Fórmula 1

Cinco motivos que levaram Nico a vencer Hamilton na temporada 2016 da F-1

Lars Baron/Getty Images
Imagem: Lars Baron/Getty Images

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Abu Dhabi

29/11/2016 06h00

Foi uma conquista que começou com uma derrota sofrida em 2015, como ele mesmo reconhece. Minimizando seus erros e aproveitando as brechas dadas por Lewis Hamilton, Nico Rosberg conquistou seu primeiro título mundial. Mas isso não conta toda a história: a maneira como ele trabalhou o lado mental e algumas performances às quais o companheiro de Mercedes não teve como responder também explicam como o alemão superou um piloto considerado superior.

Isso, até pelo próprio Rosberg. “Ele é um piloto incrível, um dos melhores da história, então é incrivelmente especial batê-lo porque o nível é muito alto e isso torna essa conquista ainda mais satisfatória para mim”, reconheceu o novo campeão mundial.

Os 5 momentos que deram o título a Rosberg:

Aproveitou largadas ruins de Hamilton e abriu vantagem importante logo de cara
Hamilton começou o ano com duas poles, mas largadas ruins, na estreia de um novo sistema, menos automatizado, fizeram o inglês perder a primeira posição para Rosberg logo nos primeiros metros. Ao aproveitar estas brechas, o alemão abriu uma vantagem importante bem de cara.

Manteve a cabeça no lugar após o julho 100% de Hamilton
Rosberg viu sua vantagem de 43 pontos obtida com as quatro vitórias no início do ano virar poeira quando Hamilton reagiu devolvendo na mesma moeda: após vencer as quatro provas disputadas em julho, o inglês foi para a pausa de agosto com 19 pontos de vantagem. Mas tudo o que Rosberg fez foi manter seu discurso de “atacar uma corrida por vez, sem pensar no campeonato”. E funcionou.

Foi muito superior em duas pistas ‘de piloto’
Ninguém questiona a capacidade de Lewis Hamilton, um piloto que consegue ao mesmo tempo ser extremamente agressivo com os freios e poupar equipamento de forma inteligente. Mas é fato que o inglês foi absolutamente dominado em duas das pistas consideradas das mais difíceis do campeonato: Cingapura e Japão, duas vitórias que colocaram Rosberg em posição de lucrar muito com a quebra do motor do companheiro que aconteceria logo em seguida..

Foi para cima de seu algoz na temporada na prova decisiva
Não foram poucas as vezes que Max Verstappen e Nico Rosberg se encontraram na pista ao longo do ano, na maioria das vezes com vantagem para o holandês - e em algumas delas, eles chegaram a se tocar. E, na decisão em Abu Dhabi, Rosberg se viu simplesmente tendo de ultrapassar na pista o piloto da Red Bull, que fazia uma estratégia diferente. E a maneira decidida e agressiva como Rosberg foi para cima de Max serviu para coroar sua conquista.

Perdeu o campeonato de 2015 errando
Pode parecer estranho, mas o próprio Rosberg destacou após a conquista em Abu Dhabi que a forma como encarou a derrota do campeonato passado foi fundamental para virar o jogo neste ano. O alemão foi amplamente dominado por Hamilton na última temporada. Tanto, que o inglês selou o tri com três corridas para o final do ano. Porém, a forma como a derrota aconteceu em Austin foi particularmente dolorida para Rosberg, que liderava uma prova difícil com chuva quando errou nas voltas finais. “Passei dois dias sozinho pensando que jamais queria passar por aquilo de novo e, a partir daí, venci sete corridas seguidas. Então foi um dos momentos-chave para eu estar aqui hoje.”

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A ridícula ciranda dos técnicos

Cerca de duas semanas atrás, o técnico Zé Ricardo foi demitido pelo Flamengo. Outro dia foi a vez de Milton Mendes ser afastado do Vasco. E o curioso é que agora o Vasco tem, em Zé Ricardo, que não mais servia para o Flamengo, a grande solução para ser o novo técnico cruzmaltino. Numa análise mais ampla foram nada menos que 16 os técnicos demitidos nas primeiras 21 rodadas deste campeonato brasileiro. O que, por sinal, lembra o que aconteceu nos últimos dois anos. E, se formos ver o que aconteceu desde o início do ano, constataremos que apenas 6 clubes mantiveram até hoje o técnico com que começaram a temporada. A título de curiosidade, são eles Fábio Carille (Corinthians), Mano Menezes (Cruzeiro), Jair Ventura (Botafogo), Renato Gaucho (Gremio), Abel Braga (Fluminense) e Claudinei Oliveira (Avaí). Esta ridícula ciranda tem, em minha opinião, uma explicação clara : a incompetência dos dirigentes. Pois são eles que escolhem o técnico e, ao faze-lo, devem (ao menos se supõe) analisar sua forma de trabalho, ver o que fizeram no passado e julgar se ele vai se adaptar ao que o clube pretende. Assim, por exemplo, contratar um técnico reconhecidamente retranqueiro para fazer o time jogar bonito e ofensivamente, constitui um absurdo total. Feita a escolha, o cartola deveria assumir a decisão e não encontrar na despedida do técnico o comodo álibi para seu erro. Erro que, para dirigentes merecedores deste rótulo, deveria ser, no mínimo, acompanhado por um pedido de demissão irrevogável de seu cargo. Infelizmente é muito mais fácil jogar a culpa num subordinado do que admitir o erro e pagar por ele. Como direta conseqüência, os técnicos acabam recebendo salários incompatíveis com a situação financeira de nosso futebol, já que se trata de uma função de alto risco. E, não raro, são promotores de contratações que podem não serem úteis no futuro, quando um novo técnico quiser implantar uma diferente filosofia de jogo. Em resumo, o grande prejudicado acaba sendo sempre o clube, onerado por dívidas que cartola algum cria nas empresas que porventura lhe pertençam. Mas aí estaríamos entrando noutro assunto, o da responsabilidade fiscal dos dirigentes, que fica para outra cronica…

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