Fórmula 1

Complicou de vez o quarto lugar (milionário) da Williams no campeonato?

Josep Lago/AFP Photo
Imagem: Josep Lago/AFP Photo

Julianne Cerasoli

Do UOL, em São Paulo

14/10/2016 06h00

A briga milionária pelo quarto lugar no campeonato de construtores, entre Williams e Force India, promete se estender até a última etapa da temporada, em Abu Dhabi, no final de novembro. As últimas provas, contudo, não deram sinais favoráveis para o time de Felipe Massa, que, apesar de ainda acreditar que será possível alcançar a meta, reconhece que alguma quebra ou corrida ruim dos rivais seriam bem-vindos.

Isso porque, em condições normais, a Williams tem sido mais lenta que a Force India nas últimas etapas. Computando as oito últimas provas de um campeonato que já teve 17 provas disputadas, o time de Nico Hulkenberg e Sergio Perez colocou ambos nos pontos em cinco oportunidades, sendo que em uma delas, na Bélgica, fez 18 pontos com um quarto e um quinto lugares. Já a Williams só teve ambos os carros no top 10 em três oportunidades e o GP em que mais pontuou no período foi na Itália, quando conquistou 10 pontos.

Com isso, o time perdeu o quarto lugar e agora está a 10 pontos da Force India na tabela. Levando em consideração que ambos fizeram até aqui, em média, menos de oito pontos por GP, trata-se de uma distância considerável, ainda que possível de ser tirada.

“Não complicou de vez porque ainda há muitos pontos em jogo”, disse Massa após o GP do Japão, quando a Force India fez 10 pontos e a Williams, 3. “Se acontece um problema com um dos carros deles e temos uma corrida boa, por exemplo, tudo muda. Então temos de acreditar até o final e lutar.”

A briga no mundial de construtores não é apenas por colocações. A posição no campeonato é um dos fatores que definem o repasse de verbas vindas da venda dos direitos comerciais da Fórmula 1. Terceira colocada ano passado, a Williams recebeu um total de 87 milhões de dólares, computando o dinheiro atrelado à própria posição no mundial (43,5mi), a cota por ter participado dos últimos três mundiais (33.5mi) e o bônus pelo valor histórico de 10 milhões, ao qual alguns times têm direito. Uma queda do terceiro para o quinto lugar, contudo, faria com que os ganhos diminuíssem em 10 milhões de dólares.

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A ridícula ciranda dos técnicos

Cerca de duas semanas atrás, o técnico Zé Ricardo foi demitido pelo Flamengo. Outro dia foi a vez de Milton Mendes ser afastado do Vasco. E o curioso é que agora o Vasco tem, em Zé Ricardo, que não mais servia para o Flamengo, a grande solução para ser o novo técnico cruzmaltino. Numa análise mais ampla foram nada menos que 16 os técnicos demitidos nas primeiras 21 rodadas deste campeonato brasileiro. O que, por sinal, lembra o que aconteceu nos últimos dois anos. E, se formos ver o que aconteceu desde o início do ano, constataremos que apenas 6 clubes mantiveram até hoje o técnico com que começaram a temporada. A título de curiosidade, são eles Fábio Carille (Corinthians), Mano Menezes (Cruzeiro), Jair Ventura (Botafogo), Renato Gaucho (Gremio), Abel Braga (Fluminense) e Claudinei Oliveira (Avaí). Esta ridícula ciranda tem, em minha opinião, uma explicação clara : a incompetência dos dirigentes. Pois são eles que escolhem o técnico e, ao faze-lo, devem (ao menos se supõe) analisar sua forma de trabalho, ver o que fizeram no passado e julgar se ele vai se adaptar ao que o clube pretende. Assim, por exemplo, contratar um técnico reconhecidamente retranqueiro para fazer o time jogar bonito e ofensivamente, constitui um absurdo total. Feita a escolha, o cartola deveria assumir a decisão e não encontrar na despedida do técnico o comodo álibi para seu erro. Erro que, para dirigentes merecedores deste rótulo, deveria ser, no mínimo, acompanhado por um pedido de demissão irrevogável de seu cargo. Infelizmente é muito mais fácil jogar a culpa num subordinado do que admitir o erro e pagar por ele. Como direta conseqüência, os técnicos acabam recebendo salários incompatíveis com a situação financeira de nosso futebol, já que se trata de uma função de alto risco. E, não raro, são promotores de contratações que podem não serem úteis no futuro, quando um novo técnico quiser implantar uma diferente filosofia de jogo. Em resumo, o grande prejudicado acaba sendo sempre o clube, onerado por dívidas que cartola algum cria nas empresas que porventura lhe pertençam. Mas aí estaríamos entrando noutro assunto, o da responsabilidade fiscal dos dirigentes, que fica para outra cronica…

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