Fórmula 1

Entenda como a pressão de pneu virou protagonista. E prejudica a Williams

REUTERS/Matthew Childs Livepic
Imagem: REUTERS/Matthew Childs Livepic

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Budapeste (HUN)

20/07/2016 06h00

Um dos grandes temas desta temporada da Fórmula 1 é o aumento agressivo da pressão mínima de pneus que a Pirelli estabeleceu especialmente após o estouro sofrido por Sebastian Vettel no GP da Bélgica do ano passado. Tal mudança, inclusive, é um dos fatores principais que explicam a queda de rendimento da Williams em 2016.

“Estamos tendo que ir à pista com a pressão bem mais alta do que usaríamos se pudéssemos escolher”, explicou Felipe Massa ao UOL Esporte. “Isso faz com que o pneu aqueça mais, provoca perda de aderência na traseira, faz com que acabe gastando mais pneu e o ritmo fica bem mais inconstante do que com a pressão mais baixa. Então sempre estamos tentando andar com a pressão mais baixa possível para ser mais constantes e rápidos. Sem dúvida é um problema extra para o nosso carro: quando a pressão mínima era mais baixa, nosso carro era mais competitivo.”

Isso também é ruim para Felipe Nasr, uma vez que os carros que geram menos pressão aerodinâmica, como sua Sauber, acabam tendo ainda menos aderência. “É uma questão mecânica do carro. A pressão inicial que a Pirelli dá para a gente é muito alta para um pneu quente. Quando vamos à pista, a pressão vai subindo porque você vai gastando, esfregando o pneu e a libra sobe. Com a libra mais alta, você perde aderência mecânica do pneu. Nos últimos três anos, as pressões mínimas que tínhamos eram em torno de 17, 18 libras. Agora estamos usando 22. Em qualquer carro de corrida - não apenas um Fórmula 1 - isso dá menos aderência mecânica e você sente”, disse o piloto brasileiro.

“O carro que consegue gerar mais mais pressão aerodinâmica escorrega menos o pneu e isso evita que a pressão suba muito. Então além de já ter a vantagem de ter um carro com que o pneu não fica escorregando, quanto mais você esfrega, mais a libra sobe e menos aderência você tem.”

A McLaren é outra que vem reclamando bastante, inclusive acusando algumas equipes de usarem mecanismos para burlar a medição da Pirelli e conseguirem andar com pressões mais baixas por meio de sistemas que geram calor nas rodas.

“Você superaquece o pneu e nada funciona”, explica Jenson Button. “Não importa quanta pressão aerodinâmica você tem às vezes, é duro. No final do ano passado, achei que teríamos pressões mais baixa neste ano, e nos disseram que seria assim, mas não aconteceu e é difícil. Os pneus não estão em um alcance em que eles funcionam.”

Para o inglês, a fornecedora de pneus tem adotado essa prática justamente devido às manobras que, acredita-se, as melhores equipes estejam fazendo para controlar as pressões.

“Acho que o problema é que a Pirelli está vendo as pressões abaixarem muito atrás do Safety Car e em certos momentos da corrida porque as pessoas estão fazendo algumas coisas. Então acho que eles estão aumentando a pressão por conta disso.”

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Cerca de duas semanas atrás, o técnico Zé Ricardo foi demitido pelo Flamengo. Outro dia foi a vez de Milton Mendes ser afastado do Vasco. E o curioso é que agora o Vasco tem, em Zé Ricardo, que não mais servia para o Flamengo, a grande solução para ser o novo técnico cruzmaltino. Numa análise mais ampla foram nada menos que 16 os técnicos demitidos nas primeiras 21 rodadas deste campeonato brasileiro. O que, por sinal, lembra o que aconteceu nos últimos dois anos. E, se formos ver o que aconteceu desde o início do ano, constataremos que apenas 6 clubes mantiveram até hoje o técnico com que começaram a temporada. A título de curiosidade, são eles Fábio Carille (Corinthians), Mano Menezes (Cruzeiro), Jair Ventura (Botafogo), Renato Gaucho (Gremio), Abel Braga (Fluminense) e Claudinei Oliveira (Avaí). Esta ridícula ciranda tem, em minha opinião, uma explicação clara : a incompetência dos dirigentes. Pois são eles que escolhem o técnico e, ao faze-lo, devem (ao menos se supõe) analisar sua forma de trabalho, ver o que fizeram no passado e julgar se ele vai se adaptar ao que o clube pretende. Assim, por exemplo, contratar um técnico reconhecidamente retranqueiro para fazer o time jogar bonito e ofensivamente, constitui um absurdo total. Feita a escolha, o cartola deveria assumir a decisão e não encontrar na despedida do técnico o comodo álibi para seu erro. Erro que, para dirigentes merecedores deste rótulo, deveria ser, no mínimo, acompanhado por um pedido de demissão irrevogável de seu cargo. Infelizmente é muito mais fácil jogar a culpa num subordinado do que admitir o erro e pagar por ele. Como direta conseqüência, os técnicos acabam recebendo salários incompatíveis com a situação financeira de nosso futebol, já que se trata de uma função de alto risco. E, não raro, são promotores de contratações que podem não serem úteis no futuro, quando um novo técnico quiser implantar uma diferente filosofia de jogo. Em resumo, o grande prejudicado acaba sendo sempre o clube, onerado por dívidas que cartola algum cria nas empresas que porventura lhe pertençam. Mas aí estaríamos entrando noutro assunto, o da responsabilidade fiscal dos dirigentes, que fica para outra cronica…

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