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Fórmula 1

"Hoje, todo mundo pilota mais ou menos do mesmo jeito", dispara Prost

Charles Coates/Getty Images
Alain Prost hoje é consultor da Renault Imagem: Charles Coates/Getty Images

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Austin (EUA)

20/10/2018 04h00

Há 25 anos, Alain Prost deixava a Fórmula 1 logo depois de conquistar seu quarto título mundial, descontente com toda a eletrônica que estava tomando conta do esporte. Ainda hoje acha que aquela F1 do início dos anos 1990 era melhor do que a atual. Culpa, para o francês que hoje atua como conselheiro na Renault, dos carros, mas também do excesso de segurança das pistas.

Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, Prost afirma ainda que a F-1 está tão cheia de tecnologia que, atualmente, não é possível distinguir um piloto com estilo muito agressivo, como Gilles Villeneuve ou Keke  Rosberg, dos outros.

UOL Esporte: Você acha que o esporte está em uma situação melhor hoje do que quando você se aposentou?
Alain Prost: Não acho que, economicamente, o esporte esteja bem. Se olharmos os números de audiência, na minha época era melhor. É difícil de comparar porque hoje temos muito mais oferta, temos as mídias sociais, e as pessoas não veem mais tanta TV quanto antigamente. Mas não acho que o esporte foi na direção certa.

UOL: Hoje em dia vê alguém que pilota como você, com seu estilo?
AP:
É muito difícil julgar. Não acho que dá mais para ver um estilo. É só lembrar dos velhos tempos: Gilles Villeneuve, Keke Rosberg, até mesmo Ayrton quando ele começou, Nigel [Mansell]. São estilos diferentes, maneiras diferentes de pilotar e isso dava para notar na pista.

Hoje, eles pilotam mais ou menos do mesmo jeito. Não dá para dizer que eles têm estilos diferentes entre si. Às vezes, eles podem ter abordagens diferentes, ultrapassar de maneira distinta. Mas não temos mais estilos diferentes. E acho que isso é algo que está faltando. Tem a ver com os carros, mas também com as pistas.

UOL: E mesmo naquela época em que deixou o esporte, a eletrônica já começava a ter um papel muito importante, especialmente em 92 e 93.
AP:
 Nunca gostei daquele carro [com o qual conquistou o último título, em 93, ano também de sua aposentadoria]. Ele tinha suspensão ativa, muita eletrônica, não dava para ter um feeling. Não era o jeito que eu gostava de acertar o carro e de trabalhar com os engenheiros. Foi bom do ponto de vista de ter algo novo, pois sempre gostei de experimentar coisas diferentes, mas eu não gostava de pilotá-lo.

UOL: Em relação ao nível de pilotagem, gosta do que vê atualmente?
AP:
Tirando o risco, é claro que eu preferiria os carros da minha época. O que eles têm de fantástico hoje é a falta de risco e todo o dinheiro.

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