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Fórmula 1


Brasil de volta na Fórmula 1? Cartola diz que está à caça de piloto chinês

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Manama (Bahrein)

2019-03-26T06:29:12

26/03/2019 06h29

Mesmo sem comemorar um título na Fórmula 1 desde 1991, sem ver um piloto vencendo desde 2009 e sem piloto no grid desde o início do ano passado, o Brasil segue como líder absoluto em termos de audiência na categoria. Mas isso não quer dizer que os pilotos brasileiros tenham a preferência dos donos do esporte para chegarem ao grid. Afinal, o que a F-1 busca são novos mercados.

Foi o que deu a entender Chase Carey, diretor-executivo da Fórmula 1. De acordo com o norte-americano, que controla o esporte em nome do grupo Liberty Media desde o início de 2017, a China e os EUA são os dois grandes focos, além de ter uma piloto mulher no grid.

"O que buscamos é diversidade - ter uma piloto mulher seria fabuloso, assim como ter um americano e ter um chinês. O melhor cenário seria ter um piloto de cada país importante, não há dúvidas disso. Para entender a importância disso é só ver o impacto que Max Verstappen teve na Holanda", afirmou Carey, ouvido pelo UOL Esporte.

A 'ofensiva' chinesa tem sido especialmente forte: desde o ano passado, a categoria é mostrada na TV aberta no país asiático, o que fez com que ele pulasse para o segundo lugar em termos de alcance, com 68 milhões de espectadores, atrás justamente do Brasil, com 115,2 milhões no total da temporada. A mudança da TV fechada para a aberta fez os números de audiência triplicarem na China, mas o potencial de crescimento no país de quase 1,4 bilhão de pessoas é gigantesco.

Não por acaso, o foco agora é formar o primeiro chinês a ser piloto titular da Fórmula 1

"É a melhor forma de fazer o esporte crescer em um país em que ele não tem tradição. Ter um representante leva tudo a um outro nível. É só ver o que aconteceu com a NBA depois do Yao Ming. Mas tudo o que podemos fazer na realidade é criar oportunidades - não podemos criar os pilotos, mas podemos dar a oportunidade para que surjam pilotos vindos dos lugares que achamos que seriam ótimos para o esporte".

Até hoje, a China não teve nenhum representante no grid, ainda que Ma Qinghua tenha participado de uma sessão de treinos livres pela extinta HRT, no GP da Itália de 2012.

O grande obstáculo para os chineses é o fato do automobilismo só ter começado a crescer no país recentemente e as primeiras pistas de kart do país não têm mais que 10 anos. Por conta disso, ainda não há pilotos que iniciaram sua formação ainda na infância, como ocorreu com todos os que estão atualmente na Fórmula 1.

Prova disso é o fato do chinês que está mais próximo da Fórmula 1, Guanyu Zhou, ter se mudado aos 12 anos para a Inglaterra para melhorar sua formação como piloto. Depois de vencer duas corridas na Fórmula 3 ano passado, ele vai estrear nesta temporada na Fórmula 2, além de fazer parte do programa de desenvolvimento de pilotos da Renault.

Além da promoção na TV e da busca por um piloto, a China está em voga na Fórmula 1 por uma coincidência: o 1000º GP da história da categoria será disputado em Xangai, em meados de abril, e várias ações especiais estão sendo planejadas para a comemoração.