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Fórmula 1

Análise: Alonso ganhou mais na Indy do que nos últimos quatro anos na F-1

Thomas J. Russo/Reuters
Alonso foi bastante solicitado pelos repórteres Imagem: Thomas J. Russo/Reuters

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Londres (ING)

30/05/2017 08h02

Fernando Alonso abandonou as 500 Milhas de Indianápolis com uma quebra de motor - problema que tem o atormentado na Fórmula 1 nos últimos anos com a Honda - a 20 voltas do final. Mas esta foi a única derrota do piloto espanhol, que sai da experiência de disputar pela primeira vez a tradicional prova recheado de prestígio, aplaudido de pé pela torcida - e até mais rico.

O espanhol foi escolhido o “estreante do ano” em cerimônia realizada na noite desta segunda-feira em Indianápolis e, com isso, levou 305.085 dólares. Mais do que isso, do lado comercial, o piloto aproveitou o mês que teve com grande exposição na mídia para promover sua marca de roupas e acessórios.

Mas o lucro do bicampeão da F-1 com a participação em Indianápolis foi muito mais do que comercial. Alonso encantou os norte-americanos com suas entrevistas e quando aprontou suas surpresas, como em uma última coletiva, a qual encerrou bebendo uma caixinha de leite, bebida dada tradicionalmente ao vencedor da prova. O comportamento de Alonso com a mídia não surpreende quem o segue de perto na F-1: muito profissional e inteligente, ele sabe bem dar aos jornalistas o que eles querem ouvir e os usa para atingir seus objetivos extra-pista.

Objetivos esses que ficaram claros para a chefia da McLaren nas últimas semanas. Alonso trabalhou para impressionar o experiente time que tinha à disposição, incluindo Michael Andretti e GIl de Ferran, que se derreteram em elogios ao piloto, e volta à F-1 deixando claro a quem quer que queira contratá-lo que, com um carro competitivo, ele não perdeu em nada de seu nível de performance. Isso é particularmente importante para um piloto que ganhou fama de ser desagregador.

Na pista, ele atendeu às expectativas - que eram altíssimas: liderou por quatro vezes a prova, por 27 voltas no total, e fez uma corrida irretocável, com direito a uma manobra de veterano na volta 176. Dificilmente teria chance de ganhar devido à maneira como as bandeiras amarelas influenciaram as voltas finais, mas este é um ingrediente sempre decisivo nas 500 Milhas.

Enquanto isso, em Mônaco...
Alonso volta como vencedor, também, para o mundo da F-1. “Ele nos representou maravilhosamente bem”, era uma das frases mais repetidas após a prova. Isso, mesmo com o ar de decepção que tomou conta do motorhome da McLaren em Mônaco, decorado com bandeiras norte-americanas e lotado de jornalistas e membros do paddock, como o chefe da Force India, Robert Fernley, e o campeão de 1996 Damon Hill. Todos com os olhos grudados nos telões, entre uma pipoca e outra servida pela equipe, e vibrando mesmo a cada ultrapassagem simples de Alonso na pista.

Isso, até que, não mais que 30 segundos antes da quebra, um membro da Honda cochicha que “seria uma merda se o motor quebrasse agora”. Dito e feito. Mas o clima de velório logo foi substituído pela sensação de que a vitória de Takuma Sato, outro ex-F-1 e japonês da Honda, acabou sendo um final feliz. Os próprios chefões da montadora japonesa, que assistiam à prova ‘escondidos’ no terceiro andar do motorhome, apareceram com um meio sorriso.

É claro que a vitória de Sato não vai resolver os problema da Honda na F-1. Mas tudo o que Alonso viveu neste último mês pode garantir à McLaren a renovação com o piloto espanhol que, se não conseguir se colocar em posição de voltar a vencer na categoria, vai focar no maior prêmio que ganhou: um novo objetivo, de vencer longe do lugar que o consagrou.

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