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Fórmula 1

Corridas sem graça, Mercedes dominando: por que a F-1 está tão pessimista?

REUTERS/Adrees Latif
Imagem: REUTERS/Adrees Latif

Julianne Cerasoli

Do UOL, em São Paulo

26/01/2017 09h45

Seria esperado que a expectativa de um novo regulamento animasse equipes e pilotos para a temporada de 2017 da Fórmula 1, que terá sua primeira etapa em exatos dois meses, na Austrália. Mas não é isso que tem acontecido: muitos especialistas estão céticos a respeito das novidades.

O grande temor é que o aumento das velocidades de curva, gerados pela maior aderência vinda tanto das mudanças aerodinâmicas, quanto do novo pneu, torne ainda mais difícil ultrapassar na pista.

Tanto, que a própria Pirelli vem avisando que as corridas “podem se tornar uma procissão”. Isso porque, com a maior pressão aerodinâmica, pode ficar mais difícil para um piloto seguir o rival de perto para tentar uma ultrapassagem, uma vez que o carro ficará mais sensível ao ar turbulento.

"Que a gente vai ter um carro muito mais bacana de guiar, isso não é dúvida”, disse Felipe Massa ao UOL Esporte. “Por outro lado, quanto mais carga aerodinâmica a gente tiver, mais difícil fica seguir outro carro e ultrapassar. Então, se você tem um carro muito mais rápido, mais legal para os pilotos, mas menos ultrapassagem, será que vai ser mais legal para o público? O público vai conseguir entender a velocidade maior, da mesma forma que os pilotos?", questionou.

"Vai acontecer ultrapassagens, mas menos. Não vai ser outra Fórmula 1. Talvez seja mais difícil fisicamente e tenhamos mais erros, porque se for mesmo mais difícil fisicamente haverá pilotos que podem sofrer mais do que outros. Mas vai ser melhor para o público? Não sei. É um risco.”

Outro piloto que não gostou das novas regras é Lewis Hamilton. “Aumentar a pressão aerodinâmica foi a pior ideia que eles poderiam ter. Isso só mostra que eles não sabem o que fazer para resolver a questão das disputas na pista”.

E as críticas de Hamilton não têm a ver com o temor pelo fim da supremacia da Mercedes, pelo menos na opinião de seus rivais. Os alemães vêm dominando a categoria desde a introdução dos motores V6 turbo híbridos, em 2014, e Jenson Button crê que isso dificilmente será revertido por algum rival. “É um grande desafio”, disse o inglês, que atuará como um terceiro piloto de luxo da McLaren neste ano, trabalhando no simulador do time. “Com o regulamento atual, haverá muito mais arrasto [devido ao aumento da pressão aerodinâmica]. Então é necessário ter muita potência e a Mercedes parece ter isso”, lembrou.

O próprio Ross Brawn, que assumiu nesta semana o controle da parte esportiva da F-1, afirmou recentemente esperar que a Mercedes siga na frente porque “viu logo nas primeiras etapas do ano passado que era superior e pôde focar no projeto de 2017 bem cedo”.

As dúvidas sobre a temporada começarão a ser tiradas nos testes da pré-temporada, a partir de 27 de fevereiro, na Espanha.

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