Fórmula 1

'É um calor sem fim', revela Nasr após sofrer no cockpit em Cingapura

Mohd Rasfan/AFP
Imagem: Mohd Rasfan/AFP

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Cingapura

17/09/2016 07h06

Mesmo após um treino livre que durou 1h30 e no qual os pilotos não ficam por todo tempo na pista já dava para perceber o cansaço na postura de vários pilotos. Afinal, mesmo sendo disputado à noite, o GP de Cingapura sempre conta com temperaturas acima dos 30ºC, amplificadas por uma alta umidade relativa do ar, fazendo com que a sensação dentro do cockpit seja muito pior.

“Acho que vale destacar bem para as pessoas que talvez não tenham total conhecimento: é uma pista que coloca os pilotos em uma condição extrema de desgaste físico”, contou Felipe Nasr ao UOL Esporte. “Nos treinos livres, acabamos perdendo dois ou três quilos só de líquido. A corrida, que sempre chega perto de 2h, é bem desgastante. É um calor que parece sem fim, não tem ventilação. Você abre a viseira e não tem ar.”

Durante a entrevista, o piloto brasileiro usava uma jaqueta com gelo, para diminuir a temperatura do corpo, e se hidratava com um eletrolítico preparado sob medida por seu preparador físico.

“Toda vez que a gente volta aqui é uma surpresa. Você tem, durante o ano, uma noção de como sente-se no carro e, quando chega aqui, sente que tudo é mais difícil. Mas é assim para todo mundo. Por isso quem estiver bem preparado leva vantagem.”

Mas Felipe Massa passou por situações piores do que Nasr viveu hoje. Afinal, o brasileiro vem a Cingapura desde a primeira edição, em 2008, quando os carros eram mais rápidos durante a corrida, já que havia reabastecimento e os pneus eram mais duráveis. E lembra que era bem mais sofrido correr em Marina Bay.

“Era mais cansativo porque a gente virava tempos mais rápidos, então tinha mais força G afetando o corpo pois, quanto mais rápido você está na curva, mais força você faz. O carro tinha mais carga aerodinâmica e o pneu gastava menos e a gente mantinha um ritmo muito mais rápido.

Com esse carro é muito mais fácil, mas acho que vai ficar difícil de novo ano que vem. Não vou estar aqui, então posso relaxar um pouco mais na minha vida”, brincou.

As atividades para o GP de Cingapura continuam neste sábado com o terceiro treino livre, que será disputado a partir das 7h, e a classificação começa às 10h. O GP, no domingo, tem largada às 9h.

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A ridícula ciranda dos técnicos

Cerca de duas semanas atrás, o técnico Zé Ricardo foi demitido pelo Flamengo. Outro dia foi a vez de Milton Mendes ser afastado do Vasco. E o curioso é que agora o Vasco tem, em Zé Ricardo, que não mais servia para o Flamengo, a grande solução para ser o novo técnico cruzmaltino. Numa análise mais ampla foram nada menos que 16 os técnicos demitidos nas primeiras 21 rodadas deste campeonato brasileiro. O que, por sinal, lembra o que aconteceu nos últimos dois anos. E, se formos ver o que aconteceu desde o início do ano, constataremos que apenas 6 clubes mantiveram até hoje o técnico com que começaram a temporada. A título de curiosidade, são eles Fábio Carille (Corinthians), Mano Menezes (Cruzeiro), Jair Ventura (Botafogo), Renato Gaucho (Gremio), Abel Braga (Fluminense) e Claudinei Oliveira (Avaí). Esta ridícula ciranda tem, em minha opinião, uma explicação clara : a incompetência dos dirigentes. Pois são eles que escolhem o técnico e, ao faze-lo, devem (ao menos se supõe) analisar sua forma de trabalho, ver o que fizeram no passado e julgar se ele vai se adaptar ao que o clube pretende. Assim, por exemplo, contratar um técnico reconhecidamente retranqueiro para fazer o time jogar bonito e ofensivamente, constitui um absurdo total. Feita a escolha, o cartola deveria assumir a decisão e não encontrar na despedida do técnico o comodo álibi para seu erro. Erro que, para dirigentes merecedores deste rótulo, deveria ser, no mínimo, acompanhado por um pedido de demissão irrevogável de seu cargo. Infelizmente é muito mais fácil jogar a culpa num subordinado do que admitir o erro e pagar por ele. Como direta conseqüência, os técnicos acabam recebendo salários incompatíveis com a situação financeira de nosso futebol, já que se trata de uma função de alto risco. E, não raro, são promotores de contratações que podem não serem úteis no futuro, quando um novo técnico quiser implantar uma diferente filosofia de jogo. Em resumo, o grande prejudicado acaba sendo sempre o clube, onerado por dívidas que cartola algum cria nas empresas que porventura lhe pertençam. Mas aí estaríamos entrando noutro assunto, o da responsabilidade fiscal dos dirigentes, que fica para outra cronica…

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