Fórmula 1

Jamelli encara o perigo como socorrista da F1. Mas será desfalque no Brasil

Arquivo pessoal
Ex-jogador Jamelli trabalha como socorrista da Fórmula 1 no GP do Brasil, em Interlagos Imagem: Arquivo pessoal

Luiza Oliveira

Do UOL, em São Paulo

10/11/2017 04h00

Jamelli é conhecido pela sua história no futebol como campeão da Libertadores pelo São Paulo, além de passagens pelo Santos, Corinthians e seleção brasileira. Mas o que poucos sabem é que a ligação dele com o esporte vai muito além da bola. Desde criança, seu coração bate mais forte toda vez que escuta o ronco dos motores dos carros de Fórmula 1. Na década de 90, era aquele fã que chegava de madrugada em Interlagos para ver Senna e Piquet na pista.

A paixão fez Jamelli se aproximar ainda mais do esporte. Há 7 anos, ele desafia os perigos e trabalha como socorrista do GP do Brasil. Sua função como um marshal é ficar em um dos 19 pontos do autódromo fiscalizando tudo o que acontece e garantindo a limpeza da pista para o bom andamento da prova. 

“Normalmente, a gente ajuda a içar o carro para o guincho, muitas vezes sobram partes, aerofólio, pedaços de pneu, e a gente tem de deixar a pista limpinha. A gente só interfere quando tem problema. Quando bate um carro e tem um pedaço de carro na pista, quando derrama óleo, só entramos quando algo ruim acontece, mas para nós é a hora que estamos esperando. Não que a gente torça para que tenha acidente, a gente torce para que tenha alguma ação, senão só vemos os carros passando”, conta.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

A responsabilidade é grande e não é simples ser um socorrista. Ele vive todos os anos a adrenalina e os perigos de estar à beira da pista. Não à toa, passa por treinamentos mensais durante o ano e até semanais a dois meses da corrida para saber como adotar todos os procedimentos de segurança. Sabe até o momento em que pode encostar no carro para não correr o risco de o veículo estar eletrizado. Se um piloto se acidentar, ele não pode colocar as mãos sobre o atleta e deve chamar o médico responsável.

“Não vou falar que não é perigoso, é seguro se você mantiver normas, mas se quiser pode sair correndo e ir para o meio dos carros como um louco. Já teve marshal que morreu atropelado na pista. Se ficar desatento, pode abrir brechas. Mas se fizer tudo direitinho, não tem perigo. O nosso melhor amigo é a barreira de pneus e o guard rail. Se você ficar entre a pista e a barreira, você é alvo, tem de ficar o mínimo possível ali e quando estiver, ficar super atento para ver de onde vem os carros”, disse.

Nesses anos, Jamelli já viveu situações inusitadas. Certa vez, um cachorro vira-lata entrou no autódromo e começou a circular pelas vias internas do circuito entre os boxes. Ele e sua equipe tiveram que observar o animal o tempo inteiro para evitar qualquer risco de invasão na pista. Ele ainda se lembra do episódio em que precisou fugir de um enxame de abelhas.

“São situações engraçadas, tivemos que virar babá de cachorro. Um avisava o outro: ‘o cachorro está em tal lugar. Agora estou vendo ele por aqui’. Outra vez, tinha o gancho que levanta o carro e uma abelha rainha resolveu fazer uma colmeia bem no lugar onde eu tinha que amarrar a fita para levantar o carro. De repente, veio um enxame, e a gente começou a correr de um lado para outro. Pegaram o extintor para jogar nelas, elas saíram e voltaram. O que você faz nessa hora? Por sorte, quando o primeiro carro foi para a volta de apresentação, elas sumiram por causa do barulho. Mas foi uma loucura”.

“Uma vez o Sérgio Pérez (piloto mexicano) veio com tudo, bateu e o carro dele ficou enfiado no pneu. Ele conseguiu sair sozinho do carro, tirou a direção. Quando ele pulou a barreira de pneus, eu chamei o diretor: ‘alguém tem que buscar ele aqui’. Veio um cara com uma motinho e nesse tempo tinha que tirar o carro porque estava em um local perigoso, veio a bandeira amarela, o safety car, tudo em um segundo”, conta. 

Nessas horas, ele sabe que precisa estar 100% atento para tomar decisões muito rápidas e lidar com a pressão que é trabalhar em um GP de Fórmula 1. Jamelli revela que é difícil por envolver segurança, patrocinadores e direitos de transmissão de televisão no esporte em que cada segundo conta e vale muito dinheiro.

Mas a dedicação vem dando resultado. A equipe de socorristas do Brasil é tida como modelo e foi eleita uma das melhores de toda a temporada. O ex-jogador e técnico, que hoje trabalha como coaching, usa até as ferramentas de sua atividade profissional como auxílio. “O coaching ajuda muito, te ensina o auto-conhecimento, equilíbrio emocional, disciplina, gestão de problemas. Lá você tem que estar acostumado à pressão da torcida, interferência externa, barulho, tem que tomar decisões rápidas, não podemos errar. O coaching interfere muito na hora de resolver um problema em uma fração de segundos”.

Jamelli prova que quem pensa que ser socorrista é pura diversão, se enganou. Ele não consegue nem assistir à corrida direito, só vê os carros passando e sabe do resultado pelo rádio que usam para se comunicarem. Mas tudo vale a pena para quem ama o esporte. “Eu faço parte dela, é como o gandula ou o quarto árbitro no futebol. Estou ali para trabalhar, se fizer algo errado, está em risco a segurança dos pilotos e de todo mundo”.

'Desfalque' no GP do Brasil de 2017

Apesar de toda a experiência, Jamelli não vai trabalhar no GP do Brasil deste ano e será uma 'baixa' na corrida. O joelho direito que o tirou de muitos jogos de futebol na carreira, também vai deixá-lo fora do GP. O socorrista vai passar por uma cirurgia nesta sexta-feira para corrigir um problema antigo.

“Tenho operação marcada para está sexta. Eu parei de jogar por causa desse joelho, será a quinta operação. Já tive problemas no ligamento cruzado, menisco, artroscopia, esse joelhinho tem história. Fui adiando, agora tenho que parar para fazer. O médico ia para um Congresso, depois ia sair de férias, como eu não poderia ficar mais adiando, tive que optar entre fazer a operação ou participar do GP. Saúde está em primeiro lugar. Mas no ano que vem estou de volta”, brinca. 

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