Fórmula 1

Alonso persegue feito de Hill. Mas ele não ligava muito para Tríplice Coroa

Getty Images
A BRM de Graham Hill em 1962 Imagem: Getty Images

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Mônaco

26/05/2017 04h00

Quando Fernando Alonso conquistou o bicampeonato da F-1 em 2005 e 2006, aos 25 anos, parecia que a categoria tinha entrado em uma nova Era Schumacher e que o espanhol colecionaria tantos títulos quanto o heptacampeão. Após algumas decisões erradas na carreira e três vice-campeonatos, o tempo foi passando e o hoje piloto da McLaren percebeu que seria difícil superar o alemão. Seu foco, então, virou-se para outro feito: a Tríplice Coroa, conquistada apenas uma vez na história, por Graham Hill.

Não se trata de nenhuma competição oficial e é algo que ficou adormecido na história do automobilismo nas últimas décadas, mas consiste em vencer as três principais provas do mundo: o GP de Mônaco da Fórmula 1, as 500 Milhas de Indianápolis e as 24 Horas de Le Mans. Afinal, ao fazer isso, um piloto mostra sua perícia, sua velocidade e sua regularidade.

Curiosamente, em entrevista concedida à TV inglesa em 1975, no ano de sua morte, Graham Hill disse que o título da Fórmula 1 era mais importante para ele que a Tríplice Coroa.

“Foi muito bom divertido ganhar Le Mans depois de tantos anos tentando e isso quis dizer que eu conquistei a Tríplice Coroa, mas tenho de dizer que ganhar o campeonato foi mais… bom, você tem que ganhar um campeonato inteiro, um ano inteiro, o que significa cerca de 15 corridas.”

O que talvez o britânico não soubesse na época é que seu feito jamais seria repetido. Porém, mesmo nos anos 1960, quando era mais comum que pilotos de F-1 disputassem outras categoria paralelamente, era raridade colecionar vitóritas nas provas tradicionais e apenas Jochen Rindt venceu Monaco e Le Mans, enquanto Jim Clark conquistou Indianápolis e foi campeão na F-1.

Atualmente, o piloto que está mais próximo da Tríplice Coroa estará com Alonso no grid em Indianápolis: Juan Pablo Montoya, que venceu duas vezes a Indy 500 e conquistou o GP de Mônaco em 2003. O colombiano chegou a disputar as 24 Horas de Le Mans em 2008 e foi segundo colocado.

Já Alonso ganhou o GP de Mônaco em 2006 e 2007 e nunca correu em Indianápolis ou em Le Mans, algo que ele pretende fazer em um futuro próximo. “Tenho 35 anos, então tenho muito tempo para vencer Le Mans”, acredita o espanhol.

Porém, se a experiência de Hill vale, melhor Alonso ficar alerta mesmo é com a prova do próximo domingo. “Diria que Indianápolis me ‘pilhou’ mais que as outras provas. Lembro que eu quase bati logo no começo, depois de 5 metros!”, disse o britânico, com um sorriso no rosto. Afinal, um grande acidente na primeira volta na prova de 1966 fez 11 pilotos abandonarem.

Veja curiosidades sobre o GP de Mônaco

A Tríplice Coroa de Hill

Graham Hill entrou relativamente tarde no automobilismo: competia no remo quando, aos 25 anos, pilotou um F-3 em Brands Hatch, na Inglaterra, pela primeira vez e decidiu seguir carreira no esporte. Hill chegou a ser mecânico do lendário projetista da Lotus Colin Chapman antes de começar a pilotar profissionalmente e rapidamente se tornou um dos membros da chamada “invasão britânica” no automobilismo nos anos 1960, tendo estreado na F-1 em 1958.

A primeira vitória da Tríplice Coroa foi no GP de Mônaco, com 1963, depois que Hill já tinha conquistado seu primeiro título mundial, no ano anterior. O britânico ficaria conhecido como Mr. Mônaco por colecionar triunfos no circuito, vencendo cinco edições da corrida, feito que seria apenas superado por Ayrton Senna.

A vitória nas 500 Milhas de Indianápolis ocorreu em 1966, curiosamente anos depois da prova ter deixado de fazer parte do calendário da F-1, o que acontecera entre 1950 e 1960. Mas a Lotus de Chapman continuava disputando a prova, mesmo com o conflito de datas com o GP de Mônaco, que já existia naquela época. Geralmente, o piloto escolhido era Jim Clark, que acabou nunca conquistando a prova monegasca, apesar de ter vencido as 500 Milhas, mas entre 1966 e 68 foi Hill quem disputou a prova, ganhando em sua primeira tentativa e abandonando as duas seguintes.

Mas a prova mais difícil das três para o britânico acabou sendo as 24 Horas de Le Mans: foi apenas na décima participação, entre 1958 e 1972, que Hill ganhou. Antes disso, havia abandonado seis vezes e sido segundo colocado no geral em uma oportunidade, em 64. A vitória veio quando o bicampeão da F-1 tinha 43 anos.

Hill morreu três anos após a conquista. Ele mesmo pilotava o avião e acabou não notando, devido à baixa visibilidade, que estava muito próximo do solo. O voo transportava outros membros da equipe que ele mesmo comandava na F-1, a Embassy Hill.

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