Fórmula 1

Chefe evita culpar Hamilton por largada que 'custou a vitória' na Itália

Mark Thompson/Getty Images
Imagem: Mark Thompson/Getty Images

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Monza (Itália)

05/09/2016 06h00

O chefe da Mercedes, Toto Wolff, evitou uma ‘caça às bruxas’ depois que uma má largada tirou a chance de Lewis Hamilton lutar pela vitória do GP da Itália. O inglês dominou os treinos e foi quase meio segundo mais rápido que o companheiro Nico Rosberg na classificação, mas foi lento nos primeiros metros e perdeu várias posições, recuperando-se para chegar em segundo.

Não é a primeira vez que um carro da Mercedes tem uma largada ruim, algo que já aconteceu com ambos os pilotos. Porém, para Wolff, este não é um problema apenas de sua equipe e está relacionado à mudança no sistema de largada, feita no início do ano, que tornou o procedimento menos automatizado.

“Quando mudamos as regras, o objetivo era dar mais responsabilidade para os pilotos. E é claro que nossas largadas são muito proeminentes porque, com a performance de nosso carro, geralmente estamos na frente do grid, mas é normal às vezes ter boas largadas e outras, não. Acho que nosso sistema é bom”, defendeu Wolff, ouvido pelo UOL Esporte em Monza.

“Durante a corrida, Lewis falou no rádio que tinha errado a largada. Mas não quero culpar ninguém: Lewis, nossos engenheiros ou o sistema. Mas temos de analisar o que aconteceu porque isso fez ele perder a corrida e temos de nos certificar de que isso não aconteça mais.”
O chefe disse evitar culpar seus comandados e defendeu que quaisquer problemas sejam tratados internamente.

“Nunca vou culpar ninguém nesta equipe, porque, no momento em que eu fizer isso, é quando nosso rendimento vai cair, porque todo mundo vai querer implementar sistemas conservadores e vamos perder nossa vantagem. O que aconteceu é uma combinação de várias coisas.”

Com a vitória de Nico Rosberg e o segundo lugar de Hamilton na Itália, os dois vão para as últimas sete etapas do ano, começando em duas semanas, em Cingapura, separados por apenas dois pontos.

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A ridícula ciranda dos técnicos

Cerca de duas semanas atrás, o técnico Zé Ricardo foi demitido pelo Flamengo. Outro dia foi a vez de Milton Mendes ser afastado do Vasco. E o curioso é que agora o Vasco tem, em Zé Ricardo, que não mais servia para o Flamengo, a grande solução para ser o novo técnico cruzmaltino. Numa análise mais ampla foram nada menos que 16 os técnicos demitidos nas primeiras 21 rodadas deste campeonato brasileiro. O que, por sinal, lembra o que aconteceu nos últimos dois anos. E, se formos ver o que aconteceu desde o início do ano, constataremos que apenas 6 clubes mantiveram até hoje o técnico com que começaram a temporada. A título de curiosidade, são eles Fábio Carille (Corinthians), Mano Menezes (Cruzeiro), Jair Ventura (Botafogo), Renato Gaucho (Gremio), Abel Braga (Fluminense) e Claudinei Oliveira (Avaí). Esta ridícula ciranda tem, em minha opinião, uma explicação clara : a incompetência dos dirigentes. Pois são eles que escolhem o técnico e, ao faze-lo, devem (ao menos se supõe) analisar sua forma de trabalho, ver o que fizeram no passado e julgar se ele vai se adaptar ao que o clube pretende. Assim, por exemplo, contratar um técnico reconhecidamente retranqueiro para fazer o time jogar bonito e ofensivamente, constitui um absurdo total. Feita a escolha, o cartola deveria assumir a decisão e não encontrar na despedida do técnico o comodo álibi para seu erro. Erro que, para dirigentes merecedores deste rótulo, deveria ser, no mínimo, acompanhado por um pedido de demissão irrevogável de seu cargo. Infelizmente é muito mais fácil jogar a culpa num subordinado do que admitir o erro e pagar por ele. Como direta conseqüência, os técnicos acabam recebendo salários incompatíveis com a situação financeira de nosso futebol, já que se trata de uma função de alto risco. E, não raro, são promotores de contratações que podem não serem úteis no futuro, quando um novo técnico quiser implantar uma diferente filosofia de jogo. Em resumo, o grande prejudicado acaba sendo sempre o clube, onerado por dívidas que cartola algum cria nas empresas que porventura lhe pertençam. Mas aí estaríamos entrando noutro assunto, o da responsabilidade fiscal dos dirigentes, que fica para outra cronica…

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