Fórmula 1

De "romance" a tratamento VIP: como os pilotos escolhem seus capacetes

Bernadett Szabo/Reuters
Imagem: Bernadett Szabo/Reuters

Julianne Cerasoli

Do UOL, em São Paulo

11/11/2016 12h00

De longe, pintura à parte, eles parecem todos iguais. Mas a escolha da marca ideal de capacete é bastante pessoal para os pilotos da Fórmula 1 e envolve uma série de pré-requisitos, da refrigeração à leveza. E chega a ser um utensílio sentimental para alguns.

“Foi uma mudança romântica”, afirmou Fernando Alonso ao UOL Esporte, quando perguntado por que trocou a fabricante Schubert pela Arai no início deste ano. “Comecei minha carreira com a Arai e achei que seria um belo gesto fazer minhas últimas temporadas na Fórmula 1 com eles.

Além disso, é uma marca japonesa, então combina com nosso projeto com a Honda. A McLaren também trabalha com a Arai há muitos anos. Então era o caminho mais lógico para mim.”

O espanhol explicou que as diferenças são pequenas, porém marcantes. “Cada um tem um peso, e você sente isso quando está pilotando. A refrigeração é diferente e o conforto também muda. Mesmo que eles preparem o capacete com a forma da sua cabeça, sempre tem aquele com o qual você se sente confortável e aquele no qual tem de fazer várias mudanças. Trabalhei com a Arai por nove ou 10 anos da minha carreira, então não tive de fazer nada disso. Foi como voltar para casa.”  

Além de distintos uns dos outros, os capacetes da Fórmula 1 são bastante diferentes dos usados nas ruas. Primeiro, pois são feitos de fibra de carbono e têm até uma cobertura de zylon na parte superior da viseira, adotada após o acidente de Felipe Massa no GP da Hungria de 2009. O material é tido como a fibra sintética mais resistente que existe. O peso total gira em torno de 1,5kg, e pode ser ainda mais leve dependendo do fabricante - no caso da Stilo, apenas 1,2kg. Cada capacete é feito sob medida, por meio do escaneamento da cabeça do piloto, para garantir que seja o confortável e personalizado possível.

Mas há outros fatores que influem, como explica Felipe Nasr. “Vai depender do que o piloto sente no carro. Há alguns capacetes que, com o efeito do vento, têm a tendência de levantar a cabeça. Eu, particularmente, avalio o peso, a visão, a ventilação interna e também o isolamento, pois há diferenças de quanto o piloto quer escutar do som ambiente.”

O brasileiro foi o primeiro a utilizar o produto da empresa italiana Stilo, criada em 1999, na Fórmula 1. “Tenho a parceria com a Stilo desde 2009, quando fui correr na BMW Europeia. A indicação foi do Augusto Farfus e, desde que comecei a usar, fiquei impressionado com a qualidade e o foco total no desenvolvimento, ouvindo muito a opinião do piloto. Se eu falava que precisava de mais refrigeração ou de uma visão maior, eles nunca deixaram de ouvir para tentar fazer o melhor produto possível”, destaca.

“Acho que hoje, o capacete que uso na F-1, além de ser o mais leve do mercado - e ter um capacete leve, em uma corrida de 2h, faz muita diferença - tem uma ótima ventilação e um serviço muito particular. Porque há detalhes do capacete e das viseiras que variam de piloto para piloto.”

Neste ano, Jolyon Palmer e Valtteri Bottas também passaram a usar a marca. “Queria tentar algo novo”, revelou o finlandês. “Com todo o respeito à Arai, que era um bom capacete, eu tive a oportunidade de trabalhar com a Stilo, uma empresa relativamente jovem e que ainda está se desenvolvendo e não têm muitos pilotos na F-1. Isso faz com que eles consigam reagir relativamente rápido com as mudanças que você pede. Eles queriam melhorar o produto e eu quis ajudar. Gosto do design, da refrigeração: gosto de tudo nele.”

Todas as marcas de capacetes são diferentes do ponto de vista aerodinâmico e as equipes costumam interferir, colocando pequenas asas dependo do circuito e da interação que querem com o carro. Mas há times que interferem mais. Foi assim, inclusive, que começou a relação de Felipe Massa com a marca Schuberth.

“Quando eu cheguei na Ferrari, todos usavam essa marca, pois eles tinham um acordo. Mas depois foi o capacete que salvou minha vida, então tenho um carinho por grande pela relação que tenho com eles.”

Para Massa, são quatro os fatores importantes na hora de escolher um capacete: “ser confortável, ter uma boa entrada de ar, ser seguro e bonito. Acho o Schubert um dos mais bonitos.”

Algo semelhante aconteceu com Daniel Ricciardo, que recebeu a recomendação da Red Bull para usar os capacetes Arai. “Eles não mandaram, mas falaram que era o modelo usado nos testes com túnel de vento”, afirmou.

E o australiano, que trabalhou com os japoneses por boa parte da carreira, não se incomodou em seguir a instrução do time. “Testei a Bell em 2013, mas quando vim para a Red Bull, voltei para a Arai. De cara, o que eu mais gosto é a forma, o design. Não posso comentar muito sobre os outros e tenho certeza de que todos são bons, mas Arai é o que eu conheço. É refrigeração é boa, a visibilidade também. Então estou feliz em trabalhar com eles. Não tenho nenhum plano de mudar.”

Lewis Hamilton, por sua vez, fez o caminho inverso e, recentemente, trocou a Arai pela Bell depois de 10 anos trabalhando com os japoneses.

“Como piloto, você quer melhorar o tempo todo, e eles [da Arai] não têm colocado o capacete no túnel de vento. Gosto de capacetes que estão sendo evoluídos”, justificou.

Com as cabeças ‘feitas’ pelas marcas em que mais confiam, os pilotos iniciam as atividades para o GP do Brasil hoje, com duas sessões de treinos livres de 1h30 a partir das 10h e das 14h. No sábado de manhã, às 11h, ocorre o terceiro treino livre, antes da classificação, às 14h. Já a largada será dada às 14h do domingo.

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