Fórmula 1

Ex-preparador físico de Senna é condenado por crime sexual. Nuno Cobra nega

Foto: Rafael Jacinto/Valor
Nuno Cobra, ex-preparador físico do piloto Ayrton Senna Imagem: Foto: Rafael Jacinto/Valor

Felipe Pereira e Pedro Lopes

11/09/2017 18h27

O ex-preparador físico de Ayrton Senna Nuno Cobra, de 79 anos, foi condenado a três anos e nove meses de prisão por violação sexual. A acusação é ter tocado os seios e coxas de uma mulher de 21 anos durante um voo entre Curitiba e São Paulo em janeiro de 2015. Ele está preso na sede

Inicialmente, a juíza condenou Cobra a quatro anos e seis meses, mas aplicou a redução de um sexto em regime aberto porque o acusado tem mais de 70 anos. O ex-preparador físico teve a pena de reclusão substituída por prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas e também a pagar um salário mínimo por 3 anos e 9 meses a entidade pública ou privada.

Durante o processo, a defesa de Nuno Cobra alegou que não foram produzidas provas suficientes para comprovar os atos libidinosos. Acrescentou que o único indício seria o depoimento da vítima e que ele não foi confirmado por outras testemunhas. Os advogados do preparador físico ressaltaram que não há nenhum paralelo com episódios ocorridos em vagões de trem (leia mais abaixo).

Violação sexual é configurada quando o agressor usa meios em que a vítima não consegue se defender. No caso, Cobra teria aproveitado o procedimento de decolagem, quando ninguém poder levantar do assento, para, segundo os autos, tocar a passageira (que teve o nome preservado no processo).

Os argumentos não convenceram a juíza federal Raecler Baldresca, da 3ª Vara Criminal de São Paulo. Ela acatou os indícios de que Nuno Cobra afirmou que trabalhava com preparação física e começou a tocar a vítima. O agressor ainda teria aproveitado sentado em uma posição que dificultou pedir ajudar. Sobre este comportamento, a juíza escreveu na sentença.

“A prova dos autos é plena no sentido de que o acusado tocou na vítima – em seus seios, no seu braço, no seu peito, na sua coxa, no seu rosto – sem o seu consentimento, reiteradas vezes, aproveitando-se do momento da decolagem da aeronave em que se encontravam.”

A violação sexual

No processo, conta que Nuno Cobra encontrou a vítima do lado de fora, quando conversava com outra mulher. Ele elogiou os olhos da passageira e emendou que era muito bonita. Ao entrarem no avião, parou ao lado da poltrona dela, que sentava no meio, para lamentar que não se veriam mais. A mulher contou que ficou sem graça.

O agressor teria trocado de lugar e falado que "conseguiu ver por baixo do vestido dela a perfeição de seu corpo". Enquanto dizia isso, Nuno teria feito gestos simulando os contornos dela. O processo ainda relata como o preparador físico tocou o corpo da vítima.

O agressor pegava no braço com o polegar e os outros dedos roçavam a lateral do seio. A atitude foi acompanhada da frase que "o toque despertava os sentidos". A vítima contou que usava uma revista para se proteger. Escondia os seios, mas Nuno apalpava suas pernas, aproveitando que estava de vestido. Quando protegia as coxas, ele investiria sobre seus ombros.

A passageira declarou que não quis chamar a atenção e só saiu dali quando o avião terminou o procedimento de decolagem e foi permitido levantar. Procurou os comissários de bordo para pedir uma mudança de lugar. Nesta hora, começou a chorar. Eles pediram para se acalmar e levaram a vítima até os fundos do avião. 

A mulher contou que hoje faz terapia porque ficou paralisada e não reagiu, gritou ou levantou. Citou que se sente culpada pelo sofrimento e o nervosismo do pai ao saber da situação.

Agressão sexual planejada, diz juíza

No veredicto, ainda consta que a atitude de Nuno Cobra foi planejada porque houve solicitação para mudar de assento com outro passageiro para sentar ao lado da vítima. O preparador físico teria começado a conversa dizendo que trabalha com energias e tocou a mulher. Depois, chegou a dizer que “quando a viu subir pelas escadas despertou energias que não sentia havia muito tempo".

Quando a aeronave aterrissou no Aeroporto de Congonhas, a passageira registrou boletim de ocorrência na Polícia Federal. Ainda durante o voo, ela procurou os comissários para pedir para mudar de lugar e contou o que havia ocorrido.

Esta não é a única acusação de crime sexual contra Nuno Cobra. Em 5 de setembro, uma jornalista procurou a polícia para denunciar que foi assediada durante uma entrevista. Diante da suposta repetição do ato, o Ministério Público Federal pediu a prisão preventiva do preparador físico.

Outro lado

Durante seu depoimento, Nuno Cobra, que trabalhou com Senna nos anos 80 e 90, declarou que a acusação era "absurda". Ele afirmou tocar as pessoas faz parte de seu comportamento natural. A defesa argumentou que o único depoimento contra seu cliente é o da suposta vítima. Os demais não relataram nada. Isto inclui a passageira que estava a esquerda da passageira e não confirmou a versão dela. No processo, está escrito que “não teria observado qualquer atitude de conotação sexual entre eles”.

Sobre seu comportamento, Nuno justificou que desenvolveu um sistema sensorial de amor, dedicação e entrega. Contou que criou este método aos 12 anos, quando recebeu uma "inundação de conhecimento", dom que deriva de sua capacidade sensorial.

O preparador físico disse que costuma abraçar as pessoas, mas que não lembrava o que aconteceu durante o voo nem de ter elogiado os olhos ou a beleza da passageira. Perguntado se tem o hábito de elogiar mulheres jovens, responde que duas semanas antes do depoimento foi atrás de um rapaz. O motivo era que ele tinha uma "beleza espetacular".

No processo, consta que Nuno afirmou que "não existe mulher, não existe homem, mas existe uma pessoa que trabalha com o corpo a vida toda". O preparador físico ainda ressaltou que não usa frase de conotação sexual.

Os advogados dele reclamaram da atuação do Ministério Público Federal, que no entendimento deles, agiu de forma parcial. A defesa disse que não foram produzidas provas que confirmassem crime sexual.

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