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Fórmula 1

Rio e São Paulo brigam por F-1. Mas primeiro precisam de investidores

Mark Thompson/Getty Images
GP do Brasil está em Interlagos desde 1990 Imagem: Mark Thompson/Getty Images

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Abu Dhabi (EAU)

26/11/2018 04h00

Com o atual contrato do GP do Brasil acabando no final de 2020, São Paulo e Rio de Janeiro já começaram com uma disputa para ver quem vai ficar com o evento a partir de 2021. Depois de receber o chefão da categoria, Chase Carey, há duas semanas, o governador eleito do Rio, Wilson Witzel afirmou ter fechado um “compromisso” para trazer a corrida de volta à capital carioca. Já o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, indicou que tentará manter a prova na cidade após o encerramento do contrato atual.

As duas candidaturas, contudo, encontram o mesmo entrave: os chefes de equipe têm pressionado a Liberty Media, empresa que controla a F-1, a tirar do calendário as corridas que pagam as menores taxas. Em um acordo feito ainda nos tempos de Bernie Ecclestone, o GP do Brasil é subsidiado, ou seja, não paga a taxa total que consta no contrato original. Segundo apurou o UOL Esporte, a quantia não passaria dos 10 milhões de dólares, sendo que o pagamento médio é de cerca de 25 milhões, sendo que provas em destinos com pouca tradição no automobilismo, como Azerbaijão, chegam a pagar mais de 60 milhões. Assim, o Brasil é o segundo país que menos paga para receber a corrida, atrás apenas de Mônaco que, por seu valor histórico, não faz nenhum pagamento.

A matemática financeira do GP é complexa: existe um subsídio por parte da FOM, caso contrário não seria possível”, ressaltou o vice-presidente de marketing do GP Brasil Gabriel Rohonyi ao UOL Esporte.

A pressão das equipes visa cobrir um buraco nas contas da F-1 que está sendo gerado pelo aumento de gastos da Liberty, que vem investindo principalmente na cobertura via internet e mídias sociais. O dinheiro arrecadado com as taxas pagas pelos circuitos são a grande fonte de renda da categoria, juntamente dos direitos de transmissão (cuja receita vem diminuindo justamente devido ao avanço da internet). Essa quantia é dividida entre as equipes, ou seja, há uma relação direta entre o pagamento de taxas mais altas e o orçamento dos times. Um novo contrato do GP do Brasil, portanto, passaria pela revisão da taxa.

Rio ou São Paulo?
Chase Carey reiterou ao UOL Esporte o desejo da Fórmula 1 continuar no Brasil, única prova realizada na América do Sul. Isso, especialmente depois da Liberty Media ter tentado promover o retorno da Argentina ao calendário, o que não acabou saindo do papel por falta de dinheiro. “É um país de muita tradição no automobilismo, muita paixão dos torcedores. E a Fórmula 1 quer um compromisso de longo prazo com o país.” Mas uma decisão de qual cidade receberá o evento está longe de ser tomada.

Isso porque nenhuma das cidades, no momento, pode dar as garantias necessárias à Liberty Media. No Rio, o autódromo de Deodoro ainda não saiu do papel. Trata-se de um projeto assinado por Hermann Tilke, que fez a maioria das pistas modernas da F-1, em um terreno cedido pelo governo. No momento, o ainda está sendo discutido o edital para o projeto, visando a atração da iniciativa privada para tocar a obra.

Já do lado de São Paulo, há o projeto de privatização do Autódromo de Interlagos, mas tanto na visão dos organizadores, quanto do prefeito, isso não impede a negociação de um novo contrato, uma vez que a proposta é vender o terreno com a garantia de que o circuito seja mantido.
Pelo contrato atual, o Brasil vai receber a Fórmula 1 por pelo menos mais dois anos, em Interlagos.

Errata: o texto foi atualizado
26/11/2018 às 09h50
Diferente do informado anteriormente, o Brasil é o único país da América do Sul, e não o único da América Latina a receber provas da Fórmula 1. O erro foi corrigido.

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