Fórmula 1

Azerbaijão deve ser última lembrança dos GPs caça-níquel da era Ecclestone

Dan Istitene/Getty Images
Felipe Massa, da Williams, nos treinos livres do GP da Europa em Baku Imagem: Dan Istitene/Getty Images

Julianne Cerasoli

Do UOL, de Londres (ING)

21/06/2017 04h00

Uma corrida em um país sem qualquer tradição no automobilismo, em que a F-1 é praticamente desconhecida, negociada com um governo com posições questionáveis, com conexões difíceis em termos de transporte e com capacidade hoteleira reduzida. Mas cujos organizadores pagam uma fortuna para a realização do evento, usado mais como promoção turística como forma de angariar interesse no esporte em si. É essa a receita do GP do Azerbaijão, que agora carrega o nome do país depois de estrear, ano passado, como GP da Europa. É essa a receita, também, do ex-chefão Bernie Ecclestone, algo que deve ficar para trás com a chegada dos novos donos da Liberty Media.

Tanto o diretor da parte comercial, Sean Bratches, quanto da parte técnica, Ross Brawn, vêm fazendo questão de acabar com diretrizes que estejam ligadas a Ecclestone, como a enorme restrição ao uso de mídias sociais e internet em geral e a distância do público, que agora tem mais oportunidades de chegar perto dos pilotos.

Em relação ao calendário, contudo, a tarefa é mais difícil, pois há vários contratos longos. No Azerbaijão, por exemplo, o contrato atual é de 10 anos. Mas Bratches afirma que a intenção é ir atrás de lugares que possam agregar valor à categoria e não apenas esperar propostas.

“Queremos trabalhar em parceria com as equipes para determinar para onde vamos. Queremos ser mais pró-ativos e ofensivos em relação aos mercados para onde vamos. Vamos identificar um calendário otimizado dividido por regiões, e então podemos sentar e conversar com as cidades para apresentar a proposta, ao invés de apenas reagir ao que chega.”

F-1 é parte de projeto extenso
O dinheiro do petróleo tem alimentado o crescimento do Azerbaijão especialmente nos últimos 15 anos, atingindo taxas de crescimento do PIB superiores a 10% antes do preço do barril despencar em 2016. O aumento da riqueza fez com que os governantes iniciassem ambiciosos planos para tornar a capital Baku, às margens do Mar Cáspio, uma nova Dubai.

Tanto, que o projeto inicial de receber a Fórmula 1 incluía a construção do circuito em ilhas artificiais em forma de palmeira, copiando a cidade dos Emirados Árabes. Mas tais ilhas, que teriam também shoppings e apartamentos de luxo, acabaram nunca saindo do papel e a corrida foi para as ruas da cidade.

Receber eventos esportivos tem sido uma das estratégias dos governantes para aumentar a popularidade do país, mas internamente a Fórmula 1 tem representatividade nula. Tanto que os organizadores tiveram de distribuir ingressos de graça para escolas ano passado, mesmo com menos de 30 mil lugares nas arquibancadas. Um dos motivos é o preço: o lugar mais barato neste ano sai por R$ 430 para os três dias de evento, enquanto o salário mínimo em um país rico, mas com péssima distribuição de renda, é de R$ 200.

Não coincidentemente, o governo local já sinaliza para a revisão do contrato fechado com Ecclestone em 2014 e que dura até 2025: afinal, a etapa de Baku é a que mais rende aos cofres da Fórmula 1, com o pagamento de US$ 52,5 milhões por ano pelo direito de sediar a corrida.

Confira os horários do GP do Azerbaijão

Sexta-feira, 23 de Junho
Treino Livre 1   06:00 – 07:30
Treino Livre 2   10:00 – 11:30
Sábado, 24 de Junho
Treino Livre 3   07:00 – 08:00
Classificação – 10:00 – 11:00
Domingo, 25 de Junho
Corrida – 10:00

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