Fórmula 1

Red Bull encosta, mas Mercedes 'liga o turbo' na classificação. Entenda

Clive Rose/Getty Images
Imagem: Clive Rose/Getty Images

Julianne Cerasoli

Do UOL, em São Paulo

19/11/2016 06h00

Não é raro vermos as Red Bull ou até mesmo as Ferrari liderando o último treino livre antes da classificação, realizado três horas antes da definição do grid, ou mesmo o Q1 e o Q2, quando as posições do 11º posto em diante são definidas. Porém, quando chega a hora do Q3 e da definição da pole position, as Mercedes são imbatíveis: Nico Rosberg ou Lewis Hamilton só não largaram em primeiro em três provas nos últimos três anos.

Além da qualidade do carro da Mercedes em si, o grande diferencial é o chamado modo de classificação, uma regulagem de software poderosa que permite otimizar a recuperação de energia na volta anterior e despejar toda a potência em uma volta rápida. O mesmo modo, inclusive, é usado nas primeiras voltas das corridas para que Rosberg e Hamilton se livrem das ameaças dos rivais e possam dosar mais o ritmo dali em diante.

“Eu gostaria de pensar que essa é a grande diferença”, admite Daniel Ricciardo, da Red Bull, único a quebrar o domínio das poles nesta temporada, o que ocorreu justamente na pista em que a potência do motor conta menos, em Mônaco. “Eles realmente conseguem usar mais potência do motor no sábado.”

Porém, uma das mudanças no regulamento para a próxima temporada é a liberação do desenvolvimento das unidades de potência e o grande foco dos rivais da Mercedes - Renault, que equipa a Red Bull, Ferrari e Honda - será melhorar sua configuração de classificação.

Outro ponto importante será a maior importância da aerodinâmica em detrimento do motor, algo em que Ricciardo e companhia apostam para bater os tricampeões mundiais. Depois de ver sua equipe crescer bastante nesta temporada, o australiano se mostra animado com a forma como o carro tem sido constantemente melhorado, indicando que o processo de criação e produção de novas peças está funcionando.

“O nível de pilotagem que estamos mantendo certamente está nos ajudando como equipe. E um força o outro”, lembrou o companheiro da sensação do campeonato, Max Verstappen. A dupla segue na Red Bull em 2017. “Parece que tudo o que colocamos no carro - e acho que as informações que passamos aos engenheiros também ajudam - funciona e melhora a performance. Desde que eu cheguei na Red Bull, é o melhor ano nesse sentido: tudo o que colocamos no carro vai na direção certa.”

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A ridícula ciranda dos técnicos

Cerca de duas semanas atrás, o técnico Zé Ricardo foi demitido pelo Flamengo. Outro dia foi a vez de Milton Mendes ser afastado do Vasco. E o curioso é que agora o Vasco tem, em Zé Ricardo, que não mais servia para o Flamengo, a grande solução para ser o novo técnico cruzmaltino. Numa análise mais ampla foram nada menos que 16 os técnicos demitidos nas primeiras 21 rodadas deste campeonato brasileiro. O que, por sinal, lembra o que aconteceu nos últimos dois anos. E, se formos ver o que aconteceu desde o início do ano, constataremos que apenas 6 clubes mantiveram até hoje o técnico com que começaram a temporada. A título de curiosidade, são eles Fábio Carille (Corinthians), Mano Menezes (Cruzeiro), Jair Ventura (Botafogo), Renato Gaucho (Gremio), Abel Braga (Fluminense) e Claudinei Oliveira (Avaí). Esta ridícula ciranda tem, em minha opinião, uma explicação clara : a incompetência dos dirigentes. Pois são eles que escolhem o técnico e, ao faze-lo, devem (ao menos se supõe) analisar sua forma de trabalho, ver o que fizeram no passado e julgar se ele vai se adaptar ao que o clube pretende. Assim, por exemplo, contratar um técnico reconhecidamente retranqueiro para fazer o time jogar bonito e ofensivamente, constitui um absurdo total. Feita a escolha, o cartola deveria assumir a decisão e não encontrar na despedida do técnico o comodo álibi para seu erro. Erro que, para dirigentes merecedores deste rótulo, deveria ser, no mínimo, acompanhado por um pedido de demissão irrevogável de seu cargo. Infelizmente é muito mais fácil jogar a culpa num subordinado do que admitir o erro e pagar por ele. Como direta conseqüência, os técnicos acabam recebendo salários incompatíveis com a situação financeira de nosso futebol, já que se trata de uma função de alto risco. E, não raro, são promotores de contratações que podem não serem úteis no futuro, quando um novo técnico quiser implantar uma diferente filosofia de jogo. Em resumo, o grande prejudicado acaba sendo sempre o clube, onerado por dívidas que cartola algum cria nas empresas que porventura lhe pertençam. Mas aí estaríamos entrando noutro assunto, o da responsabilidade fiscal dos dirigentes, que fica para outra cronica…

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