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Fórmula 1

Lauda otimista quanto à paz entre Hamilton e Rosberg. Mas poucos acreditam

Livio Oricchio

Do UOL, em Nice (França)

03/06/2014 14h11

Por mais que Lewis Hamilton tenha afirmado sexta-feira ter restabelecido a normalidade nas relações com Nico Rosberg, o companheiro na Mercedes, o ocorrido na classificação do GP de Mônaco não deverá ser esquecido tão rápido pelo inglês. O público e a imprensa vão provavelmente estar mais interessados na reação dos dois pilotos no próximo fim de semana, no GP do Canadá, do que no desenvolvimento dos treinos e da corrida.

Niki Lauda, ex-piloto três vezes campeão do mundo, diretor e sócio da equipe Mercedes, acredita, no entanto, que Hamilton não levará para o Circuito Gilles Villeneuve todo inconformismo por se sentir prejudicado pela "ação deliberada" de Rosberg na definição do grid em Mônaco. Em entrevista ao diário vienense Osterreich, Lauda disse: "Lewis aceita, agora, que Nico venceu o GP de Mônaco e ele foi segundo".

Falou mais: "Em Montreal, nos reuniremos de novo, vamos discutir tudo calmamente. A luta pelo título entre ambos segue, com os dois dispondo do mesmo carro". Lauda reconhece que a disputa será intensa. "Tendo dois alfas sentados no mesmo carro é, claro, complicado." E terminou dizendo: "Pelo menos isso torna as corridas interessantes, dada a superioridade do nosso time". A projeção de Lauda, de não prever novos conflitos, pode estar sendo otimista demais.

Na última parte da sessão de classificação na prova do Principado, o chamado Q3, Rosberg seguiu reto na área de escape da curva Mirabeau, provocando a bandeira amarela no local. Dessa forma, os pilotos que vinham atrás, dentre eles Hamilton, não puderam melhorar seus tempos. Rosberg garantiu a pole position, posição quase decisiva para poder vencer em Mônaco, como veio a ocorrer. Hamilton largou em segundo e recebeu a bandeirada em segundo.

Mas para ele não há dúvida: "Se vocês pudessem ver a telemetria..." afirmou o inglês, acusando o companheiro de ter agido de propósito. Em Mônaco, Hamilton sequer olhou para Rosberg depois do sábado e suas declarações foram duras. A vitória deu a Rosberg a liderança do campeonato, com 122 pontos. Hamilton caiu para segundo, 118.

Cinco dias depois da corrida, sexta-feira, Hamilton escreveu no seu Twitter, para a surpresa de muitos: "Nós temos sido amigos por um longo tempo e, como amigos, nós temos nossos altos e baixos. Hoje nós conversamos e estamos bem, continuamos amigos. Sem problema". Por mais que a direção da Mercedes tenha informado que seu piloto agiu por conta própria, o mais provável é que Hamilton atendeu a orientação da assessoria de imprensa da escuderia e até o conselho de Lauda.

Ninguém na F1 acredita que a rivalidade deflagrada no GP de Mônaco não vá se estender para o restante da temporada. Ambos desejam conquistar o título. E Hamilton tem, com certeza, o resultado no Circuito de Monte Carlo atravessado na garganta. "Pilotei com o meu coração, dei tudo o que podia, de maneira honesta, e sei que pilotei com honestidade durante todo o fim de semana". E finalizou: "Vou para a próxima etapa ainda mais forte".

Os 4.361 metros do traçado canadense pouco têm a ver com os 3.340 metros de Mônaco. Na pista canadense há uma longa reta precedida de uma curva de baixíssima velocidade, o Hairpin, e uma freada forte no final, ou seja, condição ideal para ultrapassar um adversário, em especial com o uso do DRS, o flap móvel. Assim, a luta entre Hamilton e Rosberg na definição do grid deverá ser intensa, mas provavelmente não beligerante. Agora, ao longo das 70 voltas da corrida o cenário poderá ser distinto.

Hamilton tem empatia profunda com o Circuito Gilles Villeneuve. Na sua temporada de estreia na F1, em 2007, pela McLaren-Mercedes, o jovem inglês estabeleceu lá a primeira pole position e obteve a primeira vitória na carreira. Tinha 22 anos de idade e aquela era a sua sexta prova de F1. Hamilton ganhou em Montreal também em 2010 e 2012. E obteve mais duas poles, em 2008 e 2010. Sempre com McLaren-Mercedes.

Rosberg tem um carro capaz de lhe permitir lutar por poles e vitórias desde o ano passado, apenas. Disputou quatro campeonatos na então decadente Williams, de 2006 a 2009, e está na Mercedes desde sua volta à F1, em 2010. O alemão marcou pontos apenas duas vezes no GP do Canadá: no ano passado foi quinto e em 2012, sexto. O primeiro treino livre da sétima etapa do calendário, sexta-feira, começa às 11 horas, horário de Brasília, 10 horas em Montreal.
 

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