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Fórmula 1

Maior temporada da história divide pilotos na F1. E pode crescer ainda mais

Clive Mason/Getty Images
Imagem: Clive Mason/Getty Images

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Tóquio (Japão)

12/10/2016 06h00

Fernando Alonso, Kimi Raikkonen e Felipe Massa são algumas das testemunhas de quando a Fórmula 1 tinha apenas 16 corridas em seu calendário, sendo que cinco - Austrália, Malásia, Brasil, Canadá e Japão - eram disputadas fora da Europa. Afinal, o último ano em que isso aconteceu foi em 2003, quando o trio já fazia parte do grid. De lá para cá, o calendário não foi apenas inchando, como também se diversificando, até chegar ao campeonato recorde de 2016, com 21 etapas, menos da metade no Velho Continente, onde pilotos e equipes estão baseados.

E essa expansão não dá sinais de que vá parar por aí. Os novos donos da Liberty Media já indicaram que o calendário pode chegar a 25 provas em um futuro próximo.

Raikkonen diz sentir que as pré-temporadas estão cada vez mais curtas, uma vez que o campeonato vai avançando até o final de novembro, e os pilotos e equipes ainda têm trabalho nas semanas seguintes, mas lembra: não falta gente interessada em fazer parte do circo mesmo assim.

“Goste ou não, faz parte”, disse o finlandês ao UOL Esporte. “Quando terminarmos o trabalho deste ano vai estar perto do Natal, então não haverá muito tempo até tudo começar de novo ano que vem. Para todos na equipe será um ano longo e não teremos muito tempo para relaxar e nos prepararmos. Mas quem não estiver contente pode ficar em casa porque sempre tem alguém que quer estar aqui. O fato das temporadas estarem mais longas faz parte da Fórmula 1 atual e sabe-se lá o que vai acontecer no futuro.”

Um dos grandes críticos do atual calendário é Fernando Alonso. O espanhol, que não vence uma corrida desde 2013 e vem tendo progressos lentos com o projeto da McLaren-Honda, garante que as broncas não têm nada a ver com os resultados ruins.

Perguntado pelo UOL Esporte se as reclamações tinham relação com a atual fase, Alonso garantiu que não. “Eu reclamava naquela época [referindo-se a 2010, uma temporada que teve 20 GPs e na qual disputou o título até o fim], mas não havia tantas perguntas sobre o assunto”, disse.

“Há opiniões diferentes entre os pilotos e entendo totalmente. Tínhamos 16 ou 17 corridas quando comecei, mas fazíamos muitos testes, então estávamos correndo quase sempre. No final das contas, talvez éramos até mais ocupados antes. Não é esse o problema, mas sim as viagens, essas corridas seguidas. Vamos para o Japão, depois para os EUA, depois América do Sul, para terminar nos Emirados Árabes. Para mim, isso é demais. É minha opinião, ninguém tem de concordar.”

Mas Alonso não está sozinho nas críticas. Jenson Button comemorou o fato de ter um ano sabático em 2017 justamente por poder ter mais tempo livre e o próprio Felipe Massa reconheceu ao UOL Esporte que o calendário longo foi um dos fatores que o levaram a decidir pela saída da F-1.

“Não é só fazer 21 corridas. As pessoas pensam que a gente só chega no final de semana de corrida e corre. E a semana seguinte em que você tem que estar na fábrica trabalhando? No final das contas, você tem pouco tempo em casa. Sempre fui muito profissional e sempre trabalhei muito no simulador, nas reuniões. Chega uma hora que acaba pesando.”

Entre os mais jovens, contudo, além da energia extra, o fato dos testes serem bastante limitados durante a temporada, ao contrário da época em que Alonso, Raikkonen, Button e Massa começaram, faz com que o maior número de corridas seja bem-vindo.

“Sempre fui a favor porque, tendo mais corridas, é positivo para mim, pois sou jovem e isso me ajuda a estar tempo mais no carro, ganhar mais experiência”, explicou Felipe Nasr. “Porém, mais do que 21 já não sei se será tão melhor. Esse número de provas atual é o ideal para mim.”

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