UOL Esporte Fórmula 1
 
31/03/2010 - 07h01

Confiabilidade assombra Vettel e Red Bull na busca pelos títulos de 2010

Guga Fakri
Em São Paulo
  • Vettel disse que o motivo de seu abandono em Melbourne foi um problema nos freios. No entanto, na última terça-feira, a fabricante dos freios que equipam os carros da Red Bull publicou uma nota dizendo que a falha nada teve a ver com os freios.

    Vettel disse que o motivo de seu abandono em Melbourne foi um problema nos freios. No entanto, na última terça-feira, a fabricante dos freios que equipam os carros da Red Bull publicou uma nota dizendo que a falha nada teve a ver com os freios.

“Para marcar pontos, é preciso terminar a corrida”. Esta premissa, apesar de óbvia, é fundamental no automobilismo. Mas, para Sebastian Vettel, a frase atualmente é um tormento. O alemão tem o carro mais rápido do momento, conquistou as duas pole positions disputadas até agora, mas perdeu duas vitórias praticamente garantidas por problemas de confiabilidade em sua Red Bull. Como resultado, Vettel está em sétimo na tabela, e sua equipe é a quinta colocada entre construtores. 

No Bahrein, uma perda de potência causada por um problema em uma vela do motor impediu Vettel de vencer. O piloto ainda conseguiu terminar em quarto. No último domingo, na Austrália, um problema na roda esquerda fez o alemão parar na caixa de brita da curva 13 de Albert Park após liderar por 26 voltas. “É como levar um chute nas partes baixas”, disse Vettel, chateado, logo após a corrida de Melbourne. Ele sabe que os pontos perdidos vão fazer falta no futuro.

A preocupação de Vettel pode ser entendida pelo campeonato de 2009, quando a Brawn GP também tinha o carro mais rápido no início do ano e fez a “lição de casa”. Jenson Button venceu seis das sete primeiras corridas e conseguiu o fôlego necessário para buscar seu primeiro título. Da metade da temporada para frente, a Red Bull passou a ser a mais rápida, mas sofreu com problemas de confiabilidade no momento em que teve a chance de virar o jogo.

Depois de duas dobradinhas seguidas da equipe, na Inglaterra e na Alemanha, Vettel tinha assumido a segunda colocação ao diminuir a diferença para Button de 32 para 21 pontos. Mas, nas duas provas seguintes, teve problemas mecânicos e abandonou. Sem pontuar, viu Button se distanciar com dois sétimos lugares . A partir dali, não deu mais tempo para tirar a diferença.

CONFIRA A AGENDA DO GP DA MALÁSIA

Tanto o RB5 (2009) quanto o RB6 (2010) são criações de um dos mais talentosos projetistas da história da F-1: Adrian Newey. Considerado um gênio em sua profissão, Newey foi responsável pelo revolucionário FW14, carro que dominou a temporada de 1992 e deu à Williams e a Nigel Mansell os títulos mundiais daquele ano.

Tecnicamente muito sofisticado, com caixa de câmbio semi-automática, suspensão ativa e controle de tração, o FW14 nasceu, curiosamente, com o mesmo problema encontrado pelo RB6 em 2010: falta de confiabilidade. Em 1991, temporada de sua estreia, o novo carro da Williams quebrou cinco vezes nas cinco primeiras corridas. Três vezes com Mansell e duas com Riccardo Patrese.

Porém, nas 16 corridas disputadas naquela temporada, a equipe ainda conquistou seis poles, sete vitórias e seus pilotos, somados, estiveram presentes no pódio 17 vezes. Mesmo assim, Mansell perdeu o título para Ayrton Senna, que aproveitou a fragilidade da Willians no início do ano para vencer as quatro primeiras corridas e partir para seu terceiro título mundial com a McLaren, mesmo sem ter o melhor carro do grid.

Em 92, quando o FW14 se recuperou e dominou o Mundial, Vettel tinha apenas cinco anos. Talvez por não se lembrar, ou simplesmente por não querer esperar por 2011, o alemão fez um simples pedido para sua equipe após a prova na Austrália. “Estamos fazendo nosso melhor. Não é culpa de ninguém, mas precisamos superar isso para garantir que vamos ver a bandeira quadriculada na Malásia”. Ironicamente, o dono do carro mais rápido do grid quer a mesma coisa que os pilotos das equipes novatas, donas dos carros mais lentos e mais frágeis: terminar as corridas.

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