Fórmula 1

Sentindo-se "estreante", Massa divide opiniões na F1 após retorno relâmpago

Robert Cianflone/Getty Images
Imagem: Robert Cianflone/Getty Images

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Melbourne (AUS)

23/03/2017 04h05

Revigorado. Era este o espírito de Felipe Massa durante as entrevistas do primeiro dia de atividades para o GP da Austrália, que abre a temporada de 2017 da Fórmula 1. Retornando ao paddock depois de menos de dois meses oficialmente aposentado da categoria, o brasileiro se mostrou muito animado com a oportunidade e reconheceu que sequer teve tempo de sentir falta do grid.

“Sinto-me um estreante. Dei um tempo na minha carreira, agora estou de volta. Agora é tudo novo”, brincou em entrevista ao UOL Esporte. “Não deu tempo de sentir falta de nada. Tudo aconteceu muito em cima e acho que o tempo em que eu estava pensando ‘o que é que eu vou fazer’ passou bem mais rápido do que eu achava e eu encontrei o que queria. Estou feliz, motivado e pronto para isso que não sei se é um recomeço ou uma nova história. Acho que as coisas acontecem por algum motivo e talvez não fosse a hora de eu ir fazer outra coisa.”

Fora dos microfones, o UOL Esporte ouviu algumas críticas ao retorno de Massa, que foi chamado em dezembro, menos de um mês depois de fazer, oficialmente, sua última corrida, após a surpreendente aposentadoria do campeão Nico Rosberg.

Há mecânicos da própria Williams frustrados pelo retorno após tantas despedidas emocionantes no final do ano passado e jornalistas questionando se a Williams não deveria ter apostado em um piloto mais jovem, mesmo com a presença de Lance Stroll, de 18 anos, no outro carro da equipe.

Entre os pilotos, contudo, o brasileiro foi bem recebido pelos ex-companheiros de equipe, Valtteri Bottas e Fernando Alonso. Ao UOL Esporte, o finlandês, responsável indireto pelo retorno do piloto após ter sido escolhido como o substituto de Nico Rosberg na Mercedes, entregou que Massa nunca realmente deixou a F-1.

“Não é uma volta, na verdade, porque ele nunca foi embora. Obviamente, é bom vê-lo na Fórmula 1, ele é um cara legal e um bom piloto e acho que ele definitivamente merece continuar na categoria. Estou feliz por ele.”

Já Alonso destacou a qualidade de seu ex-companheiro de Ferrari. “Depois de tudo o que aconteceu ano passado, fico feliz de vê-lo novamente aqui no grid. Ele é uma ótima pessoa e um grande piloto, então acredito que seja melhor para a F-1 que o Felipe continue.”

As atividades para o GP da Austrália começam com os treinos livres na quinta-feira às 22h30 pelo horário de Brasília. O segundo treino livre começa às 2h30 da sexta-feira e o terceiro, à meia-noite do sábado. Todas as sessões serão transmitidas pelo SporTV, que também mostra a classificação na íntegra a partir das 3h do sábado, sendo que os últimos 15 minutos também serão transmitidos pela Globo. A corrida tem largada às 2h com transmissão pela Rede Globo.

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A ridícula ciranda dos técnicos

Cerca de duas semanas atrás, o técnico Zé Ricardo foi demitido pelo Flamengo. Outro dia foi a vez de Milton Mendes ser afastado do Vasco. E o curioso é que agora o Vasco tem, em Zé Ricardo, que não mais servia para o Flamengo, a grande solução para ser o novo técnico cruzmaltino. Numa análise mais ampla foram nada menos que 16 os técnicos demitidos nas primeiras 21 rodadas deste campeonato brasileiro. O que, por sinal, lembra o que aconteceu nos últimos dois anos. E, se formos ver o que aconteceu desde o início do ano, constataremos que apenas 6 clubes mantiveram até hoje o técnico com que começaram a temporada. A título de curiosidade, são eles Fábio Carille (Corinthians), Mano Menezes (Cruzeiro), Jair Ventura (Botafogo), Renato Gaucho (Gremio), Abel Braga (Fluminense) e Claudinei Oliveira (Avaí). Esta ridícula ciranda tem, em minha opinião, uma explicação clara : a incompetência dos dirigentes. Pois são eles que escolhem o técnico e, ao faze-lo, devem (ao menos se supõe) analisar sua forma de trabalho, ver o que fizeram no passado e julgar se ele vai se adaptar ao que o clube pretende. Assim, por exemplo, contratar um técnico reconhecidamente retranqueiro para fazer o time jogar bonito e ofensivamente, constitui um absurdo total. Feita a escolha, o cartola deveria assumir a decisão e não encontrar na despedida do técnico o comodo álibi para seu erro. Erro que, para dirigentes merecedores deste rótulo, deveria ser, no mínimo, acompanhado por um pedido de demissão irrevogável de seu cargo. Infelizmente é muito mais fácil jogar a culpa num subordinado do que admitir o erro e pagar por ele. Como direta conseqüência, os técnicos acabam recebendo salários incompatíveis com a situação financeira de nosso futebol, já que se trata de uma função de alto risco. E, não raro, são promotores de contratações que podem não serem úteis no futuro, quando um novo técnico quiser implantar uma diferente filosofia de jogo. Em resumo, o grande prejudicado acaba sendo sempre o clube, onerado por dívidas que cartola algum cria nas empresas que porventura lhe pertençam. Mas aí estaríamos entrando noutro assunto, o da responsabilidade fiscal dos dirigentes, que fica para outra cronica…

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