Fórmula 1

Carro seduz menos. E isso pode explicar crise da F-1 no Brasil e no mundo

Arquivo Pessoal
A arquibancada de Interlagos em 2014; Fórmula 1 não desperta o mesmo interesse de antes Imagem: Arquivo Pessoal

Gustavo Franceschini

Do UOL, em São Paulo

11/11/2016 06h00

A Fórmula 1 perdeu um terço de sua audiência global desde 2008, sofre com a debandada de patrocinadores e debate há anos uma forma de voltar aos velhos tempos de glória e glamour. Em um esporte caro, acumulam-se explicações como crises financeiras, queda de competitividade e grande rivalidade com outras formas de entretenimento. Uma realidade dos tempos modernos, no entanto, pode ajudar a explicar esse contexto problemático para o esporte: carros não seduzem como antes, especialmente os mais jovens.

Em um mundo cada vez mais antenado em temas como meio ambiente, transporte limpo e ocupação do espaço público, corridas de carros já não atraem mais multidões. Automóveis, em si, também não. Números da Anfavea (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotivos) mostram que o número de veículos licenciados no Brasil caiu de 3,7 milhões em 2013 para 2,5 milhões em 2015, e a crise financeira não é a única culpada.

Nas últimas semanas, a Audi, uma das marcas mais tradicionais na corrida, anunciou que sairá das 24 horas de Le Mans para investir na Fórmula E, categoria que não utiliza combustíveis fósseis e é menos poluente que as demais. Outros torneios tradicionais, como o Mundial de Turismo (WTCC) e o Mundial e Rali (WRC) também sofrem com a saída de parceiros de longa data. O esvaziamento das corridas tradicionais já fez a Fórmula 1 ligar o sinal de alerta. 

O público que consome automobilismo hoje em dia é bem parecido com aquele que o fazia há duas décadas, quando a categoria vivia seu auge. Ampliar horizontes é imperativo para o futuro do esporte e do negócio, de acordo com a Liberty Media, nova dona dos direitos da categoria.

Foi pensando nisso que eles contrataram Taylor Swift para fazer um show no GP dos EUA, há duas corridas. A estratégia é completamente oposta àquela que adotava Bernie Ecclestone, que comandou o circo por décadas. “Eu não sei por que as pessoas querem tanto atingir essa tal ‘nova geração’. Para que eles querem isso? Esses garotos nem têm dinheiro. Eu prefiro chegar em um cara de 70 anos que está cheio de dinheiro”, disse o manda-chuva em 2014, em uma entrevista à Autosport.

Os números mostram que ele estava conseguindo isso. Do público que foi ao GP Brasil do ano passado, só 25% tinha menos de 30 anos de idade, de acordo com números da SPTuris, empresa que administra o autódromo de Interlagos.

“Eu tenho 41 anos. Venho de uma geração que gostava de lavar o carro no fim de semana para poder dar uma volta. A geração de hoje não tem o menor interesse por carro. O público do automobilismo hoje é muito mais velho, a gente vê isso nos autódromos. Hoje em dia, ter um carro é como ter um tênis, você não tem mais uma relação com aquilo”, disse Waldner Bernardo, o Dadai, candidato da situação à presidência da CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo).

A situação no Brasil é mais grave que a média, diga-se. Segundo Ricardo Feltrin, colunista do UOL, a queda de audiência da Fórmula 1 no país foi ainda mais acentuada que no resto do mundo: metade das pessoas abandonaram a categoria nos últimos dez anos. Se Felipe Nasr não conseguir manter seu posto na Sauber, 2017 será a primeira temporada em mais de 45 anos sem um brasileiro no grid.

“O automobilismo é ainda uma grande paixão dos brasileiros. Obviamente com a crise e custos altos que envolvem o automobilismo, estamos sofrendo muito nos últimos dois anos. Mas temos muito a evoluir: tanto no crescimento e desenvolvimento de novos pilotos, como nos eventos nacionais e também na estrutura de nossos autódromos. O público precisa voltar a ir para os autódromos em grande peso como antigamente”, disse Bia Figueiredo, que passou pela Fórmula Indy e hoje está na Stock Car.

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