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Bertrand Guay/ AFP PHOTO

Nelsinho Piquet relembrou casos e falou sobre suas relações na F-1 após o "Crashgate"

10/12/2010 - 07h00

Nelsinho revela "birra" de Massa e desdenha: "o problema é dele"

Bruno Império e Rafael Krieger
Em São Paulo

Do início promissor na Fórmula 1 ao recomeço na terceira divisão da Nascar, Nelsinho Piquet pode não ter conquistado tantos títulos quando o pai, mas tornou-se um personagem igualmente polêmico. Se o tricampeão ficou marcado pelas histórias engraçadas fora da pista, como as sacanagens com Nigel Mansell, o seu filho ganhou holofotes por causa do escândalo do GP de Cingapura de 2008.

A "BIRRA" DE MASSA

É, o Felipe ficou chateado, achou que perdeu o campeonato por causa de mim, tem as birras dele. Mas ele acha o que quiser. O problema é dele.

A batida proposital naquela corrida foi o jeito mais controverso de se executar um jogo de equipe, pois o próprio piloto confessou em entrevista ao UOL Esporte que já tinha deixado o então companheiro Fernando Alonso ultrapassá-lo em outra ocasião. Sem querer, ele acabou criando uma rixa com o compatriota Felipe Massa, que foi prejudicado por aquele acidente e culpou Nelsinho pela perda do título. “Ele tem as birras dele”, disse o ex-piloto da Renault.

Para Nelsinho, “só os ignorantes” têm preconceito dele pelo que aconteceu. O piloto ressaltou que suas amizades no grid continuam, e revelou admiração por figuras como Alonso, Hamilton e Raikkonen. Pelo menos na Justiça, ele fez com que a equipe francesa se retratasse e ainda pagasse uma indenização por difamação na ocasião do escândalo.

Atribuindo seus erros à falta de maturidade, Nelsinho admitiu também que, se o seu empresário na época não fosse Flavio Briatore, ele deveria estar na Fórmula 1 até hoje. Em vez disso, ele tenta trilhar um novo caminho para o Brasil na Truck Series, campeonato de picapes que é a terceira principal categoria da Nascar.

Veja, em vídeo, histórias de Nelsinho Piquet e, logo abaixo, o melhor da entrevista:

UOL Esporte - Quando você começou a correr, seu objetivo sempre foi chegar na Fórmula 1. Você chegou, saiu, e agora qual que é o ponto mais alto em que você deseja chegar hoje?
Nelsinho - Olha, meu objetivo sempre foi correr. É lógico que eu tinha uma meta, que era chegar na Fórmula 1 e ser o melhor, mas as coisas não deram certo, escolhi ir por outro caminho e tentar ter sucesso na Nascar, do mesmo jeito que eu tive até chegar na Fórmula 1. Agora é tentar fazer um outro caminho, começando pela Truck Series, e ser o primeiro brasileiro a vencer na Nascar. Quero abrir um caminho para os pilotos brasileiros novos, que só pensam em Fórmula 1 e não têm a chance de chegar lá. Por mais que o caminho esteja bem traçado para os pilotos irem para a Fórmula 1, mesmo você tendo dinheiro, às vezes você não está envolvido com as pessoas certas.

UOL Esporte - O Travis Pastrana, estrela dos X-Games, já foi direto para a Nationwide, que é a segunda categoria mais importante da Nascar. Você acha que ele está pulando etapas e correndo risco de fracassar?
Nelsinho - É diferente o caso dele, aquilo lá é mais uma brincadeira para ele, vamos dizer... Não é brincadeira, lógico, ele trabalhava sério, mas é diferente, é outra história comparado comigo. Acho que a Nascar precisa de uma figura igual a ele, porque eles precisam atrair o máximo de público possível. É o caso da Danica [Patrick, piloto de Indy]. Eles estão usando bastante a Danica para atrair um público feminino.

UOL Esporte - Se eles usam o Pastrana e a Danica em um esquema de marketing para popularizar a categoria, porque você acha que eles não usaram o seu nome também?
Nelsinho - O Pastrana é um campeão mundial de X-Games, e a Danica é uma menina. Eu sou só mais um piloto que teve sucesso e está indo para a Nascar tentar chegar no topo. E essas duas figuras realmente são diferentes. Um é um maluco, doente que pula de avião sem paraquedas, e depois é o primeiro a dar mortal de moto. E ela é uma menina que venceu uma corrida na Indy, que vai bem, ela é bonita... Então acho que não dá para comparar comigo.

UOL Esporte - Mas você chegou a conversar com alguém para ir direto à primeira categoria, ou para a segunda?
Nelsinho - Não tinha porque fazer isso. É fazer isso para levar uma chibatada nas costas, na cabeça, e o pessoal vai te expulsar de lá. Não é assim que funciona. Você tem que entrar de cabeça baixa, aprender a fazer as coisas direito. Ninguém sai da Nascar e vai direto para a F-1. Ninguém é louco de fazer isso.

CRASHGATE: VITÓRIA CONTRA A RENAULT


  • Na última terça-feira, a equipe Renault se comprometeu a pagar indenização e custas judiciais para Nelsinho Piquet e seu pai por comentários difamatórios relacionados com o escândalo do GP de Cingapura de 2008.

    Depois de confessar a batida proposital para favorecer o ex-companheiro Fernando Alonso naquela corrida, Nelsinho e seu pai foram acusados pela Renault, que emitiu um comunicado dizendo que os dois mentiram sobre o caso e tentaram chantagear os chefes de equipe. Por causa dessa declaração da Renault, os Piquet moveram uma ação na Justiça britânica e ganharam.

    "Gostaríamos de pedir desculpas sem reservas ao Sr. Piquet Junior e seu pai, pelo estresse e constrangimento causado. Como marco da sinceridade dessas desculpas, aceitamos pagar um valor substancial pelos danos por difamação, assim como os custos judiciais, e nos comprometemos a não repetir tais alegações em nenhum momento no futuro", confirmou o comunicado da equipe.

UOL Esporte - Você comentou que na Fórmula 1 é preciso conhecer as pessoas certas. A máfia é muito grande?
Nelsinho - Não, você está falando de um jeito que parece até que é máfia italiana, mas não é bem assim. Estou falando que faz uma diferença enorme você ter um empresário que já está na Fórmula 1, porque não é só resultado que vai te levar para lá. No meu caso, venci a Fórmula 3, quase venci a GP2, e fui por esse motivo. Lógico, tinha um nome também que ajudou. mesmo que eu fosse um Zé qualquer eu poderia ter chances, porque ganhei quase todas as categorias de acesso à F-1. Mesmo assim, você viu o que aconteceu, infelizmente me envolvi com as pessoas erradas. É tudo uma questão de entrar na hora certa, no momento certo. Nos Estados Unidos também tem um pouco disso, mas a diferença é que você tem que se enturmar na comunidade dos pilotos e mecânicos. Tem que virar amigo, porque no estilo de pilotagem da Nascar, estando tão perto um do outro o tempo inteiro, um empurrando o outro, é muito fácil você a 300 por hora encostar de leve, o carro sair rodando, bater no muro e acabou, entendeu? Então você tem que ter esse relacionamento com eles para não rolar ciúmes.

UOL Esporte - A Nascar tem uma hierarquia forte, então?
Nelsinho - Tem, você tem que respeitar eles. Você está vindo de fora, em um esporte americano, só tem americano na categoria praticamente, e você quer já entrar pagando de bonzão na principal? Não é o jeito mais inteligente de fazer. Eu poderia até fazer e me arriscar, mas não é o jeito mais inteligente.

UOL Esporte - Você acha que o Bruno Senna e o Lucas Di Grassi entraram na hora errada?
Nelsinho - O problema, para mim, é entrar pagando. Se você entra pagando em um ano, todo mundo já espera que você continue pagando. Foi o caso do Bruno e do Lucas. Eles tiveram que achar patrocínio, sei lá como eles fizeram, e entraram pagando uma boa grana. E esse segundo ano deles não está dependendo de resultados. É só dinheiro. E esse é mais um motivo por que eu não quis ficar lá. Eu não entrei assim, e nem quando deram essa opção para mim, falei não, de jeito nenhum.

UOL Esporte - Você entrou na Fórmula 1 através do Flavio Briatore, que era o seu empresário. Você acha que se o seu agente fosse outra pessoa você estaria na Fórmula 1 até hoje?
Nelsinho - Acho que teria uma chance maior, né? Meu empresário na época era ele, e ele era o chefe da equipe ao mesmo tempo, então tinha um conflito de interesses enorme. Tinha dia que ele era o meu empresário, e tinha dia que ele era o chefe da equipe. Então, não era nem um nem outro. E isso acabou atrapalhando bastante, porque eu nunca me senti confortável. Empresário é um cara com quem realmente você pode contar. Não foi isso que eu tive. Foi prometido, mas não foi o que aconteceu.

JOGO DE EQUIPE: A FAVOR

É um código que tem em todas as equipes. Quando seu companheiro de equipe está mais rápido do que você, tem que deixar passar para não estragar a corrida dele. Sei que é difícil para as pessoas entenderem isso, mas às vezes tem que rolar

UOL Esporte - Mas ao mesmo tempo ele não ajudou por tê-lo promovido de piloto de testes ao assento principal?
Nelsinho - É, mas era um deal. Tipo, você pode entrar aqui se você me der 20%. E você pode entrar aqui se eu virar o seu empresário.

UOL Esporte - E você discordou que é uma máfia italiana...
Nelsinho - É, bom, enfim, tem poucos casos, mas existem. Mas eu nunca tive um empresário. Eu meio que fui obrigado a assinar esse termo de empresário lá porque era o jeito dele na Renault. Não foi só por causa disso que eu entrei, lógico, entrei por causa de resultado, mas ele falou: “se quiser entrar aqui, quero ser o empresário dele, vou ajudar ele, tenho relacionamento bom com as pessoas, uma moral boa, tem vários pilotos que eu estou agenciando”. Então acho que teria dado muito certo se eu estivesse em outra equipe, talvez. Apesar de tudo que aconteceu, ele é um cara que tem muita influência, conhece muita gente, e talvez poderia me ajudar sim, mas em outra equipe.

UOL Esporte - Como era a convivência entre você, o Briatore e o Fernando Alonso dentro da Renault?
Nelsinho - Entre eu e o Alonso era normal, nenhum problema, a gente era amigo... Lógico, ele é um piloto muito esperto, nunca vai abrir a porta para mim, mas sempre que eu precisava, ele conversou, nunca foi arrogante. O Briatore já tem um caráter diferente, é um cara mais difícil de lidar, um cara que adora gritar, mas enfim, eu fazia o meu trabalho lá, e não me envolvia muito não.

UOL Esporte - E você nunca culpou o Alonso nessa história toda...
Nelsinho - Acho que não foi culpa dele, quer dizer, se foi, se ele pediu, não sei de nada. Mas eu acho muito difícil, acho que a equipe quis dar resultado para tentar manter ele na equipe por mais um ano, porque ele queria sair de lá, o carro tava ruim. E o Alonso você sabe com é que é, se não tiver com um carro bom, competitivo, ele quer sair fora e quer ir para onde está o melhor equipamento. Mas acho que ele nunca teve envolvimento.

UOL Esporte - E como ficou a sua relação na Fórmula 1 depois do episódio? Você não correu mais no Desafio das Estrelas... Abalou a sua relação com o Felipe Massa?
Nelsinho - É, o Felipe ficou chateado, achou que perdeu o campeonato por causa de mim, tem as birras dele. Mas ele acha o que quiser, ele pode ficar puto, tem todo o direito, mas não é por causa de uma corrida que ele perdeu o campeonato. Aconteceu aquilo que aconteceu com ele nos boxes, que não teve nada a ver comigo, podia ter acontecido em qualquer corrida a qualquer hora, mas enfim, ele tem os motivos dele, não acho ruim, o problema é dele.

UOL Esporte - No meio, ficou um preconceito com você?
Nelsinho -
Não, só as pessoas ignorantes, eu acho. Porque as pessoas têm que entender que eu cheguei no topo da minha carreira com 22 anos. Já tiveram outros esportistas que fizeram besteira, por falta de amadurecimento, falta de um treino psicológico. Você chega tão rápido no auge da sua carreira e às vezes é pego de surpresa, e acaba cometendo um erro. Foi isso que aconteceu comigo. Acho que todo mundo merece uma segunda chance, e estou aqui querendo tentando traçar esse caminho novo na Nascar para tentar levar o Brasil para o topo de novo.

FÓRMULA INDY? NÃO, OBRIGADO


  • UOL Esporte - Já que você está nos Estados Unidos, pensa em tentar a sorte também na Fórmula Indy?
    Nelsinho -
    Não, porque a Indy já tem vários brasileiros, não seria uma novidade eu estar na Indy. É uma categoria em que você tem que levar dinheiro para correr, como se estivesse alugando um carro, e não estou a fim de fazer isso. Quero realmente ir para uma categoria bem competitiva, e não só receber dinheiro para correr. E eu queria realmente um desafio maior. E, para mim, a Nascar é um desafio muito maior do que a Indy.

    UOL Esporte - Na Nascar, então, você depende só do seu talento?
    Nelsinho -
    Vai depender do meu talento, da minha força de vontade, de eu me enturmar com o pessoal, da dedicação de tempo, provar para as pessoas que eu realmente to querendo fazer aquilo, que vou levar a serio, para não acharem que sou só mais um piloto de Fórmula 1 tentando ganhar dinheiro. Porque a Nascar é a categoria onde mais se ganha dinheiro, ate mais do que a Fórmula 1. Você trabalha mais, mas você recebe mais. Mas não é só esse o motivo. É muito mais difícil ser campeão da Nascar que na Indy.

UOL Esporte - Se você tivesse uma nova chance na Fórmula 1 você pegava? Se alguém ligasse...
Nelsinho - Não sei, eu sou realista. Isso não existe, é a mesma coisa alguém te perguntar: “você faria um filme com o Tom Cruise, sei lá onde, no Brasil”... São coisas que não acontecem. Não vou ficar tentando, batendo na porta, tendo que procurar patrocínio, cinco, 10, 15 milhões para andar numa equipe. Se deu errado, tudo bem, vamos para a próxima, tem milhões de outras coisas que eu posso fazer. Sou um piloto, eu piloto qualquer coisa. Não é só Fórmula 1, não é só o glamour.

UOL Esporte - Quais eram as suas influências no passado que te motivaram a entrar no automobilismo? Seu pai deve ter sido uma delas...
Nelsinho - Olha, meu pai nunca deu vida boa para a gente... Assim, desculpa, a gente sempre teve uma vida maravilhosa, mas ele nunca disse “faz o que você quiser, ta aqui o dinheiro, corre”. Nunca foi assim, a gente sempre teve que provar para o meu pai que a gente gostava de corrida, era dedicado e amava de paixão o que a gente tava fazendo. Então, nesse aspecto, ele sempre foi muito duro, muito claro.

UOL Esporte - Você se lembra de ver o seu pai correndo?
Nelsinho - Não, não lembro, infelizmente. Primeiro, tenho a memória péssima. Provavelmente, eu até tenho problema de memória, eu acho, porque eu mal me lembro da minha primeira corrida, são poucas lembranças que eu tenho do kart, e até da própria Fórmula 3.

UOL Esporte - Você tinha amigos no grid? Com quem você se dava melhor?
Nelsinho - Tinha, sou amigo até hoje do [Sebastien] Buemi, o Rubinho... Os pilotos da GP2 todos eram amigos meus. Quando você chega na Fórmula 1, se você não entra lá já amigo, e difícil fazer amizade lá dentro, porque cada um fica na sua equipe. O Rubinho não, porque na época da GP2 eu já conversava com ele, ele já me dava algumas dicas, e chegou lá a gente continuou sendo amigo.  Mas o Massa eu não conhecia ele, só fui conhecer realmente quando entrei na Fórmula 1.

UOL Esporte - E a relação com o Lewis Hamilton, que ganhou o título quando você foi vice-campeão da GP2?
Nelsinho - Nunca tive nada contra, mas ele sempre foi um cara mais fechado, não sei, mais estranho assim. É outra cultura. Sempre me dei muito melhor com os brasileiros, como todos os outros brasileiros se dão melhor com os próprios brasileiros. Então, os meus amigos mesmo eram os brasileiros da GP2, com quem eu andava junto.

UOL Esporte - E o Kimi Raikkonen, existe relação com ele?
Nelsinho - É um cara bem diferente. Sou muito amigo do empresário dele. E às vezes o cara fala: “não estou acreditando, ele é uma porta, sempre igual, não tem expressão”. Mas ele é engraçado, gosta de sair, gosta de aprontar, adora aprontar.

DINHEIRO ESTÁ NA NASCAR

A Nascar é a categoria onde mais se ganha dinheiro, ate mais do que a Fórmula 1. Você trabalha mais, mas você recebe mais.

UOL Esporte - A Fórmula 1 sente falta de um playboy assim para chamar mais atenção?
Nelsinho - Olha, virou um esporte muito... até deixou um pouco de ser esporte para ser mais um negócio. Para os patrocinadores, às vezes, é até melhor ter um robozinho que faça seu trabalho e vá para casa, não apareça em nenhuma foto bebendo, qualquer coisa do tipo. Hoje em dia eles preferem isso. Lógico que, para o esporte, para o público, seria bom ter um cara igual o Raikkonen, um cara bem diferente. Todo mundo sabe que ele adorava beber e ele não estava nem aí.

UOL Esporte - Como é ver a Fórmula 1 de fora agora? Como você analisa o último campeonato?
Nelsinho - Achei muito bom, sempre acompanho e sempre vou acompanhar, adoro o campeonato, adoro a Fórmula 1. Foi muito disputado, eu fiquei agoniado na ultima corrida, tenso, não acreditava no que estava acontecendo, mas até hoje acompanho e acho super legal, mando mensagem para o pessoal lá de vez em quando...

UOL Esporte - Você estava torcendo para o Alonso na última corrida?
Nelsinho - Estava torcendo para o [Mark] Webber. Acho que ele é um cara mais velho, que realmente batalhou muito nesse ano, talvez não fosse o mais rápido, mas foi um pouco mais inteligente do que o [Sebastian] Vettel, e acho que ele merecia. Não sei se ele vai ter outra oportunidade de ser campeão. A Red Bull já era a favor do Vettel, agora com esse campeonato, mais ainda. Enfim, queria que ele ganhasse pelo menos um campeonato antes de se aposentar.

E A MULHERADA?


Tem muito piloto que tira onda, que gosta de ser piloto por esse motivo, né? Mas tem que aproveitar as horas que você pode. Tive meus momentos, lógico, mas agora eu estou quieto. Mas tem vários pilotos que estão ao gastando dinheiro do pai, tentando estar em uma categoria top, Indy, Stock Car ou qualquer coisa para tentar se aproveitar um pouco disso.

UOL Esporte - O que você faria no lugar de Felipe Massa no último GP da Alemanha?
Nelsinho - Eu tive isso na Renault. Teve corrida em Silverstone que acho que o Alonso errou no começo, ou eu passei ele no começo da corrida, não sei, e ele realmente estava mais rápido que eu, e tive que deixar passar. Mas esse é um código que tem em todas as equipes. Quando seu companheiro de equipe está mais rápido do que você, tem que deixar passar para não estragar a corrida dele. Sei que é difícil para as pessoas entenderem isso, mas às vezes tem que rolar jogo de equipe para ajudar a equipe inteira. Às vezes é melhor ganhar com um carro só do que não ganhar com nenhum. A equipe ganha mais dinheiro, você tem um orçamento melhor para o outro ano, pode desenvolver mais o carro.

UOL Esporte - Você já viu e já participou de outros jogos de equipe e é mais comum do que a gente imagina vendo de fora?
Nelsinho - Com certeza. E assim, no meu caso, era o meu primeiro ano... Quem era eu para falar alguma coisa, entendeu? O cara manda eu abrir a porta, tudo bem, não vou ficar discutindo com o cara que está me dando emprego. No caso do Massa, ele está na Fórmula 1 há oito anos, mas não sei... Ele estava se recuperando de um acidente, tava realmente bem atrás do Alonso no campeonato... Se ele tivesse realmente na disputa, perto nos pontos, tendo a chance de terminar na frente dele no campeonato, aí tudo bem, não concordo. Mas ele percebeu que o Alonso estava num outro ritmo.

UOL Esporte - É difícil ser companheiro do Alonso?
Nelsinho - Não é só o Alonso. É difícil ser um novato na Fórmula 1. Hoje em dia, não tem muito treino, o carro é muito difícil de pilotar, e muito rápido, tem muita coisa acontecendo no volante, tem que pensar na estratégia, então é difícil. Você tem que ter uma preparação muito boa para chegar lá tranquilo e sem pressão, o que foi o caso do Hamilton. Ele entrou lá seguro, porque o Ron Dennis estava apoiando ele desde pequeno, então é a mesma coisa se eu corresse na equipe do meu pai. Eu ia me sentir um pouco mais seguro, protegido, um pouco mais tranquilo. Então, hoje em dia, os pilotos mais experientes como o Rubinho estão tendo uma vantagem, pela falta de treino, pelo carro ser tão difícil de pilotar, ter tanta coisa nova todo ano.

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