Fórmula 1

Mesmo na pole, Hamilton teme estratégia diferente de Ferrari e Red Bull

JOE KLAMAR/AFP
Imagem: JOE KLAMAR/AFP

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Spielberg (AUT)

02/07/2016 18h00

Eles podem ter sido os mais rápidos do final de semana e terem feito os dois melhores tempos na classificação, ainda que Nico Rosberg tenha de largar em sexto devido a uma punição pela troca do câmbio, mas os pilotos da Mercedes não estão tão confiantes em relação ao que os espera no GP da Áustria, com largada às 9h.

Lewis Hamilton larga na pole, ao lado de Nico Hulkenberg, da Force India, time que vem de dois pódios nas últimas três corridas e cujo carro tem como qualidade causar pouco desgaste de pneus. Mas a ameaça, segundo o inglês, começa na segunda fila, com o quarto colocado Kimi Raikkonen.

Isso porque o finlandês é um dos quatro pilotos que vão largar com os pneus supermacios, bem mais resistentes que os ultramacios de Hamilton, que não escondeu seu temor quando soube da opção dos rivais. “Isso é ruim. Acho que o ultramacio não é um bom pneu para a corrida. Será difícil tirar muito desse pneu. Teremos um pouco de vantagem na largada porque o pneu ultramacio dá mais aderência, mas, nos treinos livres, meu pneu só durava 4 voltas. E os do Nico duravam 8 [o alemão, sentando ao lado do inglês, retruca que sua borracha não passou das 5 voltas nos treinos]. Mas vamos lidar com o que vier.”

O segundo piloto no grid com pneus supermacios é Daniel Ricciardo, sexto. “Ainda que não tenhamos ido muito bem no Q3 da classificação, pelo menos tomamos a decisão certa com o supermacio. E acho que isso vai nos ajudar na corrida.”

O australiano largará na frente de Nico Rosberg, outro que também se preocupa com o desgaste. “Os pneus serão uma dificuldade na corrida, mas a questão é que não sabemos como será, porque as temperaturas devem cair muito. Sabemos que, no calor, foi muito difícil, mas se esfriar pode melhorar bastante.”

Outro que está largando mais atrás que o habitual devido a uma punição pela troca do câmbio é Sebastian Vettel, nono no grid. Porém, o alemão é outro que adotou a estratégia de largar com o supermacio, lembrando que os pilotos do top 10 são obrigados a largar com os pneus com os quais fizeram seu melhor tempo no Q2.

“Achamos que é uma vantagem, caso contrário teríamos usado os ultramacios. E outros também tiveram o mesmo pensamento que nós”, observou.

Os brasileiros não foram bem na classificação e também esperam muitos problemas com os pneus. Felipe Massa vai largar em décimo, com os ultramacios, e disse ao UOL Esporte que concorda com a previsão de Hamilton de que o pneu não passe de cinco voltas na corrida. O único fator que pode ajudar quem larga com o composto mais aderente é a expectativa de queda de temperatura para o domingo.

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A ridícula ciranda dos técnicos

Cerca de duas semanas atrás, o técnico Zé Ricardo foi demitido pelo Flamengo. Outro dia foi a vez de Milton Mendes ser afastado do Vasco. E o curioso é que agora o Vasco tem, em Zé Ricardo, que não mais servia para o Flamengo, a grande solução para ser o novo técnico cruzmaltino. Numa análise mais ampla foram nada menos que 16 os técnicos demitidos nas primeiras 21 rodadas deste campeonato brasileiro. O que, por sinal, lembra o que aconteceu nos últimos dois anos. E, se formos ver o que aconteceu desde o início do ano, constataremos que apenas 6 clubes mantiveram até hoje o técnico com que começaram a temporada. A título de curiosidade, são eles Fábio Carille (Corinthians), Mano Menezes (Cruzeiro), Jair Ventura (Botafogo), Renato Gaucho (Gremio), Abel Braga (Fluminense) e Claudinei Oliveira (Avaí). Esta ridícula ciranda tem, em minha opinião, uma explicação clara : a incompetência dos dirigentes. Pois são eles que escolhem o técnico e, ao faze-lo, devem (ao menos se supõe) analisar sua forma de trabalho, ver o que fizeram no passado e julgar se ele vai se adaptar ao que o clube pretende. Assim, por exemplo, contratar um técnico reconhecidamente retranqueiro para fazer o time jogar bonito e ofensivamente, constitui um absurdo total. Feita a escolha, o cartola deveria assumir a decisão e não encontrar na despedida do técnico o comodo álibi para seu erro. Erro que, para dirigentes merecedores deste rótulo, deveria ser, no mínimo, acompanhado por um pedido de demissão irrevogável de seu cargo. Infelizmente é muito mais fácil jogar a culpa num subordinado do que admitir o erro e pagar por ele. Como direta conseqüência, os técnicos acabam recebendo salários incompatíveis com a situação financeira de nosso futebol, já que se trata de uma função de alto risco. E, não raro, são promotores de contratações que podem não serem úteis no futuro, quando um novo técnico quiser implantar uma diferente filosofia de jogo. Em resumo, o grande prejudicado acaba sendo sempre o clube, onerado por dívidas que cartola algum cria nas empresas que porventura lhe pertençam. Mas aí estaríamos entrando noutro assunto, o da responsabilidade fiscal dos dirigentes, que fica para outra cronica…

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