Brasil pode ficar fora do Pan pela 1ª vez

Fábio Balassiano

27/08/2017 19h25

Terminou a participação da seleção na Copa América masculina adulta. O Brasil perdeu há instantes de Porto Rico por 89-80 em Medellín, está eliminado pela terceira vez seguida na primeira fase da competição e agora corre o sério risco de não participar dos Jogos Pan-Americanos pela primeira vez na história do país.

Em 2013 o Brasil terminou na nona e penúltima colocação na Copa América da Venezuela, perdendo seus quatro jogos (Canadá, Porto Rico, Uruguai e Jamaica). Há dois anos, no México, vitória solitária contra a República Dominicana e derrotas para Uruguai, México e Panamá (penúltima posição entre 10 participantes novamente). Na atual edição da Copa América, triunfo contra a Colômbia e México e Porto Rico vencendo o time do técnico César Guidetti. Em um total de 11 jogos entre 2013 e 2017, apenas 2 partidas ganhas, 9 reveses (22% de aproveitamento portanto) e três eliminações consecutivas na primeira fase. São, portanto, seis anos seguidos de vexames continentais.

Para adicionar drama na história do basquete, com a campanha de 1-2 e saldo negativo de 30 após três partidas o Brasil agora depende dos resultados finais dos outros dois grupos que estão com jogos em andamento para saber se jogará ou não os Jogos Pan-Americanos de 2019 em Lima. Como os primeiros colocados se classificam automaticamente para o Pan, campanhas e saldo de cestas serão os critérios que serão utilizados pela FIBA Américas para definir os quatro outros qualificados. Vale dizer que o país NUNCA ficou fora do Pan-Americano no masculino.

Nem há muito o que falar em termos táticos e técnicos sobre uma seleção brasileira que terminou sem jogar bem uma partida sequer e que em nenhum dos 3 jogos conseguiu passar da marca dos 80 pontos marcados (média menor que dois pontos por minuto, algo baixíssimo). É óbvio que esta é uma geração de jovens atletas, alguns com muito potencial, mas está claro que o trabalho precisa de ajustes (e muitos ajustes).

Com exceção do ala Leo Meindl, que foi bem nos três jogos, todos os outros atletas ficaram devendo (alguns deles devendo MUITO!). Creio que todos ali precisam, e merecem, de uma nova chance e só em competições assim (internacionais) é que eles irão crescer. Faz parte do aprendizado, não há a menor dúvida. Resta saber qual (e se há) planejamento para que esta nova geração atinja seu ápice nos próximos anos.

Voltarei ao tema "basquete brasileiro" amanhã, ninguém precisa colocar mais fogo em um caldeirão que já está ardente, mas está muito claro que todos precisam estar caminhando junto (Confederação, Ligas, Clubes, Atletas, Técnicos, Árbitros e Federações) para que o basquete brasileiro volte a ser forte.

Insisto: são seis anos pagando micos colossais em Copa América e a chance "inédita" de não participar do Pan-Americano de 2019. Não é ser pessimista, mas realista: a situação do basquete brasileiro está tenebrosa. E tenebrosa há tempos. O resultado de anos de desmando na Confederação se reflete nos resultados que estamos vendo agora.

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