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Fórmula 1

Chefe quer conversa com Max. Mas holandês diz que "não precisa mudar nada"

Mark Thompson/Getty Images
Max Verstappen Hemult Marko Red Bull Fórmula 1 China Imagem: Mark Thompson/Getty Images

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Londres (ING)

30/05/2018 04h00

A temporada de Max Verstappen até aqui pode ser bem resumida por seis acidentes ou toques em seis corridas e menos da metade dos pontos que o companheiro de Red Bull, Daniel Ricciardo, conquistou. Além disso, o australiano já venceu duas vezes, na China e em Mônaco, enquanto o melhor resultado do holandês foi um terceiro lugar na Espanha.

E são justamente os erros da China, quando se tocou com (Lewis) Hamilton e depois bateu mais forte com (Sebastian) Vettel, e de Mônaco, quando se acidentou ainda nos treinos livres, os únicos pelos quais Verstappen assume algum tipo de culpa. Os demais, considera “coisas de corrida”.

O problema é que a sequência já está irritando a cúpula da equipe, que sempre protegeu seu garoto prodígio, contratado às pressas quando ainda tinha 16 anos para que a Mercedes não o ‘fisgasse’. Verstappen logo estreou, aos 17 anos, pela Toro Rosso, e demorou apenas 23 corridas para subir à Red Bull, vencendo logo em sua estreia em um time grande. Ao mesmo tempo em que impressionava com grandes e agressivas performances, Verstappen se envolveu em acidentes em seus primeiros anos, o que era atribuído à falta de experiência de um piloto que só fez um ano em monopostos antes de ir à F-1.

Porém, a série de erros agora que o piloto está em quarta temporada já desperta críticas mais duras, especialmente pela maneira como Verstappen se comporta. Na quarta-feira, antes dos treinos livres em Mônaco, o holandês foi questionado pelo UOL Esporte se via a corrida do Principado como uma boa oportunidade para se redimir, ou um grande risco de cometer outro erro. E respondeu: “Não me importa. Eu não preciso mudar nada na minha pilotagem e sempre vou ser o mesmo.”

No sábado, porém, o piloto bateu da mesma forma que dois anos atrás e ficou de fora da classificação. Largou em último e terminou em nono, enquanto Ricciardo venceu de ponta a ponta em um final de semana em que a Red Bull teve o melhor carro.

Formula 1 Oficial
Imagem: Formula 1 Oficial
A batida de Mônaco repercutiu muito mal dentro da equipe, com os chefes Christian Horner e Helmut Marko criticando Verstappen publicamente. Mas o piloto disse ao UOL Esporte que vê isso com naturalidade.

“Eles não precisam dizer para mim que eu errei porque eu sei muito bem disso. E é claro que seria bem estranho se eles dissessem ‘muito bem, Max. Grande trabalho’. Vencemos e perdemos juntos e dessa vez perdemos. Mas acho que minha recuperação na corrida foi boa e consegui marcar alguns pontos”, salientou.

“Quando eu larguei, ainda não estava contente com o que aconteceu. O que aprendi nesse final de semana foi que devo ficar longe do muro. Às vezes são detalhes que causam grandes danos para todo o seu final de semana e foi isso que aconteceu comigo. E naquele caso nem foi porque passei do limite, pois não era o caso daquela volta. Diria que foi um erro de concentração, de não estar 100% focado, e acabei batendo forte. Como era Mônaco, perdi a classificação. Se fosse em outra pista e tivesse pego muita zebra na entrada da curva, seria só uma escapada e voltaria à pista normalmente.”

A maneira como Verstappen se nega a mudar de atitude mesmo com os erros incomoda os chefes. “Max tem uma abundância de talento e teve algumas lições duras neste ano”, disse Horner, que prometeu uma conversa dura com seu piloto antes do GP do Canadá, que será disputado dia 10 de junho. “Acho que uma mudança de abordagem vai ajudá-lo. Ele tem um ótimo professor no outro lado da garagem.”

Até mesmo Marko, grande responsável por contratar Verstappen, deixou clara sua insatisfação. “Acho que ele precisa de mais paciência. Ele quer ser sempre o mais rápido, mas o resultado só vem quando você cruza a linha de chegada. Ele precisa julgar melhor as situações”, avaliou.

A Red Bull tenta a recuperação do piloto, que tem contrato com o time até o final de 2020. Mas há no paddock quem já tenha perdido as esperanças, como o ex-piloto e hoje comentarista Nico Rosberg.

“Imagino se Max não é confiante demais, arrisca demais. Ele não parece aprender. Não dá para falar mais que é inexperiência. No momento, está tudo dando errado para ele, mas não tenho mais muita esperança.”