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Fórmula 1

Como Verstappen, Senna e Schumacher também sofreram por agressividade

AFP PHOTO / Giuseppe CACACE
Hamilton e Verstappen se chocaram no início da corrida Imagem: AFP PHOTO / Giuseppe CACACE

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Baku (Azerbaijão)

25/04/2018 04h00

Max Verstappen tem sido alvo de críticas depois de um início de temporada marcado por acidentes, que culminaram com sua atuação errática no GP da China - quando tocou nos carros de Lewis Hamilton e Sebastian  Vettel. Para piorar, o holandês de 20 anos viu o companheiro Daniel Ricciardo, que adotara estratégia similar e vinha atrás dele, vencer a corrida, enquanto ele teve de se contentar com o quinto posto após uma punição.

O que veio a seguir foi uma chuva de críticas, com o tricampeão Niki Lauda questionando a inteligência de Verstappen e o próprio consultor da Red Bull, Helmut Marko, dizendo publicamente que seu piloto “jogou fora” uma vitória.

As críticas ao estilo agressivo não são uma novidade na carreira de Verstappen, que estreou na F-1 em 2015 e é o mais jovem da história da categoria a se inscrever a um GP - e também a vencer uma etapa. E não são exclusividade do holandês. Pilotos como Ayrton Senna e Michael Schumacher também tiveram que conviver por toda a sua carreira com polêmicas parecidas.

Senna já chegou à F-1, em 1984, com fama de piloto excessivamente agressivo, devido ao acidente com Martin Brundle que definiu o título da F-3 a favor do brasileiro. Tanto que seu então rival britânico e hoje comentarista de TV costuma dizer que “Senna te deixava a decisão de bater ou não, pois você sempre sabia que ele não tiraria o pé.”

Um dos críticos de Senna durante a carreira foi o compatriota Nelson Piquet. No GP da Hungria de 1986, Piquet disse que, em certo ponto da prova, o então piloto da Lotus jogou-o na grama porque “como de costume, eu estava lutando pelo título e ele não.”

As críticas só aumentaram quando incidentes entre Senna e Alain Prost definiram os campeonatos de 1989, a favor do francês, e 1990, a favor do brasileiro. Por conta da segunda batida, Jackie Stewart criticou duramente o brasileiro, que revidou. “Ele disse que nunca falaria comigo novamente e realmente não conversamos por cerca de um ano”, revelou o escocês tricampeão mundial.

Prost, claro, também sempre criticou a agressividade do rival, chegando a dizer que Senna se arriscava porque “como acredita em Deus, não acha que pode morrer na pista.”

Em sua defesa, Senna costumava dizer que “no dia em que houver um espaço e você não tentar a ultrapassagem, você deixa de ser um piloto.”

Michael Schumacher seguia à risca esta frase e também sempre sofreu críticas por isso. Desde os primeiros anos na Benetton, culminando com o acidente que lhe deu o título na briga com Damon Hill em 1994. Naquela época, ele já trabalhava com Ross Brawn, com quem conquistaria todos os sete títulos e terminaria a carreira, na Mercedes.

“Ele não tinha limites quando a questão era se afirmar, e tinha uma confiança extrema de que lidaria com qualquer coisa. Mas, às vezes, havia uma intensidade que gerava exageros”, reconheceu o ex-diretor técnico de Benetton, Ferrari, Brawn e Mercedes.

Essa agressividade exagerada apareceu do início ao fim da carreira do maior vencedor da história da F-1. No ano de sua primeira despedida, em 2006, ele tentou impedir a pole position de Fernando Alonso no GP de Mônaco fingindo um acidente e causando uma bandeira amarela. Acabou punido e jogado para o fim do grid.

E, quando voltou à F-1, também foi criticado por manobras contra Lewis Hamilton e Jenson  Button, mas principalmente quando espremeu Rubens Barrichello contra o muro no GP da Hungria de 2010. Na ocasião, até mesmo seu primeiro chefe de equipe, Eddie  Jordan, disse que a manobra “mancha sua imagem.”

Neste final de semana, no Azerbaijão, Verstappen tenta virar a página. Logo depois da prova chinesa, o holandês aparentava tranquilidade e disse que “não precisava de um psicólogo”, afirmando que seu problema não era excesso de agressividade, “e sim excesso de vontade de ter bons resultados”. De fato, os resultados não estão vindo para o holandês, que ocupa apenas a oitava colocação no campeonato após três etapas disputadas e tem menos da metade dos pontos do companheiro Ricciardo.

GP do Azerbaijão (horários de Brasília):
Sexta-feira:
Treino livre 1 - 6h
Treino livre 2 - 10h

Sábado
Treino livre 3 - 7h
Classificação - 10h

Domingo
Corrida - 9h10

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