UOL Esporte Fórmula 1
 
11/03/2010 - 09h03

Estreantes viram pivô de polêmica e geram temor na Fórmula 1

Tatiana Cunha
Da Folhapress
Sakhir (Bahrein)

Na queda de braço com a FIA no ano passado, as equipes venceram. Com o anúncio da criação de uma categoria para concorrer com a F-1, conseguiram que a entidade desistisse de seu plano de criar um teto orçamentário para que times menores, em troca, ganhassem mais liberdades técnicas.

Na prática, porém, um dos principais argumentos das equipes, o de que a diferença entre alguns carros seria gritante, formando quase que outra categoria dentro da F-1, deverá acontecer mesmo assim.

Na próxima madrugada, quando os 12 times inscritos derem início ao primeiro treino para o GP do Bahrein, que abre o Mundial, a distância entre primeiros e últimos deve passar dos quatro segundos.

O motivo é simples. Mesmo com a redução dos testes de pré-temporada (são permitidos apenas 15 mil km por time), os treinos são vitais para que pilotos e engenheiros entendam o comportamento e as eventuais falhas dos modelos.

E, das 12 escuderias, três saíram do papel do fim do ano passado para este: a Lotus, que de veterana só possui o nome, a Virgin, do brasileiro Lucas di Grassi, e a Hispania, do também estreante Bruno Senna.

Lotus e Virgin até testaram, mas bem menos do que os demais: enquanto a Ferrari fez mais de 7.300 km em 15 dias, a Lotus completou 2.852 km. E a Virgin, apenas 1.782 km.

O time de Bruno, porém, nunca foi à pista - ligou pela primeira vez seus motores no circuito em Sakhir nesta quarta. Além dos tempos bastante distantes dos times já estabelecidos, sofreram com a inexperiência e até falta de peças, como a Virgin, que teve de parar seus testes para esperar por novas partes de seu carro.

Tamanha diferença gera preocupação de alguns pilotos, que temem ser atrapalhados por carros mais lentos.

"Há alguns anos, a diferença entre os primeiros e os últimos não era tão pequena como agora", justificou Karun Chandhok, companheiro de Bruno na Hispania, em entrevista à revista inglesa Autosport.

Se você olhar em 1997, por exemplo, o Jacques Villeneuve foi pole na Austrália com cinco ou seis segundos de vantagem’’, disse o piloto indiano.

A polêmica sobre a entrada das novas equipes deverá permanecer por todo o ano. E divide opiniões. A Ferrari já fez até um "editorial" em seu site criticando os times sem recursos -defende que os grandes tenham três carros no grid.

Já Jonathan Neale, da McLaren, saiu em defesa das nanicas. "Respeito o que os pilotos estão dizendo, mas acho que este é um problema para a FIA. Nós temos de apoiar os novatos."

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