Fórmula 1

Idiota para cá, frustrado para lá: clima entre os pilotos anda tenso na F-1

Will Taylor-Medhurst/Getty Images/AFP
A disputa entre Vettel e Verstappen no México deu o que falar Imagem: Will Taylor-Medhurst/Getty Images/AFP

Julianne Cerasoli

Do UOL, em São Paulo

02/11/2016 06h00

Xingar um rival durante uma disputa não é algo novo no mundo das corridas. A diferença é que os pilotos podem, hoje em dia, trazer isso ao público. E tem alguns que não pensam duas vezes em fazê-lo. Os xingamentos via rádio têm se tornado rotina nas corridas - e expõem um clima tenso que não vinha a público no passado.

O mais reclamão é Sebastian Vettel, que incomodou até a Federação Internacional ao xingar o diretor de provas Charlie Whiting, irritado por Max Verstappen não ter cumprido uma ordem após ter saído da pista em uma disputa com o alemão no GP do México. O tetracampeão teve de se desculpar por escrito para escapar de uma punição.

Mas Whiting não foi a única vítima do piloto da Ferrari, que xingou Alonso nos treinos livres, Massa durante a corrida e o próprio Verstappen. Falando à imprensa, o espanhol e o alemão disseram que o alemão está frustrado pelo ano sem vitórias na Scuderia - e Max foi além, chamando-o de “criança”.

Vettel não tem economizado nos palavrões, mas não é o único descontente. Na mesma prova no México, Alonso chamou que “inacreditável” a manobra de Carlos Sainz na primeira volta. “Eu quase bati. Forte”, reclamou o espanhol, que tivera um bate-boca com Felipe Massa na sala dos comissários na etapa anterior, nos EUA..

Na Sauber, o clima também ficou tenso quando a equipe pediu que Felipe Nasr abrisse para Marcus Ericsson no México. “Ele não dá a mínima, né?”, disse o sueco, enquanto o brasileiro dizia que o companheiro não “está nem perto de mim para deixar passar”. Após a inversão ter sido feita, Nasr completou: “Mas se ele não abrir eu quero a posição de volta.”

Nem Daniel Ricciardo, que disse após a prova mexicana que primeiro xinga com o rádio fechado, e depois conversa com a equipe, uma vez que o piloto precisa apertar um botão para ser ouvido pelos engenheiros, escapou de um momento de fúria no último GP. “E esses caras perdendo a freada na primeira curva? [referindo-se a Hamilton e Rosberg na largada]... Coloca uma m… de um muro e eles não vão fazer isso. Esses caras da p… do jardim de infância.”

Em uma categoria na qual Daniil Kvyat disse ter descoberto após ser demitido da Red Bull com quatro corridas realizadas que “não dá para ter amigos”, é fato que o clima é tenso. E a FIA já deixou claro que o próximo que passar do limite, como Vettel na última prova, vai ser punido.

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A ridícula ciranda dos técnicos

Cerca de duas semanas atrás, o técnico Zé Ricardo foi demitido pelo Flamengo. Outro dia foi a vez de Milton Mendes ser afastado do Vasco. E o curioso é que agora o Vasco tem, em Zé Ricardo, que não mais servia para o Flamengo, a grande solução para ser o novo técnico cruzmaltino. Numa análise mais ampla foram nada menos que 16 os técnicos demitidos nas primeiras 21 rodadas deste campeonato brasileiro. O que, por sinal, lembra o que aconteceu nos últimos dois anos. E, se formos ver o que aconteceu desde o início do ano, constataremos que apenas 6 clubes mantiveram até hoje o técnico com que começaram a temporada. A título de curiosidade, são eles Fábio Carille (Corinthians), Mano Menezes (Cruzeiro), Jair Ventura (Botafogo), Renato Gaucho (Gremio), Abel Braga (Fluminense) e Claudinei Oliveira (Avaí). Esta ridícula ciranda tem, em minha opinião, uma explicação clara : a incompetência dos dirigentes. Pois são eles que escolhem o técnico e, ao faze-lo, devem (ao menos se supõe) analisar sua forma de trabalho, ver o que fizeram no passado e julgar se ele vai se adaptar ao que o clube pretende. Assim, por exemplo, contratar um técnico reconhecidamente retranqueiro para fazer o time jogar bonito e ofensivamente, constitui um absurdo total. Feita a escolha, o cartola deveria assumir a decisão e não encontrar na despedida do técnico o comodo álibi para seu erro. Erro que, para dirigentes merecedores deste rótulo, deveria ser, no mínimo, acompanhado por um pedido de demissão irrevogável de seu cargo. Infelizmente é muito mais fácil jogar a culpa num subordinado do que admitir o erro e pagar por ele. Como direta conseqüência, os técnicos acabam recebendo salários incompatíveis com a situação financeira de nosso futebol, já que se trata de uma função de alto risco. E, não raro, são promotores de contratações que podem não serem úteis no futuro, quando um novo técnico quiser implantar uma diferente filosofia de jogo. Em resumo, o grande prejudicado acaba sendo sempre o clube, onerado por dívidas que cartola algum cria nas empresas que porventura lhe pertençam. Mas aí estaríamos entrando noutro assunto, o da responsabilidade fiscal dos dirigentes, que fica para outra cronica…

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