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Fórmula 1


Lenda da F-1, projetista da Red Bull cria carro mais rápido do ano com lápis e papel

Srdan Suki/EFE
Projeto de Adrian Newey, o RB6 provou ser o carro mais rápido da F-1 em 2010 Imagem: Srdan Suki/EFE

Guga Fakri

Em São Paulo

19/05/2010 07h01

Com a pole position de Mark Webber em Mônaco, a Red Bull chegou a seis poles consecutivas e bateu o feito da McLaren de 1999, última vez em que uma equipe tinha largado na frente cinco vezes seguidas no início de uma temporada. O feito coloca a equipe das bebidas energéticas na terceira colocação nesta estatística. A McLaren de 1998 cravou nove poles seguidas. O recorde absoluto é da Williams de 1993, 15 poles consecutivas.

O NASCIMENTO DE UM TALENTO

Pai de família, Newey divide o trabalho na Red Bull com a responsabilidade de ser o engenheiro de corrida de um de seus quatro filhos, um garoto de 11 anos que sonha em ser piloto, assim como aconteceu com seu pai. Quando tinha a mesma idade que o filho, Newey gastou suas economias para perseguir o sonho de ser piloto.

"Comprei um kart velho. E a combinação dele comigo foi, obviamente, pouco competitiva. Mas curti muito e me ajudou a começar a gostar da engenharia. Não podia comprar novas partes para o carro, então melhorava ele reconstruindo o motor e mexendo nas outras partes", revela Newey.

Em comum nesses carros? A assinatura. Todos são projetos do engenheiro aeronáutico Adrian Newey. E o que a Red Bull quer é que o RB6 continue se igualando a esses carros históricos: Mika Hakkinen foi bicampeão mundial com a McLaren de 1998 e 99 e Alain Prost conquistou seu quarto título mundial com a Williams de 1993.

Com seis títulos no currículo (Nigel Mansell, Alain Prost, Damon Hill, Jacques Villeneuve e dois de Mika Hakkinen), o inglês é considerado um dos maiores projetistas da história da categoria. Por isso, vale cada centavo dos cerca de R$ 22 milhões que recebe por temporada - salário que só seria menor que o do espanhol Fernando Alonso e o do alemão Michael Schumacher.

Curiosamente, apesar da fama e de toda a tecnologia disponível atualmente, o gênio da engenharia ainda trabalha como em 1980, quando começou sua carreira na equipe Fittipaldi, dos irmãos Wilson e Emerson. Em tempos de supercomputadores, Newey ainda desenvolve seus projetos revolucionários com um lápis e um pedaço de papel.

“Ele é meio que um dinossauro, porque é a única pessoa da Red Bull que não sabe usar o computador. Ele trabalha em um pedaço de papel, na única mesa de desenho que temos na fábrica. As pessoas costumam usar a palavra ‘gênio’. Ele está sempre um mês na nossa frente, e cabe ao resto do pessoal da fábrica tentar alcançá-lo”, diz o chefe da Red Bull, Christian Horner, em entrevista ao site da equipe.

Segundo o próprio Adrian Newey, suas ideias aparecem de forma inusitada. “Às vezes acordo no meio da noite e fico pensando em um problema que preciso resolver no carro. Se consigo achar a solução, desenho ou anoto na mesma hora para lembrar ao acordar”, revela o engenheiro.

Os grandes beneficiados pelo projeto de sucesso de Newey são os próprios pilotos Sebastian Vettel e Mark Webber, que lideram o campeonato e tentam colocar seu nome na história com o título de 2010. Segundo Webber, o fato de ter Newey no time gera uma expectativa elevada sobre o carro que terá nas mãos. 

“Todo mundo quer ver o que Adrian está desenhando. Quando ele está criando um carro novo, todos nós ficamos ansiosos e temos uma expectativa muito alta sobre ele. É um cara muito legal e é muito fácil trabalhar com ele”, diz o australiano ao site da Red Bull.

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