Fórmula 1

"Queria saber português para explicar", diz Hamilton após igualar Senna

Chris Wattie/Reuters
Hamilton recebeu o capacete de Senna pela marca Imagem: Chris Wattie/Reuters

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Montreal (CAN)

10/06/2017 17h46

Foi uma volta perfeita, com todos os melhores setores do final de semana, recorde da história da pista e, mais importante, 330 milésimos mais rápido que o rival mais próximo, em uma pista em que as diferenças costumam ser mínimas - e em que o tal rival vinha sendo mais forte nos treinos livres. Em outras palavras, foi com uma volta de Ayrton Senna que Lewis Hamilton igualou as 65 pole positions do tricampeão brasileiro.

“É, a sensação é de que foi uma volta de Ayrton Senna”, disse o inglês ao UOL Esporte. “Foi muito especial, em uma pista na qual é muito difícil ter um décimo de vantagem em cima de um carro que acredito que tenha sido mais rápido do que o nosso durante o final de semana e ainda assim ter três décimos de vantagem foi como um soco de Muhammad Ali.”

Após igualar a marca de seu ídolo, Hamilton foi surpreendido ao receber a réplica do capacete de Senna de 1987, presente oferecido pela família do tricampeão. Tremendo e bastante emocionado, o inglês mostrou o capacete ao público e, mesmo nas entrevistas, mais de uma hora após a definição do grid do GP do Canadá, exibia, orgulhoso, seu novo ‘troféu’.

Reprodução Twitter
Imagem: Reprodução Twitter
“Gostaria de saber falar português para expressar meu amor e meu apreço pela família de Senna por me dar esse presente, por Ayrton e pelos brasileiros em geral. Adoro o Brasil e tenho muitos amigos brasileiros”, disse o tricampeão.

“Ayrton sempre foi uma inspiração e sempre me deu muita energia, assim como ele foi para vários brasileiros e nunca escondi a ligação que sinto com ele. Então receber isso hoje e igualá-lo é uma grande honra e é um dia que eu não quero esquecer.”

O capacete recebido por Hamilton em Montreal é uma réplica. O plano inicial era entregar o original, que está em Mônaco, na última etapa, disputada no Principado, em que o inglês teve a primeira chance de igualar a marca. A família Senna, contudo, vai entregar futuramente o original ao britânico, que mora em Mônaco.

A ideia partiu da própria família, que propôs, por meio de Bianca Senna, a entrega à FOM há pouco menos de um mês.

Com o presente em punhos, Hamilton fez questão ainda de lembrar das dificuldades pelas quais sua família passou para que ele, que vem da classe operária britânica, realizasse o sonho de ser piloto.

“Não poderia ter chegado até aqui sem minha família, assim como Ayrton. Agora as pessoas me veem no topo, mas não veem todos os sacrifícios que meu pai fez. Quando falo que meu pai tinha quatro empregos, as pessoas não conseguem entender como era. É difícil imaginar as dificuldades por que passamos.”

A pole position vem em boa hora para o piloto da Mercedes, que tem uma desvantagem de 25 pontos para Sebastian Vettel no campeonato. O alemão larga em segundo na prova que começa às 15h do domingo pelo horário de Brasília.

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A ridícula ciranda dos técnicos

Cerca de duas semanas atrás, o técnico Zé Ricardo foi demitido pelo Flamengo. Outro dia foi a vez de Milton Mendes ser afastado do Vasco. E o curioso é que agora o Vasco tem, em Zé Ricardo, que não mais servia para o Flamengo, a grande solução para ser o novo técnico cruzmaltino. Numa análise mais ampla foram nada menos que 16 os técnicos demitidos nas primeiras 21 rodadas deste campeonato brasileiro. O que, por sinal, lembra o que aconteceu nos últimos dois anos. E, se formos ver o que aconteceu desde o início do ano, constataremos que apenas 6 clubes mantiveram até hoje o técnico com que começaram a temporada. A título de curiosidade, são eles Fábio Carille (Corinthians), Mano Menezes (Cruzeiro), Jair Ventura (Botafogo), Renato Gaucho (Gremio), Abel Braga (Fluminense) e Claudinei Oliveira (Avaí). Esta ridícula ciranda tem, em minha opinião, uma explicação clara : a incompetência dos dirigentes. Pois são eles que escolhem o técnico e, ao faze-lo, devem (ao menos se supõe) analisar sua forma de trabalho, ver o que fizeram no passado e julgar se ele vai se adaptar ao que o clube pretende. Assim, por exemplo, contratar um técnico reconhecidamente retranqueiro para fazer o time jogar bonito e ofensivamente, constitui um absurdo total. Feita a escolha, o cartola deveria assumir a decisão e não encontrar na despedida do técnico o comodo álibi para seu erro. Erro que, para dirigentes merecedores deste rótulo, deveria ser, no mínimo, acompanhado por um pedido de demissão irrevogável de seu cargo. Infelizmente é muito mais fácil jogar a culpa num subordinado do que admitir o erro e pagar por ele. Como direta conseqüência, os técnicos acabam recebendo salários incompatíveis com a situação financeira de nosso futebol, já que se trata de uma função de alto risco. E, não raro, são promotores de contratações que podem não serem úteis no futuro, quando um novo técnico quiser implantar uma diferente filosofia de jogo. Em resumo, o grande prejudicado acaba sendo sempre o clube, onerado por dívidas que cartola algum cria nas empresas que porventura lhe pertençam. Mas aí estaríamos entrando noutro assunto, o da responsabilidade fiscal dos dirigentes, que fica para outra cronica…

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