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Fórmula 1

Dez anos após frustrar Interlagos, Glock ainda é cobrado nas redes sociais

Ronny Hartmann/Bongarts/Getty Images
Timo Glock está com 36 anos e compete no DTM, o campeonato alemão de carros turismo Imagem: Ronny Hartmann/Bongarts/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

09/11/2018 04h00

Um título decidido na última curva da última volta da última prova. Assim foi o GP do Brasil de dez anos atrás. Felipe Massa chegou a ser campeão mundial de Fórmula 1 durante meio minuto: o tempo entre a bandeirada da vitória e a ultrapassagem de Lewis Hamilton sobre Timo Glock. "Na última curva, na última curva!", lamentava Galvão Bueno.

Glock estava em quinto, tentando segurar o carro com pneus slicks na pista molhada. Depois que Massa cruzou a linha de chegada, todas as atenções se voltaram para ele. "Cadê o Glock, cadê o Glock, cadê o Glock?", dizia Galvão. "O Glock não resistiu...". Com a ultrapassagem, Hamilton conseguiu os pontos que precisava. A transmissão da TV ainda mostrava a festa dos parentes de Massa nos boxes da Ferrari quando o narrador anunciou, desanimado: "E Hamilton é campeão do mundo".

Paulo Whitaker/Reuters
Imagem: Paulo Whitaker/Reuters

No último dia 2 de novembro, a épica decisão do título de 2008 completou dez anos. A data passou em branco nas redes sociais de Lewis Hamilton, hoje pentacampeão. Massa postou apenas a chamada para uma matéria de TV relembrando a corrida. Sabe quem mostrou o maior interesse pelas lembranças daquele dia? Ele mesmo: Timo Glock. 

"E vem tudo pra cima da gente de novo... Foi há dez anos, mas parece maior do que nunca. Muitos e muitos comentários, pelo menos nem todos foram negativos. Mesmo assim, deixo uma pequena lembrança para aqueles que ainda pensam que foi de propósito (ainda há muitos por aí)... Tem um vídeo onboard da última volta inteira no Youtube. Pelo menos vocês podem ver todas as dificuldades que eu tive!". 

Naquele dia, Glock virou o vilão do Brasil por "deixar" Hamilton passar e "tirar" o título de Massa na última volta. A acusação mais comum era a de que a Toyota, sua equipe na época, tinha "vendido" a ultrapassagem para a McLaren. Dez anos depois, nos comentários deste post no Instagram, o alemão continua sendo xingado por torcedores brasileiros e italianos fãs da Ferrari. 

No entanto, segundo ele, basta ver o vídeo para entender que era impossível impedir a ultrapassagem de Hamilton naquelas condições. Glock assumiu o risco de não trocar pneus para se manter na zona de pontuação até o fim. Ele mal conseguia manter o carro na pista. Mesmo assim, a polêmica continua: 

"Aqui está, e não me pergunte de novo por que eu perdi 18 segundos". Esta foi a resposta de Glock a um comentário insinuando que sua queda de desempenho na última volta teria sido "altamente suspeita". A câmera onboard mostra vários outros carros ultrapassando a Toyota derrapante do alemão.  Neste outro tuíte, o piloto volta a recorrer ao vídeo para rebater o seguidor que citou um suposto "acordo entre amigos" com Hamilton. 

O jornalista Will Buxton então lembrou que Hamilton e Glock não eram melhores amigos; na verdade, eles estavam de mal por causa de um acidente em Monza havia pouco tempo. Glock acrescenta que o debate em torno daquela corrida está maior do que nunca: 

Outro seguidor citou um boato de que Glock teria ganhado um carrão AMG de presente por deixar Hamilton passar. O alemão ironizou: "Não só um, vários".

Aos 36 anos, o alemão Timo Glock segue sua carreira como piloto. Após deixar a Fórmula 1, em 2013, começou a competir no DTM, maior campeonato de carros turismo da Alemanha, pela equipe BMW. Ele também trabalha como comentarista de automobilismo para o canal alemão RTL.