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Foi só o dinheiro? Por que a Williams escolheu russo para substituir Massa

Dan Mullan/Getty Images
Sergey Sirotkin, novo piloto da Williams para a temporada de 2018 Imagem: Dan Mullan/Getty Images

Julianne Cerasoli

Do UOL, em São Paulo

24/01/2018 04h00

Quando o novato Sergey Sirotkin foi anunciado como substituto de Felipe Massa na temporada 2018 da Fórmula 1, muitos fãs reclamaram que a escolha em detrimento de Robert Kubica teria sido simplesmente econômica: afinal, o russo é apoiado pelo banco SMP, que investirá entre 15 e 20 milhões de euros na equipe Williams em troca da vaga.

Não que Kubica estivesse na briga sem patrocinadores: o polonês teria sete milhões de euros para investir no time inglês. Porém, o histórico do piloto de 33 anos, considerado um dos melhores de sua geração até o acidente de rali sofrido em 2011, seria uma comprovação de que ele é tecnicamente superior a Sirotkin e só não foi escolhido por trazer menos dinheiro.

A Williams se apressou a negar que a decisão tenha sido só financeira. “Escolhemos Sergey por sua performance como um todo, contra vários pilotos, não apenas Robert. Ele era claramente nosso favorito”, explicou o diretor técnico Paddy Lowe.

Divulgação
Imagem: Divulgação
Kubica sofreu com pneus
É fato que Kubica é muito respeitado pelos engenheiros com os quais trabalhou, tanto por sua velocidade, quanto por seu retorno técnico. Porém, desde que fez seus primeiros testes com um F-1 depois do acidente que deixou sequelas em seu braço direito, em junho e julho de 2017, pela Renault, o polonês demonstrou dificuldade tanto em ter um ritmo consistente, quanto virar tempos competitivos em uma volta lançada. “Não estou 100% feliz. O carro [de 2017, o qual testou em julho pela Renault] é muito diferente dos outros e demora um tempo para você se adaptar”, admitiu na época.

Tanto, que o time francês desistiu de Kubica e deu preferência a trazer Carlos Sainz por empréstimo da Red Bull. O polonês entrou na mira da Williams em meados de setembro. Em outubro, o piloto testou com o carro de 2014 e, ao mesmo tempo em que teria melhorado o acerto, foi mais lento que o piloto de testes Paul Di Resta em uma volta lançada.

O quadro se repetiu na segunda chance que o piloto teve de andar com um carro atual, no teste de Abu Dhabi, no final de novembro. Na ocasião, seu ritmo de corrida foi um pouco inferior ao do próprio Sirotkin e sua volta de classificação foi comprometida pelo superaquecimento dos pneus Pirelli, fruto de sua inexperiência com um tipo bastante específico de borracha.

De posse destes dados e da alta soma oferecida pelos russos, a Williams decidiu colocar Sirotkin como titular e Kubica como piloto de desenvolvimento. Assim, de acordo com Lowe, o próprio polonês terá mais tempo para se preparar para uma volta que ainda seria possível em 2019.

“Robert entrou em uma jornada para encontrar seu caminho de volta à Fórmula 1 após o trauma que ocorreu com seu braço no acidente de rali. Ele deve receber muito crédito por isso, pois é preciso um comprometimento incrível, muita coragem e dedicação a seu objetivo. E ele continua nessa jornada, e acho que neste ano como piloto de desenvolvimento essa jornada vai continuar.”

A qualidade de Sirotkin, por sua vez, foi atestada por um dos poucos pilotos do atual grid que correram contra ele: Stoffel Vandoorne, da McLaren, que, a exemplo de Sirotkin, estava na GP2 em 2015. “A Williams fez a escolha certa”, disse o belga ao jornal de seu país La Derniere Heure. “Corri contra Sergey nas categorias de base e posso dizer que ele é um piloto muito bom. Ele é rápido e trabalha duro para melhorar. Honestamente, Sergey é muito mais rápido do que muitas pessoas pensam.”

O russo de 22 anos fará sua temporada de estreia ao lado do também pouco experiente Lance Stroll, que fará seu segundo ano na F-1 e tem apenas 19 anos. Juntos, os dois formam a dupla de pilotos mais jovem do grid e da história da Williams no campeonato que começa dia 25 de março, no GP da Austrália.
 

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