Fórmula 1

Campeões se unem em críticas contra a F-1: complicada e sem liderança

Mark Thompson/Getty Images
Imagem: Mark Thompson/Getty Images

Julianne Cerasoli

Do UOL, em São Paulo

07/03/2016 06h00

Os testes da pré-temporada da Fórmula 1 costumam ser marcados pelo otimismo pelo início de mais um campeonato, mas em 2016 a história tem sido diferente: descontentes com os rumos da categorias, os pilotos promoveram uma enxurrada de críticas e cobraram mudanças dos dirigentes.

“Estou triste”, afirmou Fernando Alonso ao comentar sobre a nova classificação, adotada sem que os pilotos fossem consultados. “Triste pelo esporte porque a imagem que passamos não está correta quando, em uma semana, mudamos o formato de classificação três vezes. Ou fingimos que mudamos. Ninguém oficializa nada”, reclamou o espanhol, que defende que a categoria seja mais simples.

“Há mudanças demais. A complexidade das regras para o espectador também é muito alta. Quando você é quarto em uma corrida e com três voltas para o fim precisa parar porque tem de colocar outro composto de pneu… são coisas assim que fazem pessoas normais desligarem a TV.”

O tetracampeão Sebastian Vettel concorda. “Acho um pouco caótico você reinventar certas regras algumas semanas antes do campeonato começar; Não gosto do novo sistema e acredito, falando em nome dos pilotos, que não havia nada errado com o modelo anterior. É importante que o esporte continue sendo um esporte. Posso ver a emoção das pessoas pelo imponderável, mas acho importante o esporte permanecer como esporte para que no fim, o piloto mais rápido leve a melhor."

O alemão finalizou dizendo que “falta liderança” para a categoria.

“MotoGP é melhor”
Nem mesmo o campeão das duas últimas temporadas, Lewis Hamilton, está contente com a categoria. Quando perguntado se a Fórmula 1 estava “doente e sem direção”, o inglês disse que concordava, mas não queria elaborar sobre o assunto. O piloto, contudo, disse que acha a “MotoGP muito mais emocionante de ver, simplesmente porque as disputas são mais próximas.”

Outro que está descontente com o atual estado da categoria é Jenson Button, piloto com maior número de corridas no grid e que está indo para sua 17ª temporada na categoria.

“A Fórmula 1 precisa ser barulhenta e loucamente rápida. Precisa ser quase intocável, inatingível para as pessoas. E não é no momento. Os pilotos da GP2 estão andando dois ou três segundos mais lentos que nós. O degrau precisa ser mais alto”, defendeu o campeão de 2009, que vê uma luz no fim do túnel com as mudanças que estão sendo propostas para 2017.

“Tomara que ano que vem as novas regras devolvam um pouco disso, mas acho que precisamos de mais barulho. Se tivermos mais aderência mecânica, as corridas serão ótimas e os carros vão ser muito mais rápidos nas curvas, o que é bom porque, nesse caso, a preparação física dos pilotos será importante e o piloto poderá ser um fator limitante nas curvas, o que é exatamente do que o esporte precisa.”

A temporada de 2016 começa com o GP da Austrália, dia 20 de março, em Melbourne.

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A ridícula ciranda dos técnicos

Cerca de duas semanas atrás, o técnico Zé Ricardo foi demitido pelo Flamengo. Outro dia foi a vez de Milton Mendes ser afastado do Vasco. E o curioso é que agora o Vasco tem, em Zé Ricardo, que não mais servia para o Flamengo, a grande solução para ser o novo técnico cruzmaltino. Numa análise mais ampla foram nada menos que 16 os técnicos demitidos nas primeiras 21 rodadas deste campeonato brasileiro. O que, por sinal, lembra o que aconteceu nos últimos dois anos. E, se formos ver o que aconteceu desde o início do ano, constataremos que apenas 6 clubes mantiveram até hoje o técnico com que começaram a temporada. A título de curiosidade, são eles Fábio Carille (Corinthians), Mano Menezes (Cruzeiro), Jair Ventura (Botafogo), Renato Gaucho (Gremio), Abel Braga (Fluminense) e Claudinei Oliveira (Avaí). Esta ridícula ciranda tem, em minha opinião, uma explicação clara : a incompetência dos dirigentes. Pois são eles que escolhem o técnico e, ao faze-lo, devem (ao menos se supõe) analisar sua forma de trabalho, ver o que fizeram no passado e julgar se ele vai se adaptar ao que o clube pretende. Assim, por exemplo, contratar um técnico reconhecidamente retranqueiro para fazer o time jogar bonito e ofensivamente, constitui um absurdo total. Feita a escolha, o cartola deveria assumir a decisão e não encontrar na despedida do técnico o comodo álibi para seu erro. Erro que, para dirigentes merecedores deste rótulo, deveria ser, no mínimo, acompanhado por um pedido de demissão irrevogável de seu cargo. Infelizmente é muito mais fácil jogar a culpa num subordinado do que admitir o erro e pagar por ele. Como direta conseqüência, os técnicos acabam recebendo salários incompatíveis com a situação financeira de nosso futebol, já que se trata de uma função de alto risco. E, não raro, são promotores de contratações que podem não serem úteis no futuro, quando um novo técnico quiser implantar uma diferente filosofia de jogo. Em resumo, o grande prejudicado acaba sendo sempre o clube, onerado por dívidas que cartola algum cria nas empresas que porventura lhe pertençam. Mas aí estaríamos entrando noutro assunto, o da responsabilidade fiscal dos dirigentes, que fica para outra cronica…

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