Fórmula 1

Hamilton nega que precise estudar e Button diz não conhecer 100% do volante

Dan Istitene/Getty Images
Imagem: Dan Istitene/Getty Images

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Spielberg (AUT)

01/07/2016 07h17

Lewis Hamilton garantiu que todo o drama que viveu durante o GP da Europa, quando demorou 15 voltas para conseguir resolver um problema de configuração de seu motor, não vai fazê-lo mudar sua abordagem. Perguntado se tinha estudado melhor o ‘manual de instruções’ de sua Mercedes, o inglês negou que o fato de não saber alterar os controles no volante seja uma falha sua.

“Não teve nada a ver comigo e não tenho que estudar mais”, garantiu o tricampeão. “A decisão foi tomada antes da corrida, a equipe optou por um programa e isso não funcionou, então nem sei o que dizer. Eles estão trabalhando duro para que isso não aconteça de novo”, disse.

“O jeito mais fácil de prevenir que algo assim aconteça é que os carros larguem com a configuração correta”, concordou Jenson Button, que reconheceu também não conhecer todas as centenas de funções de seu volante.

“Eu tenho uns 300 botões no volante e sei o que a maioria deles controla, mas tem algumas coisas que eu não sei porque são configurações que eu, pessoalmente, não mudo. São unidades de potência complicadas, então às vezes precisamos de alguma ajuda. Acho que as informações em relação à pilotagem devem ser banidas - e foram. Mas poderíamos receber informações sobre os modos de motor”, ponderou.  

Em geral, os pilotos não se solidarizaram com Hamilton. Até mesmo Kimi Raikkonen, que também teve problemas ao perguntar sobre uma luz de alerta que aparecera em seu volante e não poder ter a resposta do time, evitou criticar as regras. “Não foi uma grande questão. Eu meio que sabia o que era e tentei ter alguma confirmação, mas não mudou nada. Não era algo que precisávamos saber 100%.”

Para Daniil Kvyat e Felipe Nasr, cabe aos pilotos antecipar os possíveis cenários. “Você tem de se preparar, tento prever o que pode acontecer. Claro que é impossível saber tudo, mas não tem sido um problema para mim”, disse o russo. “Você tenta saber tudo o que pode ter de fazer na corrida”, concordou o brasileiro.

Felipe Massa, inclusive, defendeu que as restrições à comunicação podem ser benéficas no sentido de forçar as equipes a descomplicar os controles. “Antes, tínhamos alguém falando no rádio o tempo todo. Acho que todas as restrições ajudam porque tentamos tornar as coisas menos complicadas. Então talvez é o que as equipes têm de fazer para que as coisas se tornem mais fáceis para os pilotos.”

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A ridícula ciranda dos técnicos

Cerca de duas semanas atrás, o técnico Zé Ricardo foi demitido pelo Flamengo. Outro dia foi a vez de Milton Mendes ser afastado do Vasco. E o curioso é que agora o Vasco tem, em Zé Ricardo, que não mais servia para o Flamengo, a grande solução para ser o novo técnico cruzmaltino. Numa análise mais ampla foram nada menos que 16 os técnicos demitidos nas primeiras 21 rodadas deste campeonato brasileiro. O que, por sinal, lembra o que aconteceu nos últimos dois anos. E, se formos ver o que aconteceu desde o início do ano, constataremos que apenas 6 clubes mantiveram até hoje o técnico com que começaram a temporada. A título de curiosidade, são eles Fábio Carille (Corinthians), Mano Menezes (Cruzeiro), Jair Ventura (Botafogo), Renato Gaucho (Gremio), Abel Braga (Fluminense) e Claudinei Oliveira (Avaí). Esta ridícula ciranda tem, em minha opinião, uma explicação clara : a incompetência dos dirigentes. Pois são eles que escolhem o técnico e, ao faze-lo, devem (ao menos se supõe) analisar sua forma de trabalho, ver o que fizeram no passado e julgar se ele vai se adaptar ao que o clube pretende. Assim, por exemplo, contratar um técnico reconhecidamente retranqueiro para fazer o time jogar bonito e ofensivamente, constitui um absurdo total. Feita a escolha, o cartola deveria assumir a decisão e não encontrar na despedida do técnico o comodo álibi para seu erro. Erro que, para dirigentes merecedores deste rótulo, deveria ser, no mínimo, acompanhado por um pedido de demissão irrevogável de seu cargo. Infelizmente é muito mais fácil jogar a culpa num subordinado do que admitir o erro e pagar por ele. Como direta conseqüência, os técnicos acabam recebendo salários incompatíveis com a situação financeira de nosso futebol, já que se trata de uma função de alto risco. E, não raro, são promotores de contratações que podem não serem úteis no futuro, quando um novo técnico quiser implantar uma diferente filosofia de jogo. Em resumo, o grande prejudicado acaba sendo sempre o clube, onerado por dívidas que cartola algum cria nas empresas que porventura lhe pertençam. Mas aí estaríamos entrando noutro assunto, o da responsabilidade fiscal dos dirigentes, que fica para outra cronica…

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