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Fórmula 1

5 perguntas a serem respondidas a partir do início da pré-temporada da F1

Gonzalo Fuentes/Reuters
Alguém irá tirar a hegemonia de Lewis Hamilton? Testes começam nesta semana Imagem: Gonzalo Fuentes/Reuters

Thiago Rocha

Do UOL, em São Paulo (SP)

26/02/2018 04h00

Compare com o futebol, e os testes coletivos de Fórmula 1 que antecedem o início do campeonato têm o mesmo peso de uma pré-temporada. Servem para desenferrujar o corpo, recuperar o ritmo. Enquanto o treinador escolherá a escalação titular e trabalhará por entrosamento dos jogadores, equipes colocarão as novas máquinas na pista para afinar a sintonia entre carro e piloto, detectar defeitos ou aperfeiçoar virtudes.

Por isso, os resultados das sessões coletivas de pré-temporada da categoria, que começam nesta segunda-feira (26) e se estenderão até quinta (1º), em Barcelona, ainda serão prematuros para falar em favoritismo ao título, assim como os amistosos e o início dos Estaduais ainda escondem muito do que o time do coração, ou o rival, reserva para o ano.

Mas, por outro lado, os testes ajudam a traçar certos cenários que darão corpo à temporada de 2018 da Fórmula 1, com início em 25 de março, em Melbourne, na Austrália. A cidade catalã ainda será palco de outra sessão coletiva, entre 6 e 9 do mês que vem.

Uma temporada que já será histórica, pois será a primeira com dois tetracampeões mundiais em atividade (Lewis Hamilton e Sebastian Vettel), mas decepcionante para o lado verde e amarelo da pista, já que o Brasil não terá um representante no grid, o que não acontecia desde 1970.

Confira cinco perguntas relativas à próxima temporada da Fórmula 1 que começarão a ser respondidas a partir dos testes coletivos em Barcelona:

1 - Como será a adaptação ao halo?

Divulgação
Halo atrapalha a visão dos pilotos? Até agora não houve uma grande reclamação Imagem: Divulgação

Bonito ele não é, mas o novo dispositivo de segurança da Fórmula 1, obrigatório a partir deste ano, levanta muitas dúvidas não pela eficiência na proteção em caso de acidentes, mas sobre um possível efeito prejudicial à visão dos pilotos no cockpit, já que nada mais é do que uma "gaiola" acima e nas laterais do capacete. Em um primeiro momento, a opinião geral foi de rejeição, principalmente estética e por afetar no peso do conjunto. As equipes reclamaram com a FIA por terem pouco tempo para se adaptarem à nova realidade. O halo pesa cerca de 14 quilos, o que deixa os carros menos leves em um esporte em que cada milésimo de segundo faz a diferença.

"Eu vou tentar evitar o desejo negativo, mas os carros ficam cada vez mais pesados. Isso, obviamente, afeta as zonas de frenagem, e existem vários desafios nisso”, disse o britânico Lewis Hamilton, da Mercedes, atual campeão da Fórmula.

2 - Alguém desbancará a Mercedes em 2018?

Divulgação/Mercedes
Mercedes tem dominado a categoria máxima do automobilismo nos últimos anos Imagem: Divulgação/Mercedes

Como ressaltado no início deste texto, os testes coletivos não apontam favoritos, mas indicam caminhos. Em 2017, a Ferrari até deu calor, mas perdeu rendimento na segunda metade da temporada e não foi párea para Mercedes e Hamilton. Os alemães são os atuais tetracampeões entre os construtores, mas existe uma impressão geral de forças mais equiparadas em 2018, já que o regulamento técnico da Fórmula 1, apesar da introdução do halo, não sofreu mudanças radicais.

Além da própria Ferrari, sempre favorita, a Red Bull mostrou evolução nas últimas corridas do ano passado. A chegada do motor Renault à McLaren também é cercada de expectativas. Quarta colocada entre as escuderias na temporada passada, a Force India mantém o discurso de surpreender as favoritas. A Renault, elogiada recentemente pela Mercedes, também corre por fora.

3 - A McLaren voltará a ser competitiva após trocar a Honda pela Renault?

Zsolt Czegledi/AP
Fernando Alonso, enfim, terá um carro competitivo na McLaren Imagem: Zsolt Czegledi/AP

É o que espera Fernando Alonso, que condicionou a renovação de contrato com a escuderia à saída da montadora japonesa, cujo motor deixou o espanhol várias vezes na mão nas últimas três temporadas. A formação de um conjunto confiável entre o novo modelo da McLaren e o equipamento da Renault não só coloca os britânicos no jogo pelo título como também reavivará o brilho nos olhos de Alonso, um piloto que transpira competitividade.

Em 2017, as desilusões com a McLaren fizeram Alonso abrir mão do GP de Mônaco para estrear nas 500 Milhas de Indianápolis. Neste ano, o espanhol já correu as 500 Milhas de Daytona e fará o mesmo em Le Mans e em outras etapas do Mundial de Endurance. Ajudá-lo a vencer corridas na Fórmula 1 pode fazer o espanhol recuperar foco e interesse na categoria na qual é bicampeão mundial.

4 - Até onde pode chegar a dupla de pilotos "pagantes" da Williams?

Dan Mullan/Getty Images
Sergey Sirotkin vai estrear na Fórmula 1 sob a sombra de Robert Kubica Imagem: Dan Mullan/Getty Images

Lance Stroll e Sergey Sirotkin estarão no olho do furacão. O suporte de patrocinadores fortes foi decisivo para que o canadense e o russo fossem confirmados como titulares da Williams em 2018. O rótulo de piloto pagante é inevitável, mas só será desconsiderado se a dupla mostrar na pista que não são apenas garotos com gordas contas bancárias. Embora precise de dinheiro para tocar os negócios, a Williams deixou em "stand by" uma sombra e tanto para os seus titulares: o polonês Robert Kubica, contratado como piloto reserva e com prestígio suficiente para tomar a vaga de um deles ao primeiro vacilo, embora não compita na Fórmula 1 desde 2010 e tenha ficado com sequelas físicas de um grave acidente em uma corrida de rali, no ano seguinte.

5 - Como a temporada de 2018 afetará o mercado de pilotos para 2019?

Mark Thompson/Getty Images/AFP
Sebastian Vettel continua na Ferrari? Tetracampeão mundial tem contrato até o fim do ano Imagem: Mark Thompson/Getty Images/AFP

Nomes de ponta iniciarão esta temporada com contratos que expiram em dezembro. Lewis Hamilton, por exemplo, parecia próximo de um acordo para seguir na Mercedes, mas a renovação de vínculo já virou novela. Sebastian Vettel, Kimi Raikkonen, Fernando Alonso, Daniel Ricciardo... Todos esses têm contratos válidos até o fim deste ano. E, como se sabe, o sucesso ou o fracasso no campeonato influencia diretamente nos planos de carreira de um competidor de ponta. O cenário atual, por exemplo, abre espaço para trocas de cockpit bombásticas. Vettel na Mercedes e Hamilton na Ferrari, já pensou? As primeiras voltas da pré-temporada podem ajudar a definir a situação de cada um desses astros nos próximos anos.