Fórmula 1

Mudar motor na F-1 é caro e desnecessário, diz ex-chefão da categoria

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Do UOL, em São Paulo

20/11/2017 09h44

O ex-chefão da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, reprova a possibilidade de os motores da categoria serem modificados para 2021. Em entrevista a "Autosport", Ecclestone acredita que mudanças nos propulsores inflacionarão ainda mais a F-1.

"O problema é que eles gastaram uma fortuna nesses motores malditos", começou o ex-chefe da categoria.

Ecclestone defende que o ideal seria corrigir eventuais problemas do atual motor, e não desenvolver um novo propulsor. As novas unidades de potência seriam caras e desnecessárias, diz. Ecclestone considera que os esforços para reduzir custos e aumentar o público devem ser rediscutidos, buscando medidas mais simples.

"E eles não querem voltar atrás nos conselhos e dizerem: 'Nós precisamos ver alguns pequenos pontos porque precisamos mudar os motores".

Motores mais simples e barulhentos

Após meses de discussão, tanto com os fabricantes de motores atualmente presentes na F-1 quanto possíveis novidades, a Federação Internacional de Automobilismo anunciou sua proposta inicial para alterar os motores da categoria a partir de 2021.

Entre as mudanças, os destaques são a tentativa de aumentar o barulho, grande queixa dos fãs em relação à configuração atual, a saída de uma das unidades de recuperação de energia - a mais complicada delas, a MGU-H, que reaproveita o calor gerado pela turbina - a diminuição dos custos com a padronização de algumas peças e o maior controle do piloto.

Um dos centros de discussão, contudo, o fluxo de combustível, que é limitado, não foi citado no documento inicial. A FIA, porém, admite que trata-se de um documento inicial e podem haver alterações.

Proteção aos gastos e ao ‘efeito Mercedes’

Em princípio, a F-1 terá um motor 1.6 turbo V6 híbrido, como o utilizado desde 2014. Porém, há diferenças importantes: ele vai trabalhar em um regime rotacional 3.000 rpm mais alto, na tentativa de aumentar o barulho.

A ideia de tornar o que é hoje chamado de unidade de potência foi mantida na proposta: considerado complicado demais, o MGU-H será removido, enquanto a bateria será padronizada, a exemplo do que já acontece com a central eletrônica. Também há a proposta de limitar mais o desenho para também diminuir o custo de desenvolvimento dos novos motores.

Além de diminuir os custos, a ideia de restringir a possibilidade de desenvolvimento também permitiria que as equipes trocassem de fornecedores de maneira mais prática, pois eles seriam mais padronizados do que atualmente. A medida também visa impedir que uma fornecedora - como aconteceu com a Mercedes em 2014 - obtenha uma vantagem muito significativa.

Mais poder para os pilotos

Com o fim do MGU-H, a potência gerada pelo MGU-K, que transforma energia cinética, será maior e também ficará mais nas mãos dos pilotos. Diferentemente de quando esse tipo de de tecnologia surgiu na F-1, em 2009, nos últimos anos o uso da potência inicial era programado pelas equipes.

A partir de 2021, a ideia é que parte do MGU-K volte para as mãos dos pilotos, que poderão optar, por exemplo, por alimentar suas baterias por algumas voltas para usar toda a potência extra em uma possível luta por posição.

O chefe da parte técnica da F-1, Ross Brown, salientou como a proposta “é um exemplo da maneira como a FIA vai trabalhar como reguladora, com os detentores dos direitos comerciais, as equipes e os fornecedores de motores vão trabalhar juntos para o bem comum do esporte. E também ouvimos cuidadosamente os fãs, que pediram um motor mais barulhento e chegamos à proposta de um motor mais simples, barato e barulhento, que vai facilitar a entrada de novos fornecedores.”

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