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Fórmula 1

Ele chegou mais perto de Alonso que pilotos famosos. Mas está desempregado

Mark Thompson/Getty Images
Stoffel Vandoorne, piloto da McLaren Imagem: Mark Thompson/Getty Images

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Cingapura (SIN)

14/09/2018 04h00

Ele chegou à Fórmula 1 como grande talento, campeão da GP2 (hoje F-2) e, com  24 anos, estreou logo pela McLaren, correndo ao lado do bicampeão do mundo Fernando Alonso. A história poderia muito bem ser a de Lewis Hamilton, que teria uma temporada brilhante em seu primeiro ano, em 2007, ficando a um ponto do título. Mas as semelhanças entre as trajetórias do piloto inglês e de Stoffel Vandoorne param por aí.

Tanto que, 18 meses depois de ter estreado como titular da McLaren, ao invés de estar lutando pelo título como aconteceu com Hamilton, o belga está procurando um cockpit para se manter na Fórmula 1 no ano que vem.

E não é exatamente por suas performances que Vandoorne está nesta situação. O belga chegou a ser defendido até pelo próprio Alonso, que o comparou com outros companheiros que teve.

Alonso brincou que Vandoorne “sempre estará um pouco atrás” dele porque “é difícil” batê-lo. Mas fez questão de comparar a performance do atual companheiro com Kimi Raikkonen. “Em 2014, eu era seis ou sete décimos mais rápido que Kimi em todas as corridas. Hoje não é assim.”

Vandoorne fica, em média, três décimos atrás de Alonso nas classificações, o que é um dos melhores resultados dentre os companheiros que o espanhol teve em sua carreira. O belga tem se dado melhor que Raikkonen, Massa (em 2010 e 2011), Nelsinho Piquet e Fisichella (em 2005 e 2006), ainda que seu desempenho não seja tão bom quanto o de Hamilton ou Button frente a Alonso.

Porém, o bicampeão faz questão de ressaltar que, com um carro problemático e sofrendo várias quebras e punições com o motor Honda em 2017, é mais difícil para Vandoorne mostrar serviço. “Ele chegou na F-1 pilotando um carro ruim no ano passado e neste ano também. Vamos esperar para ver o que vai acontecer com sua reputação. Não há muito o que possa dizer para ele.”

O primeiro golpe na carreira, contudo, já foi sentido por Vandoorne. O belga foi dispensado pela McLaren, preterido em favor do novato Lando Norris, que é atualmente segundo colocado na Fórmula 2. Com a confirmação, até o momento o time é o único que vai mudar seus dois pilotos - Norris será companheiro de Carlos Sainz, que chega para o lugar de Alonso, aposentado da F-1.

E este golpe pode ser derradeiro: em um ano de mercado de pilotos agitado, Vandoorne tem chances de continuar na categoria em times como Haas e Sauber, mas suas possibilidades não são grandes.

Perguntado pelo UOL Esporte se tem algum arrependimento da maneira como geriu a carreira, o belga disse que não. “A McLaren foi muito importante para minha carreira e eu não teria chegado aqui se não fosse por eles. Ainda sou o mesmo piloto que antes, tenho o mesmo talento e a capacidade de lutar por campeonatos e vencer corridas. Mas estou na McLaren provavelmente nas duas piores temporadas da história do time. Claro que não ajuda. É uma pena e estou muito desapontado, mas são coisas que estão fora do meu alcance.”

Vandoorne confirmou que conversa com algumas equipes no paddock, mas também não descarta correr em outra categoria ano que vem. “Mas até que a porta da F-1 se feche completamente, meu foco é aqui.”

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