Fórmula 1

Confusão na Sauber em Mônaco escancara falta de comando na chefia do time

Mark Thompson/Getty Images
Imagem: Mark Thompson/Getty Images

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Barcelona (ESP)

31/05/2016 06h00

A polêmica batida que tirou os dois pilotos da Sauber do GP de Mônaco deixou clara a crise de comando em que o time suíço se encontra. Ao mesmo tempo em que sofre para encontrar um parceiro que resolva os sérios problemas financeiros, que levaram inclusive a atrasos de salários neste ano, o time vive conflitos internos e viu ambos os pilotos se negarem a obedecer ordens de equipe.

Em Mônaco, foi Felipe Nasr quem decidiu permanecer na frente de Marcus Ericsson mesmo após receber pedidos até mesmo da chefe do time, Monisha Kaltenborn. A avaliação do time era de que o brasileiro era mais lento que o companheiro, versão com a qual Nasr não concorda. “Eles podiam ver pela telemetria que meus pneus estavam frios e não estávamos em estratégias diferentes, então não vi motivo para deixar passar”, declarou o piloto.

Sentindo-se mais veloz, Ericsson tentou a ultrapassagem em um lugar incomum, na Rascasse, e os dois acabaram batendo. “É uma curva apertada, mas já tinha tentado o mesmo com o Bottas e tinha funcionado. Estava perdendo muito tempo”, justificou o sueco.

Ericsson acabou sendo punido pelos comissários e vai perder três posiões no grid de largada para o GP do Canadá. Porém, internamente, o UOL Esporte apurou que Monisha culpou Nasr pela colisão.

Não está claro quais serão as consequências internas para o brasileiro mas, a julgar pelo passado recente da equipe, nada será feito. Ainda em Mônaco, Nasr revelou que Ericsson recebeu duas ordens para deixá-lo passar ano passado e não o fez. Uma delas foi no GP de Abu Dhabi.

“Precisamos ter confiança dentro da equipe que uma ordem como essa será cumprida. E duas vezes Marcus já não respeitou. E não aconteceu nada. Eles deveriam falar com ele de uma maneira que ele aceite. Ela tem de se certificar que todas as ordens sejam cumpridas.”

Perguntado pelo UOL Esporte se não sentia uma falta de comando na equipe, Nasr se esquivou. “Estou aqui para pilotar, não sou chefe de equipe.”

O sueco, por sua vez, disse que aceitaria uma ordem de equipe caso estivesse na posição de Nasr. “Isso já aconteceu antes e trocamos posições”, disse o piloto, “mas não lembro como foi.”

Se as coisas dentro das pistas estão quentes, fora delas a tensão continua na equipe. A reportagem entende que um dos entraves para as negociações de compra seja a exigência do fundador, Peter Sauber, de que Monisha continue no comando.

A chefe já se colocou em situação difícil no início da temporada passada, quando, para driblar as dificuldades financeiras do time, acabou firmando contratos com quatro pilotos ao mesmo tempo - além de Felipe Nasr e Marcus Ericsson, Giedo van der Garde e Adrian Sutil também tinham acordos. O holandês chegou a entrar na Justiça, mas a Sauber recebeu a ajuda do promotor da F-1 Bernie Ecclestone para entrar em acordo com o piloto.

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A ridícula ciranda dos técnicos

Cerca de duas semanas atrás, o técnico Zé Ricardo foi demitido pelo Flamengo. Outro dia foi a vez de Milton Mendes ser afastado do Vasco. E o curioso é que agora o Vasco tem, em Zé Ricardo, que não mais servia para o Flamengo, a grande solução para ser o novo técnico cruzmaltino. Numa análise mais ampla foram nada menos que 16 os técnicos demitidos nas primeiras 21 rodadas deste campeonato brasileiro. O que, por sinal, lembra o que aconteceu nos últimos dois anos. E, se formos ver o que aconteceu desde o início do ano, constataremos que apenas 6 clubes mantiveram até hoje o técnico com que começaram a temporada. A título de curiosidade, são eles Fábio Carille (Corinthians), Mano Menezes (Cruzeiro), Jair Ventura (Botafogo), Renato Gaucho (Gremio), Abel Braga (Fluminense) e Claudinei Oliveira (Avaí). Esta ridícula ciranda tem, em minha opinião, uma explicação clara : a incompetência dos dirigentes. Pois são eles que escolhem o técnico e, ao faze-lo, devem (ao menos se supõe) analisar sua forma de trabalho, ver o que fizeram no passado e julgar se ele vai se adaptar ao que o clube pretende. Assim, por exemplo, contratar um técnico reconhecidamente retranqueiro para fazer o time jogar bonito e ofensivamente, constitui um absurdo total. Feita a escolha, o cartola deveria assumir a decisão e não encontrar na despedida do técnico o comodo álibi para seu erro. Erro que, para dirigentes merecedores deste rótulo, deveria ser, no mínimo, acompanhado por um pedido de demissão irrevogável de seu cargo. Infelizmente é muito mais fácil jogar a culpa num subordinado do que admitir o erro e pagar por ele. Como direta conseqüência, os técnicos acabam recebendo salários incompatíveis com a situação financeira de nosso futebol, já que se trata de uma função de alto risco. E, não raro, são promotores de contratações que podem não serem úteis no futuro, quando um novo técnico quiser implantar uma diferente filosofia de jogo. Em resumo, o grande prejudicado acaba sendo sempre o clube, onerado por dívidas que cartola algum cria nas empresas que porventura lhe pertençam. Mas aí estaríamos entrando noutro assunto, o da responsabilidade fiscal dos dirigentes, que fica para outra cronica…

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