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Fórmula 1

Análise: Como o sucesso das novas regras e braço de Hamilton decidiram o GP

REUTERS/Juan Medina
Lewis Hamilton comemora no pódio em Barcelona: vitória e pressão sobre Vettel na classificação Imagem: REUTERS/Juan Medina

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Londres

16/05/2017 10h23

Quando a Fórmula 1 decidiu mudar suas regras para esta temporada, as promessas foram três: corridas com pé embaixo, sem preocupação exagerada com consumo de pneus ou de combustível, carros visivelmente mais rápidos e aumento da competitividade. E o GP da Espanha teve tudo isso.

O aumento significativo da velocidade em uma volta lançada já vinha sendo observado desde a pré-temporada, realizada justamente no Circuito da Catalunha, muito em função da aderência extra dos novos pneus e das novas configurações aerodinâmicas, com asas mais largas e o perfil mais baixo dos carros. E, mesmo com uma volta que não foi perfeita, Lewis Hamilton bateu a meta de abaixar em 5s a pole position do ano retrasado, sendo 5s532 melhor do que Nico Rosberg fora em 2015.

Mas o que realmente chamou a atenção na Espanha foi a capacidade dos pilotos adotarem um ritmo forte durante a corrida. A melhor volta da prova, de Hamilton, foi um pouco mais lenta que a melhor de cinco anos atrás, mas com uma diferença marcante: foi feita na parte final da corrida, depois de 28 voltas com o mesmo jogo de pneus, mostrando que ele teve de forçar o ritmo o tempo todo e só conseguiu o melhor giro quando o nível de combustível era mais baixo.

Nos anos anteriores, a alta degradação trouxe mais ultrapassagens, mas também significou que, logo depois de suas paradas nos boxes, os pilotos tivessem de começar a dosar o ritmo, focando apenas em não destruir seus pneus até o final da prova.

O fato de Hamilton ter que forçar o tempo todo, e até acabar o GP bem mais cansado do que de costume, também tem outro motivo: para vencer na Espanha, o inglês teve que superar uma Ferrari mais rápida e com Sebastian Vettel em uma performance bastante forte.

Com isso, a corrida foi decidida em detalhes: a aposta da Mercedes de usar cedo o composto médio - que tinha se mostrado muito ruim nos treinos livres, mas foi bem mais rápido durante a corrida -, os cerca de 9s perdidos por Vettel atrás de Valtteri Bottas antes do alemão conseguir uma grande ultrapassagem e a decisão da Mercedes de antecipar a parada de Hamilton durante o período de Safety Car Virtual, que novamente deixou a Ferrari em desvantagem tática.

Mas engana-se que a vitória foi apenas de estratégia: nada disso teria sido suficiente não fosse uma volta espetacular de Hamilton no retorno de sua última parada: seus setores 2 (30s792) e 3 (28s367) foram tão fortes que são comparáveis aos carros que entraram no top 10 na classificação. E isso com combustível para cerca de 30 voltas ainda no carro.

Foi por essas e outras que o GP da Espanha pode ser considerado uma prova disputada em altíssimo nível dentro e fora do cockpit. E foi a prova de que a F-1 acertou com as mudanças que fez para esta temporada.

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