Fórmula 1

Williams se surpreende com rivais e se vê atrás até da Toro Rosso

Rob Griffith/AP
Imagem: Rob Griffith/AP

Julianne Cerasoli

Do UOL, em São Paulo

27/03/2016 06h00

A Williams começou a temporada de 2016 com a expectativa de, ao menos, manter o posto de terceira grande força do campeonato. Porém, a performance do GP de abertura na Austrália acendeu o sinal de alerta no time de Felipe Massa e Valtteri Bottas: superada pela Red Bull na corrida e pela Toro Rosso na classificação, a equipe se vê como a quinta força. E não esconde a surpresa especialmente com a nova rival.

“Quando fazemos uma avaliação dos carros, nos baseamos em uma margem de erro, porque não temos os dados perfeitos e acabamos subestimando a Toro Rosso”, reconheceu Pat Symonds, diretor técnico da Williams. “É a equipe que realmente supreendeu, os outros estão alinhados com o que as previsões que fizemos.”

Tanto que, além de reconhecer que a Williams não está no nível da Red Bull, Symonds avalia que a escuderia também está atrás do time de Max Verstappen e Carlos Sainz. “No momento, a ordem provavelmente tem a Toro Rosso, nós, e a Force India.”

A força demonstrada pela Toro Rosso também surpreendeu a própria Red Bull, que seguiu usando os motores Renault.

“Dá para ver que é um carro rápido, particularmente em uma volta lançada”, avaliou o chefe da Red Bull, Chrstian Horner. “Lewis [Hamilton] não conseguia passar a Toro Rosso nem na reta, e ele nos passou com mais facilidade. Dá para ver que eles têm um carro competitivo e esperamos que eles sejam rápidos na primeira parte da temporada, antes dos upgrades começarem a chegar.”

Horner se refere às novidades que serão introduzidas ao longo do ano nos motores, às quais a Toro Rosso não terá acesso devido à natureza de seu acordo com a Ferrari, que prevê apenas a venda de motores de 2015.

Após a surpresa de Melbourne, Symonds acredita que a próxima etapa, no Bahrein, dia 3 de abril, dará um quadro mais representativo da relação de forças e espera que as novidades que a Williams vai introduzir no carro ajudem a melhorar o quadro.

“Veremos como as coisas ficarão em uma pista diferente. Estou impaciente para ver o que podemos fazer na próxima corrida, quando chegarão as peças novas. Espero que o pacote aerodinâmico traga os resultados que prevemos.”

Acredita-se que a equipe só consiga levar um novo bico, com o qual espera ter um ganho significativo, ao Bahrein. Nesse caso, a novidade ficaria com Massa, uma vez que o brasileiro está à frente de Bottas no campeonato.

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A ridícula ciranda dos técnicos

Cerca de duas semanas atrás, o técnico Zé Ricardo foi demitido pelo Flamengo. Outro dia foi a vez de Milton Mendes ser afastado do Vasco. E o curioso é que agora o Vasco tem, em Zé Ricardo, que não mais servia para o Flamengo, a grande solução para ser o novo técnico cruzmaltino. Numa análise mais ampla foram nada menos que 16 os técnicos demitidos nas primeiras 21 rodadas deste campeonato brasileiro. O que, por sinal, lembra o que aconteceu nos últimos dois anos. E, se formos ver o que aconteceu desde o início do ano, constataremos que apenas 6 clubes mantiveram até hoje o técnico com que começaram a temporada. A título de curiosidade, são eles Fábio Carille (Corinthians), Mano Menezes (Cruzeiro), Jair Ventura (Botafogo), Renato Gaucho (Gremio), Abel Braga (Fluminense) e Claudinei Oliveira (Avaí). Esta ridícula ciranda tem, em minha opinião, uma explicação clara : a incompetência dos dirigentes. Pois são eles que escolhem o técnico e, ao faze-lo, devem (ao menos se supõe) analisar sua forma de trabalho, ver o que fizeram no passado e julgar se ele vai se adaptar ao que o clube pretende. Assim, por exemplo, contratar um técnico reconhecidamente retranqueiro para fazer o time jogar bonito e ofensivamente, constitui um absurdo total. Feita a escolha, o cartola deveria assumir a decisão e não encontrar na despedida do técnico o comodo álibi para seu erro. Erro que, para dirigentes merecedores deste rótulo, deveria ser, no mínimo, acompanhado por um pedido de demissão irrevogável de seu cargo. Infelizmente é muito mais fácil jogar a culpa num subordinado do que admitir o erro e pagar por ele. Como direta conseqüência, os técnicos acabam recebendo salários incompatíveis com a situação financeira de nosso futebol, já que se trata de uma função de alto risco. E, não raro, são promotores de contratações que podem não serem úteis no futuro, quando um novo técnico quiser implantar uma diferente filosofia de jogo. Em resumo, o grande prejudicado acaba sendo sempre o clube, onerado por dívidas que cartola algum cria nas empresas que porventura lhe pertençam. Mas aí estaríamos entrando noutro assunto, o da responsabilidade fiscal dos dirigentes, que fica para outra cronica…

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