Fórmula 1

Teve jogo de equipe? Vitória de Vettel gera polêmica em Mônaco

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Mônaco (MON)

28/05/2017 13h56

A Ferrari conquistou sua primeira dobradinha desde o GP da Alemanha de 2010, quando Felipe Massa abriu para Fernando Alonso vencer. E, assim como naquela prova, a corrida acabou com muita polêmica depois que Kimi Raikkonen saiu na pole, mas Sebastian Vettel contou com uma estratégia melhor e venceu a prova. Teria a Ferrari interferido no resultado para garantir que o líder do campeonato conseguisse maximizar sua pontuação?

Vettel defende que não. O alemão afirmou que o procedimento da Ferrari, de chamar o então líder Raikkonen para os boxes primeiro, seria o normal a fazer em qualquer equipe. E que o fato dele ter conseguido adotar um ritmo mais forte e voltar à frente do companheiro após sua parada surpreendeu até ele próprio.

“Não acho que vocês têm de criar uma grande história. Acho que é normal que ele esteja chateado porque está aqui para vencer. Ele está aqui há algum tempo e ainda está forçando bastante. Quando me perguntaram no começo do ano sobre a diferença entre nós, eu disse que o duelo estava apertado e ele realmente esteve muito próximo de mim na Rússia e na Espanha. Então não é uma surpresa para mim”, afirmou o piloto, ouvido pelo UOL Esporte em Mônaco.

“E é normal sair chateado se você tem a chance de vencer e não consegue. E é normal também que o piloto que está na frente tenha a prioridade de parar primeiro. Eu sabia que era minha chance de vencer e forcei muito o ritmo - até me surpreendi por ter sido tão rápido e saído na frente.”

Sempre econômico nas palavras, Raikkonen, que não ficou mas de cinco minutos na área de entrevistas, não escondeu a decepção. “Claro que é um bom resultado se olhar as corridas anteriores, neste final de semana eu esperava um pouco mais.”

O resultado acabou sendo importante para Vettel no campeonato: como Hamilton foi apenas o sétimo colocado depois de uma classificação ruim, o alemão ampliou sua folga na liderança de seis para 25 pontos.

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A ridícula ciranda dos técnicos

Cerca de duas semanas atrás, o técnico Zé Ricardo foi demitido pelo Flamengo. Outro dia foi a vez de Milton Mendes ser afastado do Vasco. E o curioso é que agora o Vasco tem, em Zé Ricardo, que não mais servia para o Flamengo, a grande solução para ser o novo técnico cruzmaltino. Numa análise mais ampla foram nada menos que 16 os técnicos demitidos nas primeiras 21 rodadas deste campeonato brasileiro. O que, por sinal, lembra o que aconteceu nos últimos dois anos. E, se formos ver o que aconteceu desde o início do ano, constataremos que apenas 6 clubes mantiveram até hoje o técnico com que começaram a temporada. A título de curiosidade, são eles Fábio Carille (Corinthians), Mano Menezes (Cruzeiro), Jair Ventura (Botafogo), Renato Gaucho (Gremio), Abel Braga (Fluminense) e Claudinei Oliveira (Avaí). Esta ridícula ciranda tem, em minha opinião, uma explicação clara : a incompetência dos dirigentes. Pois são eles que escolhem o técnico e, ao faze-lo, devem (ao menos se supõe) analisar sua forma de trabalho, ver o que fizeram no passado e julgar se ele vai se adaptar ao que o clube pretende. Assim, por exemplo, contratar um técnico reconhecidamente retranqueiro para fazer o time jogar bonito e ofensivamente, constitui um absurdo total. Feita a escolha, o cartola deveria assumir a decisão e não encontrar na despedida do técnico o comodo álibi para seu erro. Erro que, para dirigentes merecedores deste rótulo, deveria ser, no mínimo, acompanhado por um pedido de demissão irrevogável de seu cargo. Infelizmente é muito mais fácil jogar a culpa num subordinado do que admitir o erro e pagar por ele. Como direta conseqüência, os técnicos acabam recebendo salários incompatíveis com a situação financeira de nosso futebol, já que se trata de uma função de alto risco. E, não raro, são promotores de contratações que podem não serem úteis no futuro, quando um novo técnico quiser implantar uma diferente filosofia de jogo. Em resumo, o grande prejudicado acaba sendo sempre o clube, onerado por dívidas que cartola algum cria nas empresas que porventura lhe pertençam. Mas aí estaríamos entrando noutro assunto, o da responsabilidade fiscal dos dirigentes, que fica para outra cronica…

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