Fórmula 1

Você sabia que a Fórmula 1 já teve corrida em pleno Ano Novo?

Arquivo Folha
As duas corridas realizadas no Ano Novo foram vencidas por Jim Clark Imagem: Arquivo Folha

Julianne Cerasoli

Do UOL, em São Paulo

01/01/2017 06h00

A Fórmula 1 vive atualmente às voltas com os maiores calendários de sua história e uma série de problemas logísticos em decorrência disso, mas engana-se quem pensa que o calendário da categoria nunca se estendeu até o período de festas de fim de ano. Na década de 1960, os pilotos e equipes tiveram, inclusive, etapas disputadas no dia 1º de janeiro.

Em 1965, o campeonato começou no Ano Novo, apenas cinco semanas depois da decisão do ano anterior, em que John Surtees, da Ferrari, bateu Jim Clark, da Lotus, na última volta. Isso fez, inclusive, que as equipes usassem os mesmos carros do ano anterior naquele GP da África do Sul. A maioria das equipes, na verdade, continuaria com os mesmos carros por todo o ano, pois já estava acertado que, em 1966, haveria uma mudança de regulamento

A corrida não foi das mais movimentadas. Clark fez a pole com quase um segundo de vantagem para Surtees e liderou de ponta a ponta. Pela maior parte da prova, seu rival mais próximo foi o companheiro de equipe Mike Spence, que acabou rodando em duas ocasiões e terminou fora do pódio, sendo ultrapassado pelo próprio campeão do ano anterior e Graham Hill, na época piloto da BRM. Mas aquele 1º de janeiro ainda marcaria a estreia de um tricampeão, Jackie Stewart.

Mesmo começando no primeiro dia do ano, a temporada de 1965 - que acabou sendo amplamente dominada por Clark - teve apenas 10 etapas e terminou em 24 de outubro.

Três anos depois, a Fórmula 1 começaria uma temporada novamente dia 1º de janeiro - e, desta vez, terminaria apenas em novembro: em Kyalami, também na África do Sul, Clark voltaria a ser o favorito, após sete vitórias consecutivas no ano anterior.

O escocês fez a pole position com um segundo de vantagem para o próprio companheiro Hill. Na largada, Clark chegou a ser superado pelo terceiro colocado Stewart, mas recuperou a ponta na segunda volta. O único que poderia incomodá-lo, Hill, teve de fazer uma prova de recuperação depois de cair para sétimo nos primeiros metros e terminou em segundo naquela que seria a última prova oficial de Jim Clark.

Considerado um dos maiores pilotos da história, o escocês morreria em um acidente de Fórmula 2, em Hockenheim, em abril, antes do início da temporada europeia da F-1. O bicampeão do mundo morreu aos 32 anos e deixou aberto o caminho para o companheiro Hill ser o campeão da temporada de 1968.

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A ridícula ciranda dos técnicos

Cerca de duas semanas atrás, o técnico Zé Ricardo foi demitido pelo Flamengo. Outro dia foi a vez de Milton Mendes ser afastado do Vasco. E o curioso é que agora o Vasco tem, em Zé Ricardo, que não mais servia para o Flamengo, a grande solução para ser o novo técnico cruzmaltino. Numa análise mais ampla foram nada menos que 16 os técnicos demitidos nas primeiras 21 rodadas deste campeonato brasileiro. O que, por sinal, lembra o que aconteceu nos últimos dois anos. E, se formos ver o que aconteceu desde o início do ano, constataremos que apenas 6 clubes mantiveram até hoje o técnico com que começaram a temporada. A título de curiosidade, são eles Fábio Carille (Corinthians), Mano Menezes (Cruzeiro), Jair Ventura (Botafogo), Renato Gaucho (Gremio), Abel Braga (Fluminense) e Claudinei Oliveira (Avaí). Esta ridícula ciranda tem, em minha opinião, uma explicação clara : a incompetência dos dirigentes. Pois são eles que escolhem o técnico e, ao faze-lo, devem (ao menos se supõe) analisar sua forma de trabalho, ver o que fizeram no passado e julgar se ele vai se adaptar ao que o clube pretende. Assim, por exemplo, contratar um técnico reconhecidamente retranqueiro para fazer o time jogar bonito e ofensivamente, constitui um absurdo total. Feita a escolha, o cartola deveria assumir a decisão e não encontrar na despedida do técnico o comodo álibi para seu erro. Erro que, para dirigentes merecedores deste rótulo, deveria ser, no mínimo, acompanhado por um pedido de demissão irrevogável de seu cargo. Infelizmente é muito mais fácil jogar a culpa num subordinado do que admitir o erro e pagar por ele. Como direta conseqüência, os técnicos acabam recebendo salários incompatíveis com a situação financeira de nosso futebol, já que se trata de uma função de alto risco. E, não raro, são promotores de contratações que podem não serem úteis no futuro, quando um novo técnico quiser implantar uma diferente filosofia de jogo. Em resumo, o grande prejudicado acaba sendo sempre o clube, onerado por dívidas que cartola algum cria nas empresas que porventura lhe pertençam. Mas aí estaríamos entrando noutro assunto, o da responsabilidade fiscal dos dirigentes, que fica para outra cronica…

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