Fórmula 1

Chefões batem cabeça e 'revolução' na F-1 prometida para 2017 fica ameaçada

AP Photo/Moises Castillo
Imagem: AP Photo/Moises Castillo

Julianne Cerasoli

Do UOL, em São Paulo

18/01/2016 06h00

Os planos de tornar os carros de Fórmula 1 5s por volta mais rápidos em 2017 estão ficando cada vez mais longe de se tornarem realidade depois que a fornecedora de pneus, a Pirelli, deixou claro que teria dificuldades em lidar com o aumento abrupto nas velocidades de contorno de curvas. As equipes também têm divergido em relação ao tipo de regulamento a ser adotado, pois existe a preocupação de que as alterações dificultem ainda mais as ultrapassagens.

A ideia original era tornar os carros mais rápidos, largos e com visual mais agressivo. Porém, os primeiros projetos foram calcados no aumento da pressão aerodinâmica, dificultando que um carro siga o outro de perto e, consequentemente, as ultrapassagens. As menores médias de manobras da história da categoria foram registradas, justamente, quando os carros estavam mais rápidos, em 2004 e 2005.

Além disso, a Pirelli informou as equipes que seus pneus, que aumentariam de tamanho segundo o regulamento de 2017, não dariam conta da pressão aerodinâmica esperada, a não ser que usassem pressões bem mais altas (cerca de 50%) que as atuais. Assim, os carros teriam menos aderência, o que afetaria a meta de torná-los mais rápidos.

Em meio a tantas indefinições, o diretor técnico da Williams, Pat Symonds, chegou a pedir que as mudanças sejam feitas apenas em 2018. "Acho que ainda temos muito trabalho pela frente. Sinto que estamos sendo apressados, pressionados. Pessoalmente, acredito que estamos indo um pouco rápido demais sem estabelecer os princípios básicos sobre os quais vamos trabalhar. Então ficaria muito mais feliz se as mudanças só acontecessem em 2018 e que ficássemos estudando o que mudar neste ano."

Outro campo de batalha são os motores: tanto a Federação Internacional de Automobilismo, quanto os detentores dos direitos comerciais da categoria, têm pressionado as montadoras para que diminuam os custos e criem fórmulas de garantir que os motores dos clientes estejam nos mesmos níveis dos times de fábrica, que têm dominado a F-1 desde a introdução do atual regulamento, em 2014, que fez com que os motores se tornassem o grande diferencial de performance.

O presidente da FIA, Jean Todt, e o promotor, Bernie Ecclestone, garantiram recentemente poderes políticos para alterar o regulamento sem o aval das equipes. Eles querem abrir a oportunidade da F-1 adotar motores alternativos, sob um regulamento próprio, para incentivar fabricantes que não estão relacionados às montadoras a retornar à categoria.

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A ridícula ciranda dos técnicos

Cerca de duas semanas atrás, o técnico Zé Ricardo foi demitido pelo Flamengo. Outro dia foi a vez de Milton Mendes ser afastado do Vasco. E o curioso é que agora o Vasco tem, em Zé Ricardo, que não mais servia para o Flamengo, a grande solução para ser o novo técnico cruzmaltino. Numa análise mais ampla foram nada menos que 16 os técnicos demitidos nas primeiras 21 rodadas deste campeonato brasileiro. O que, por sinal, lembra o que aconteceu nos últimos dois anos. E, se formos ver o que aconteceu desde o início do ano, constataremos que apenas 6 clubes mantiveram até hoje o técnico com que começaram a temporada. A título de curiosidade, são eles Fábio Carille (Corinthians), Mano Menezes (Cruzeiro), Jair Ventura (Botafogo), Renato Gaucho (Gremio), Abel Braga (Fluminense) e Claudinei Oliveira (Avaí). Esta ridícula ciranda tem, em minha opinião, uma explicação clara : a incompetência dos dirigentes. Pois são eles que escolhem o técnico e, ao faze-lo, devem (ao menos se supõe) analisar sua forma de trabalho, ver o que fizeram no passado e julgar se ele vai se adaptar ao que o clube pretende. Assim, por exemplo, contratar um técnico reconhecidamente retranqueiro para fazer o time jogar bonito e ofensivamente, constitui um absurdo total. Feita a escolha, o cartola deveria assumir a decisão e não encontrar na despedida do técnico o comodo álibi para seu erro. Erro que, para dirigentes merecedores deste rótulo, deveria ser, no mínimo, acompanhado por um pedido de demissão irrevogável de seu cargo. Infelizmente é muito mais fácil jogar a culpa num subordinado do que admitir o erro e pagar por ele. Como direta conseqüência, os técnicos acabam recebendo salários incompatíveis com a situação financeira de nosso futebol, já que se trata de uma função de alto risco. E, não raro, são promotores de contratações que podem não serem úteis no futuro, quando um novo técnico quiser implantar uma diferente filosofia de jogo. Em resumo, o grande prejudicado acaba sendo sempre o clube, onerado por dívidas que cartola algum cria nas empresas que porventura lhe pertençam. Mas aí estaríamos entrando noutro assunto, o da responsabilidade fiscal dos dirigentes, que fica para outra cronica…

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