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Fórmula 1

Cinco indícios deixados pela primeira semana de pré-temporada da Fórmula 1

AFP PHOTO / JOSE JORDAN
Lewis Hamilton, da Mercedes, nos testes de pré-temporada da Fórmula 1 em Barcelona Imagem: AFP PHOTO / JOSE JORDAN

Thiago Rocha

Do UOL, em São Paulo

02/03/2018 04h00

Por quatro dias, de segunda a quinta-feira, a Fórmula 1 começou a mostrar a sua cara para 2018. Um pouco diferente no visual, é verdade, com a adoção do halo, nova estrutura obrigatória de segurança, mas o que todos queriam ver na pista em Barcelona eram outros aspectos. Quem andou rápido? Quem decepcionou? Quem está escondendo o jogo?

Por mais que o rigoroso inverno europeu tenha impedido que o tempo de pista fosse 100% utilizado pelas dez escuderias, a primeira semana de testes coletivos da pré-temporada da categoria já forneceu alguns indícios. Um deles não chega a ser uma surpresa, já que o atual campeão, o britânico Lewis Hamilton, cravou com a Mercedes a melhor volta de todas as sessões.

Treino é treino, corrida é corrida. Mas há a impressão, após quatro dias de atividade na Catalunha, de que a temporada deste ano, com início em 25 de março, em Melbourne, na Austrália, possa exibir um pouco mais de equilíbrio. A segunda semana de testes coletivos, a partir desta terça-feira (6), na mesma pista, pode ajudar a reforçar essas intuições.

Mercedes ainda mais rápida

AFP PHOTO / Justin TALLIS
Imagem: AFP PHOTO / Justin TALLIS

Atual campeã, a escuderia alemã foi a segunda a dar mais voltas em Barcelona nos quatro dias de testes: 306. Nas mãos de Valteri Bottas, o modelo W09 rodou entre os melhores. Com Lewis Hamilton, a Mercedes cravou o melhor tempo desta semana, com 1min19s333, usando pneus médios, obtido nesta quinta-feira (1º). Sinal de mais uma temporada de soberania?

"Temos mais aderência e pneus melhores. Saberemos melhor na semana que vem. O carro definitivamente parece mais rápido que o do ano passado, então isso é positivo", analisou Hamilton ao fim da última sessão da semana.

Mas, de um modo geral, potenciais concorrentes da Mercedes, como a Ferrari, também mostraram confiabilidade e evolução nas voltas que deram. Duas equipes surpreenderam com seus tempos, Renault e Haas. Já a Force India, quarta colocada no último Mundial de Construtores, virou a incógnita dos testes coletivos, sendo a que menos andou na pista: "apenas" 166 voltas.

Incrível! A McLaren não quebrou

Patrik Lundin/Getty Images
Imagem: Patrik Lundin/Getty Images

A troca de motor (da Honda para a Renault) e a volta às origens, pelo menos no visual com a adoção da cor laranja no layout, parece ter revigorado a McLaren para 2018. O MCL33 comportou-se bem na pista catalã, animando até o antes resignado Fernando Alonso, e não sofreu quebra mecânica, cena corriqueira nas últimas temporadas.

Isso não significa que a escuderia não enfrentou problemas... No primeiro dia, a roda traseira direita de Alonso se soltou na pista, interrompendo a sessão da tarde. Nesta quinta, os mecânicos fizeram uma gambiarra, um furo no tampão do motor, para facilitar a circulação de ar e evitar problemas no amortecedor. Mas, devido ao histórico recente em corridas, é uma situação animadora.

Incrível (2)! O motor Honda não quebrou com a Toro Rosso

REUTERS/Albert Gea
Imagem: REUTERS/Albert Gea

Chutada da McLaren por conta dos seguidos problemas mecânicos, a Honda estreou a parceria com a Toro Rosso em Barcelona cercada de expectativa. Afinal, a montadora japonesa recuperaria a credibilidade na categoria após tantos vexames recentes?

Baseada nos quatro dias de atividade na pista, a perspectiva é animadora. O motor não estourou, e a Toro Rosso foi a escuderia com mais voltas completadas na primeira semana de pré-temporada: 217, o equivalente a quase cinco GPs disputados no autódromo catalão.

Reserva, Kubica já gera incômodo na Williams

AP Photo/Francisco Seco
Imagem: AP Photo/Francisco Seco

Ser relegado a reserva em uma equipe mediana, perdendo vaga para dois pilotos inexperientes mas cercados por patrocinadores endinheirados, deixou Robert Kubica em maior evidência do que os titulares da Williams em Barcelona. O polonês, que disputou uma etapa de Fórmula 1 pela última vez em novembro de 2010, meses antes de um grave acidente correndo de rali, foi um dos destaques do segundo dia, superando a volta mais rápida do russo Sergey Sirotkin.

As perguntas da imprensa a respeito da "vitória" sobre um dos titulares causaram incômodo. "Não estou correndo, então tenho de pensar na equipe e nos pilotos. Estou tentando ajudar. Minha responsabilidade é fazer o meu trabalho, e ele não é fazer voltas mais rápidas do que eles", resmungou Kubica.

Mau tempo prejudica a primeira semana

Albert Gea/Reuters
Imagem: Albert Gea/Reuters

Já que a Liberty Media, a nova empresa que controla a Fórmula 1, se empenha em tentar expandir o calendário e renovar o formato do "espetáculo", seria bem-vindo pensar também em testes de pré-temporada em algum lugar do planeta menos sujeito a baixas temperaturas nesta época do ano.

Barcelona foi tomada por frio, chuva e neve durante a semana. Foram praticamente dois dias de inatividade por conta do mau tempo. Com pistas em condições mais adequadas e menos afetadas pela meteorologia, o desenvolvimento dos carros com certeza seria mais efetivo antes do início do campeonato.