Fórmula 1

Desacreditada, Red Bull aposta na ousadia e quer surpreender em 2016

Mark Thompson/Getty Images
Imagem: Mark Thompson/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

18/02/2016 10h14

O discurso é claro: os rivais têm motivos para acreditar que a Red Bull não estará tão forte em 2016 quanto em temporadas passadas, mas a ideia é surpreender. Depois de viver a pior temporada desde 2008, o time tetracampeão entre 2010 e 2013 aposta na ousadia para se reerguer.

Isso, mesmo reconhecendo sua principal deficiência, o motor. A manutenção da parceria com a Renault - agora como simples cliente, sem regalias de time de fábrica, uma vez que os franceses retomaram o controle da Lotus - gera dúvidas em relação ao nível de competitividade da Red Bull em 2016. Tanto, que o chefe Christian Horner admite que até a equipe-satélite Toro Rosso, que trocou os Renault pelos Ferrari para este ano, pode se tornar um rival duro de ser batido.

“Esperamos surpreender neste ano”, disse Horner. “Sabemos que a primeira parte do ano é diferente. Por exemplo, a Toro Rosso vai ganhar - 0s8 por volta só por colocar um motor novo - e isso é um ganho significativo. Queremos ter ganhos semelhantes ao longo do ano mas, obviamente, o chassi terá de compensar isso.”

Sabendo das dificuldades, o chefe revelou que a estratégia da equipe tem sido assumir riscos. Inclusive, deixando os testes de impacto para menos de uma semana do início da pré-temporada, que começa dia 22 de fevereiro.

“O moral da equipe está forte mesmo com as últimas decisões em termos de motor e todos estão trabalhando para fazer um carro competitivo. Não passamos por nenhum teste de impacto até a última segunda-feira e o último foi realizado uma hora antes [do lançamento da pintura]. Assumimos riscos com que outras equipes sequer sonhariam.”

Quanto à Renault, Horner elogiou a postura dos parceiros, mas deixou claro que, se o motor não evoluir, a paciência tem prazo para acabar.

“Tivemos discussões construtivas com a Renault nos últimos meses. Eles estão usando Mario Illien [indicado pela Red Bull], mudaram sua infraestrutura e agora têm pessoas de qualidade, como Bob Bell. Acho que a mudança vai começar aí. Mas vai demorar. Vamos manter a mente aberta, certamente durante a primeira metade do ano.”

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A ridícula ciranda dos técnicos

Cerca de duas semanas atrás, o técnico Zé Ricardo foi demitido pelo Flamengo. Outro dia foi a vez de Milton Mendes ser afastado do Vasco. E o curioso é que agora o Vasco tem, em Zé Ricardo, que não mais servia para o Flamengo, a grande solução para ser o novo técnico cruzmaltino. Numa análise mais ampla foram nada menos que 16 os técnicos demitidos nas primeiras 21 rodadas deste campeonato brasileiro. O que, por sinal, lembra o que aconteceu nos últimos dois anos. E, se formos ver o que aconteceu desde o início do ano, constataremos que apenas 6 clubes mantiveram até hoje o técnico com que começaram a temporada. A título de curiosidade, são eles Fábio Carille (Corinthians), Mano Menezes (Cruzeiro), Jair Ventura (Botafogo), Renato Gaucho (Gremio), Abel Braga (Fluminense) e Claudinei Oliveira (Avaí). Esta ridícula ciranda tem, em minha opinião, uma explicação clara : a incompetência dos dirigentes. Pois são eles que escolhem o técnico e, ao faze-lo, devem (ao menos se supõe) analisar sua forma de trabalho, ver o que fizeram no passado e julgar se ele vai se adaptar ao que o clube pretende. Assim, por exemplo, contratar um técnico reconhecidamente retranqueiro para fazer o time jogar bonito e ofensivamente, constitui um absurdo total. Feita a escolha, o cartola deveria assumir a decisão e não encontrar na despedida do técnico o comodo álibi para seu erro. Erro que, para dirigentes merecedores deste rótulo, deveria ser, no mínimo, acompanhado por um pedido de demissão irrevogável de seu cargo. Infelizmente é muito mais fácil jogar a culpa num subordinado do que admitir o erro e pagar por ele. Como direta conseqüência, os técnicos acabam recebendo salários incompatíveis com a situação financeira de nosso futebol, já que se trata de uma função de alto risco. E, não raro, são promotores de contratações que podem não serem úteis no futuro, quando um novo técnico quiser implantar uma diferente filosofia de jogo. Em resumo, o grande prejudicado acaba sendo sempre o clube, onerado por dívidas que cartola algum cria nas empresas que porventura lhe pertençam. Mas aí estaríamos entrando noutro assunto, o da responsabilidade fiscal dos dirigentes, que fica para outra cronica…

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