Fórmula 1

Apostando em regras para derrubar a Mercedes, F-1 começa semana que vem

DIEGO AZUBEL/EFE
Imagem: DIEGO AZUBEL/EFE

Julianne Cerasoli

Do UOL, em São Paulo

13/03/2016 06h00

Um novo sistema de classificação, maior liberdade na escolha dos compostos de pneu e restrições mais fortes ao uso do rádio. A temporada da Fórmula 1 começa no próximo final de semana com um pacote de mudanças que busca movimentar mais as corridas - e impedir mais um ano de domínio da Mercedes.

Ainda que o regulamento técnico tenha permanecido praticamente estável, com exceção da adoção de mais saídas de escapamento a fim de aumentar o barulho dos motores, as demais regras prometem mudar a rotina de pilotos e equipes durante os finais de semana de GP. Entenda as três principais mudanças para 2016:

Nova classificação:
Após 10 anos, o sistema de classificação passará por alterações. O formato de três ‘mini-classificações’, definindo as posições ao longo de 1h de treino continua, mas terá alterações:

- Q1: são 16 minutos de duração. A partir do sétimo minuto, o piloto mais lento é eliminado a cada 90 segundos. Assim, 15 pilotos seguem para o Q2.
- Q2: são 15 minutos de duração. A partir do sexto minuto, o piloto mais lento é eliminado a cada 90 segundos. Assim, 8 pilotos seguem para o Q3.
- Q3: são 14 minutos de sessão. A partir do quinto minuto, o piloto mais lento é eliminado a cada 90 segundos. Assim, apenas dois pilotos estarão na briga pela pole nos 90s finais.

O chefe da McLaren, Eric Boullier, acredita que a novidade vai provocar resultados inusitados. “A ideia é misturar o grid e as equipes vão ter que lidar com esse novo sistema e dar um jeito. Vai criar mais estresse, pressionar pilotos e times. Nenhum erro será perdoado”.

Livre escolha de compostos:
Até o ano passado, a Pirelli determinava os dois tipos de compostos que todas as equipes usariam durante o GP. A partir de 2016, as equipes poderão escolher qual o composto de 10 dos 13 jogos disponíveis para pista seca entre três opções dadas pela empresa italiana, dependendo do tipo de pista.
As opções das equipes serão divulgadas pela Pirelli apenas duas semanas antes de cada corrida.

Apenas três jogos de pneus serão iguais para todos: um que deverá ser usado por todos os que forem à última fase de classificação e outro na corrida. O terceiro jogo de pneus comum será disponibilizado pela Pirelli para ser usado na corrida, mas não há obrigatoriedade de usá-lo.

Apesar da expectativa da Pirelli apontar que as equipes acabarão escolhendo os mesmos compostos a partir da segunda metade da temporada, quando se acostumarem com a regra, o chefe de performance da Williams, Rob Smedley, reconheceu que a equipe espera “que isso faça muita diferença.”

Menos comunicação via rádio:
A temporada será marcada ainda pela maior restrição na comunicação entre piloto e engenheiro via rádio. As equipes não poderão mais dar informações sobre o desgaste de pneu, consumo de combustível e regulagens de motor, por exemplo. As únicas informações que podem ser dadas são em relação a situações de emergência.

Para o chefe da Mercedes, Toto Wolff, isso significa que os engenheiros terão menos controle das corridas e que veremos mais erros. “Estratégia, mapeamento de motor, escolhas de pneus e até os pit stops serão decididos pelo piloto. As coisas estarão menos otimizadas pelos algorítmos e isso aumentará a chance de erros. O que eu gosto é que o piloto vai tomar as decisões, e não será controlado pelo box”, opinou.

O campeonato, que deve ser o mais longo da história, com 21 etapas, começa com o GP da Austrália, no próximo domingo, 20 de março.

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A ridícula ciranda dos técnicos

Cerca de duas semanas atrás, o técnico Zé Ricardo foi demitido pelo Flamengo. Outro dia foi a vez de Milton Mendes ser afastado do Vasco. E o curioso é que agora o Vasco tem, em Zé Ricardo, que não mais servia para o Flamengo, a grande solução para ser o novo técnico cruzmaltino. Numa análise mais ampla foram nada menos que 16 os técnicos demitidos nas primeiras 21 rodadas deste campeonato brasileiro. O que, por sinal, lembra o que aconteceu nos últimos dois anos. E, se formos ver o que aconteceu desde o início do ano, constataremos que apenas 6 clubes mantiveram até hoje o técnico com que começaram a temporada. A título de curiosidade, são eles Fábio Carille (Corinthians), Mano Menezes (Cruzeiro), Jair Ventura (Botafogo), Renato Gaucho (Gremio), Abel Braga (Fluminense) e Claudinei Oliveira (Avaí). Esta ridícula ciranda tem, em minha opinião, uma explicação clara : a incompetência dos dirigentes. Pois são eles que escolhem o técnico e, ao faze-lo, devem (ao menos se supõe) analisar sua forma de trabalho, ver o que fizeram no passado e julgar se ele vai se adaptar ao que o clube pretende. Assim, por exemplo, contratar um técnico reconhecidamente retranqueiro para fazer o time jogar bonito e ofensivamente, constitui um absurdo total. Feita a escolha, o cartola deveria assumir a decisão e não encontrar na despedida do técnico o comodo álibi para seu erro. Erro que, para dirigentes merecedores deste rótulo, deveria ser, no mínimo, acompanhado por um pedido de demissão irrevogável de seu cargo. Infelizmente é muito mais fácil jogar a culpa num subordinado do que admitir o erro e pagar por ele. Como direta conseqüência, os técnicos acabam recebendo salários incompatíveis com a situação financeira de nosso futebol, já que se trata de uma função de alto risco. E, não raro, são promotores de contratações que podem não serem úteis no futuro, quando um novo técnico quiser implantar uma diferente filosofia de jogo. Em resumo, o grande prejudicado acaba sendo sempre o clube, onerado por dívidas que cartola algum cria nas empresas que porventura lhe pertençam. Mas aí estaríamos entrando noutro assunto, o da responsabilidade fiscal dos dirigentes, que fica para outra cronica…

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